Inadimplência: o desafio das escolas para 2016

Em sua opinião, qual o principal desafio administrativo e financeiro das escolas? Dificuldade na captação de novos alunos? Desempenho financeiro e fluxo de caixa? Diferenciação em relação à concorrência? Essas questões são comuns a gestores de escolas de todo o país, mas o que mais preocupa, no momento, são os índices de inadimplência. Foi o que revelou o estudo O cenário da gestão escolar no Brasil, realizado pela Comunidade Internacional de Cooperação na Educação Mind Group. Seis em cada dez entrevistados incluíram esse item, além da conciliação dos diferenciais da escola e seus custos, em sua lista de elevado fator de preocupação para 2016.

A pesquisa contou com a participação de gestores de instituições de ensino de 19 estados do país. Foram coletadas 188 respostas, entre os meses de junho e agosto de 2015. O receio da inadimplência vem acompanhado por um olhar crítico a respeito da situação das escolas no próximo ano: apenas 18% veem 2016 como um ano mais positivo que 2015. Quase cinco em cada dez (47%) instituições entendem que o próximo ano será tão desafiador quanto 2015 e 35% acreditam que será ainda mais desafiador. A preocupação dos gestores escolares não ocorre por acaso. “As instituições de ensino precisam trabalhar com a premissa de que a crise econômica atingiu o país inteiro. E o desemprego deve atingir a todos os setores da economia, o que causa reflexos em todas as áreas”, explica Sérgio Itamar, professor de Finanças do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae). “A situação do Brasil se chama crise porque atinge todo mundo. Nesse cenário, as pessoas privilegiam o pagamento de dívidas com juros maiores, como o cartão de crédito e o cheque especial”, ressalta.

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram que o número de consumidores com contas atrasadas e registrados em cadastros subiu 4,6% no primeiro semestre de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com os dados, cerca de 40% da população adulta já deixa de pagar contas.

Como se planejar

Na opinião de Itamar, as escolas precisam ter em mente que a inadimplência – ainda mais em períodos de crise – nem sempre está relacionada à má administração de dinheiro, e sim à conjuntura do país. A fim de evitar problemas e tornar a gestão escolar mais simples, o professor sugere duas ações importantes: o treinamento dos funcionários quanto à legislação – para evitar indenizações por abuso na cobrança – e negociações individuais e personalizadas.

Negociação

Uma das orientações é a criação de comitês para gerir as negociações com os pais, visto que cada família terá uma situação financeira específica a ser contornada. “Não existe uma forma única de negociar, por isso a necessidade de avaliar cada negócio caso a caso”, diz Itamar. A orientação do especialista é para que as escolas chamem os pais para conversar sobre os pagamentos antes de ultrapassar os três meses de inadimplência. “Dessa maneira, é possível entrar em acordo antes que o pagamento se torne impossível de ser feito”, explica. Além disso, segundo o professor, é necessário ter atenção na forma de lidar com alunos inadimplentes. “Muitas vezes, existe a pressão para se obter resultados financeiros, e as escolas entram em desacordo com a legislação. É comum a escola ser a credora e ser processada por abusos”, alerta. Com o trabalho do comitê e as negociações, fica mais simples para a escola trabalhar de maneira preventiva o orçamento de 2016, podendo até mesmo negar matrículas em casos especiais.

O que não fazer

São duas as possibilidades para as escolas cobrarem os inadimplentes: execução judicial ou serviço de cobrança de crédito. No entanto, a orientação de Maristela Denise Marques de Souza, professora de Direito do Consumidor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é de que se prime pela negociação. “Trata-se da melhor forma para resolver conflitos”, afirma. E acrescenta: “Não se pode usar de artifícios que sejam contrários à lei, como impedir o acesso à sala de aula ou não enviar documentos do aluno para outras instituições em caso de transferência”. Entre a legislação que rege o assunto está o Código de Defesa do Consumidor, com foco especial para a área de prestação de serviços. “Se a escola tomar algum tipo de medida considerada abusiva ou arbitrária, o próprio código vai defendê-lo [o aluno]. A partir do momento em que a escola assume a responsabilidade de educar o jovem, deve prestar o serviço de maneira eficiente, mesmo que o consumidor esteja inadimplente”, orienta.

Atenção

A melhor maneira de coibir ações indevidas é se preparar previamente, ou seja, só tomar medidas de cobrança mais efetivas ao fim do semestre letivo. “As instituições não devem se precipitar, pois correm o risco de sofrer as demandas indenizatórias por danos morais”, pontua Maristela. De acordo com ela, as escolas – e grupo escolares – de maior porte costumam trabalhar de acordo com a lei, mas as de menor porte apresentam mais chances de pressionar os pais por uma maior necessidade financeira.

Este é apenas um trecho desta reportagem. O material na íntegra está disponível na edição de novembro de 2015

Escrito por Vinicius Boreki
Fonte: Gestão Educacional
(http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/especiais/negocio-educacao/1379-inadimplencia-o-desafio-das-escolas-para-2016)

Um comentário on “Inadimplência: o desafio das escolas para 2016”

  1. Excelente reflexão da verdadeira situação que nós dos “bastidores” da escola passamos em relação ao grande número de inadimplência.
    Grande desafio:conseguirmos manter a qualidade,honrar compromissos de folha de pagamento,não perder aluno para concorrência e saber separar caso a caso sem fazer que o aluno de forma alguma seja constrangido e prejudicado.

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