Ensino

Congresso de Gestão Educacional

 

Já está disponível a programação do 14° Congresso Brasileiro de Gestão Educacional que acontecerá de 30 de março a 1º de abril de 2016, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. O tema desta edição é “Superando Desafios – Gestão para resultados e oportunidades de crescimento”. O principal objetivo é trazer discussões que façam com que gestores e profissionais da educação saibam lidar com os impactos dos cortes orçamentários na área, tendo como prioridade manter a qualidade do ensino e da gestão educacional.

O evento terá como palestrantes o Maestro João Carlos Martins, no primeiro dia de congresso, e ainda contará com o Filósofo Mario Sergio Cortella abordando a necessidade de não se acomodar diante de momentos de crise. No segundo dia, será realizado o Segundo Fórum de Empregabilidade e Empreendedorismo do Aluno, que contará com a presença de Robert Wong, considerado um dos palestrantes mais inspiradores e requisitados do mercado nacional e internacional.

Ainda no dia 31 de março, acontece o Fórum dos Líderes Educacionais comandado pelo professor Eugenio Mussak, visto como um dos mestres em educação corporativa. Já no último dia de evento, haverá o 4° Colóquio de Práticas Bem Sucedidas em Gestão que abordará fatores importantes para melhoria e desenvolvimento da educação básica, técnica e do ensino superior, e contará com diversos palestrantes da área.

Entre os temas do congresso, estão: construção de uma nova escola, caminhos para a busca da excelência pedagógica, influência dos rankings dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no trabalho das instituições educacionais, como atender as expectativas dos jovens em relação ao ingresso no mercado de trabalho, oportunidades e ações para fazer frente à momentos de crise e, também, estratégias para profissionalizar a gestão.

As inscrições podem ser realizadas através do site da Humus, empresa que organiza o congresso, até o dia 22 de março. Os valores para participar do congresso variam de acordo com a data da inscrição dos participantes e das palestras a que desejam assistir. Há preços definidos até o dia 21 de janeiro, de 22 de janeiro até 23 de fevereiro, de 24 de fevereiro até 22 de março e, caso haja vagas, ainda poderá haver inscrições após o fim do prazo.

Os preços das palestras variam de R$55 a R$1.100. Há também pacotes promocionais para quem pretende assistir mais de uma palestra. Os valores variam de R$2.120 a R$3.030. O pagamento deve ser efetuado, em favor de Humus, no Banco Itaú ou no Bradesco. É possível verificar os valores definidos por palestra, data, horários, assim como os pacotes promocionais de forma detalhada no site do congresso.

Serviços
www.humus.com.br/geduc
Banco Itaú: Agência 0745, Conta Corrente 32696-7
Banco Bradesco: Agência 2272-1, Conta Corrente 14672-2

 

Por - Diego Santos - diego.santos@folhadirigida.com.br

 

Fonte: Folha Dirigida (http://www.folhadirigida.com.br/fd/Satellite/educacao/noticiario/-Inscricoes-para-Congresso-de-Gestao-Educacional-2000158681072-1400002102372)

O Fantasma da Evasão

Sem fórmula mágica ou diagnóstico preciso, controlar a permanência dos alunos na faculdade está atrelado a um conjunto de medidas em constante implantação e acompanhamento  pela instituição de ensino.

De todos os problemas que afligem gestores de instituições de ensino superior, empreender ações para o controle da evasão universitária segue sendo o que provoca maiores dúvidas com relação à eficácia e comprovação dos resultados. Segundo especialistas, a dificuldade de prever a desistência da faculdade pelo aluno se dá porque normalmente a evasão ocorre por vários motivos acumulados, que são inclusive acobertados pelo próprio estudante. A solução recomendada é então combinar iniciativas de acompanhamento e motivação dos alunos para antever o problema e combatê-lo antes de consumado.

Entre os exemplos de ações empreendidas vale tudo. Nos Estados Unidos, o Olin College resolveu atacar no currículo e trouxe para o início dos cursos de engenharia as disciplinas práticas. A justificativa para a mudança é envolver os alunos, dando a eles a chance de experimentar a rotina da profissão já nos primeiros anos de estudo e, assim, fazendo-os se sentirem mais motivados a permanecer no curso.

Para a consultora educacional Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo, vice-presidente do Instituto Lobo e especialista em gestão universitária, antecipar componentes curriculares, com disciplinas mais práticas sendo ministradas logo no início do curso, pode ajudar. Mas não é algo que deve ser feito de forma aleatória e sim como parte de um projeto pedagógico pensado para ter este perfil. “Uma medida como a tomada pelo Olin College, sozinha, só será eficiente se for detectado que a grande causa da evasão para aqueles alunos é a falta de contato com a prática nos primeiros anos do curso. De forma geral, é preciso um conjunto de ações para atacar essa síndrome”, explica Maria Beatriz.

A consultora lembra que a atitude tomada pelo Olin College nem chega a ser uma novidade no meio universitário. “A Poli [faculdade de engenharia da USP] já fazia isso em 2001, com projetos de engenharia no primeiro ano”, diz.

Ana Cristina Canettieri, especialista em educação e diretora da Cadec, empresa de capacitação e desenvolvimento educacional, vai além. Segundo ela, a atratividade de uma aula não está necessariamente atrelada à forma teórica ou prática com que é ministrada. “Há matérias teóricas ministradas com tamanha competência que se tornam atraentes para os alunos, da mesma forma que há aulas práticas cansativas. Assim, não creio que o simples deslocamento de matérias mais práticas para o começo do curso seja, por si, suficientemente capaz de despertar no aluno mais interesse no conteúdo do curso”, diz Ana Cristina.

Falta de empenho

Se não é a fórmula mágica para combater a evasão, a medida tomada pelo Olin College traz à tona um assunto que costuma ser ignorado pelo governo e pelas próprias instituições. O Ministério da Educação (MEC) não calcula dados de evasão no Censo da Educação Superior, embora seja o único órgão a ter todas as condições para isso. “É a prova de que a evasão não é levada a sério no Brasil. E as instituições também não fazem um bom acompanhamento disso. Todos se importam demais com o ingresso do aluno e quase nada em mantê-lo”, denuncia a consultora.

Apesar de não haver dados oficiais sobre a evasão anual da educação superior no Brasil, uma pesquisa feita pelo Instituto Lobo indica que a taxa fica em torno de 22% para o conjunto de cursos superiores presenciais, sendo mais elevada nas instituições privadas (25%) do que nas públicas (11%).

Os números da evasão também se refletem em alto custo financeiro, de acordo com o estudo feito por Solano Portela, diretor Educacional da Universidade Mackenzie, que estima os custos da evasão para uma instituição. Segundo ele, se a evasão é de 25%, com uma mensalidade média de R$ 500,00, só a perda anual de receita para cada mil alunos é de R$ 375.000,00. Uma instituição com 20 mil alunos chegaria a perder com a evasão R$ 7.500.000,00 a cada ano.

Somado ao impacto da perda financeira das mensalidades que deixam de ser pagas pelos alunos evadidos, Maurício Berbel, consultor da Alabama Consultoria Educacional, ressalta haver o prejuízo de manter turmas com poucos alunos até a conclusão do curso. “O custo dessa evasão deve incluir o prejuízo de se ter uma turma pequena demais, tendo de pagar o corpo docente, manter as instalações etc. É um valor mais difícil de calcular”, diz Berbel.

Difícil diagnóstico

Há uma evasão considerada “natural” e que deve fazer parte do planejamento institucional, explica Ana Cristina. Dentre as causas naturais, a mais significativa é a mobilidade. Os alunos mudam de bairro, de município, de estado, de país e, por esta razão, acabam por não concluir o curso na mesma instituição. Outra causa natural é a morte. Fora estas situações excepcionais, há uma série de outras causas que levam um aluno a evadir-se.

Embora a justificativa financeira seja, quase sempre, a primeira a ser mencionada por alunos e instituições de ensino, esta não é a maior vilã da evasão. Uma sugestão para ajudar os alunos que se encontram com dificuldades para arcar com os custos da faculdade, segundo Berbel, é orientá-los financeiramente. “Um trabalho de orientação feito com os ingressantes, que os ajude a organizar o orçamento, pode diminuir a evasão”, diz Berbel, que já experimentou, com sucesso, essa experiência quando trabalhava na Faculdades Integradas Teresa D’Ávila (Fatea), em Lorena (veja mais na versão da matéria no site da revista).

Maria Beatriz ressalta que, na maior parte das vezes, o aluno usa a desculpa financeira para esconder uma decisão anterior de não continuar seus estudos. Aos gestores que querem diferenciar aqueles que realmente se evadem por problemas financeiros dos que se evadem por outras razões, ela dá uma dica: quem desiste por questões estritamente financeiras normalmente tem um histórico na instituição de busca de descontos, bolsas, negociações e outras tentativas de solução. Se isso não ocorreu, provavelmente, o problema financeiro não foi a maior causa da evasão desse aluno.

Um problema de fato é a formação básica deficiente. Muitos alunos chegam aos bancos universitários com claras deficiências acadêmicas. A instituição precisa cuidar para que esses alunos não fiquem tão atrasados em relação aos demais a ponto de acreditar que sua integração ao programa do curso seja impossível. “É preciso fazer o nivelamento do estudante, conhecer o que ele sabe e adequar o curso ao acompanhamento dele”, explica Maria Beatriz.

Uma ideia é criar programas especiais que atendam às necessidades específicas desses alunos. Ana Cristina menciona a criação de cursos de nivelamento de estudos como uma boa possibilidade. “As instituições também podem criar Núcleos de Escrita, a exemplo do que existe nas universidades americanas de ponta”, sugere Ana Cristina.

Choque de realidade

De nada adianta tudo isso, se o aluno estiver matriculado no curso errado. Por imaturidade, muitos escolhem que graduação cursar tendo poucas informações sobre as opções disponíveis ou a rotina da vida profissional. Um caminho apontado por Berbel para auxiliar os estudantes a fazer a escolha certa seriam os cursos organizados em ciclos básicos. Eles permitem que os alunos tenham mais conhecimento sobre certa área antes de fazer a opção definitiva.

Apesar de o foco estar centrado no aluno – afinal, é ele quem decide abandonar o curso –, as instituições também deveriam se colocar no centro dos projetos de combate à evasão. Isto porque, segundo os especialistas consultados, a decepção com a instituição e com os professores é outra grande causa de evasão. Chamada de “desencanto” por Ana Cristina, ela abarca desde a irritação com a precariedade dos serviços oferecidos e a atenção dada pela instituição até a decepção com os professores, vistos como pouco motivados ou incapazes de ensinar.

Aliada à decepção está a falta de integração do estudante ao novo ambiente. Maria Beatriz explica que isso ocorre em várias vertentes: o estudante precisa sentir-se confortável no acompanhamento dos estudos, na aceitação pelos colegas, enfim, no atendimento como um todo. É preciso haver compatibilidade entre o aluno e a instituição, pois, quando a integração é incompleta e o aluno não é capaz de atender às demandas dos sistemas acadêmicos e sociais da instituição, ele rompe seus laços, deixando-a, explica Maria Beatriz. Em poucas palavras, o aluno precisa se sentir “acolhido” para não evadir.

Ana Cristina lembra, ainda, que no ensino superior o aluno passa a ser tratado, da noite para o dia, como “adulto”, apto a decidir sobre tudo que diz respeito ao novo ambiente acadêmico. Para ela, uma forma de combate à evasão é dispensar atenção às necessidades do aluno, especialmente no primeiro semestre, para mitigar o impacto da mudança de tratamento que estava acostumado a receber no ensino médio. “Ele precisa elaborar projetos de pesquisa, apresentar seminários, organizar suas atividades complementares e de estágio, dentre outros aspectos. Para muitos pode ser assustador”, diz Ana Cristina.

De acordo com os consultores, é essencial que a instituição tenha um setor responsável pelo combate à evasão. “Precisa haver um programa, com metodologia científica, que faça estatísticas que identifiquem os índices de evasão de cada curso, suas causas e proponha soluções”, diz Maria Beatriz.

Autor: Patrícia Pereira
Fonte: Revista “Ensino Superior”

PEREIRA, Patrícia. O fantasma da evasão. Ensino Superior, São Paulo, v. 16, n. 184, p.36-39, fev. 2014.

Escolas e universidades escapam da crise com inovação e gestão

 
A rápida expansão do ensino superior privado levou a um volume recorde de investimentos em fusões e aquisições em 2014. Agora,  grupos educacionais  se adaptam à nova realidade econômica e à diminuição de concessões via Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que teve queda de 57% no número de novos contratos.

Conglomerados que abriram seu capital continuam a reportar números positivos, mas a busca de alternativas como o financiamento privado para os alunos dá o tom. Outro caminho é o ensino à distância, mais barato.

Enquanto isso, escolas públicas mostram que a aposta em gestão, que não necessariamente está ligada a grandes investimentos, pode levar a ótimos resultados nos exames nacionais  de avaliação, mesmo em comunidades de baixa renda. Levantamento exclusivo feito pela Folha mapeou essas ilhas de excelência.

Dos 10 melhores colégios públicos de grande porte no país que atendem alunos de baixa renda, 7 estão em Sobral  (CE). Entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, Joinville  tem os melhores resultados em alfabetização. E Itápolis (SP) e o Estado de Goiás mostram os efeitos do planejamento.

Fonte: Folha de São Paulo

DESCONHECIDO. Escolas e universidades escapam da crise com novação e gestão. 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1704926-escolas-e-universidades-escapam-da-crise-com-inovacao-e- gestao.shtml>. Acesso em: 21 dez. 2015.

 

Empresário sabe mais de gestão do que o educador, diz secretária de Goiás

 

Um novo formato de gestão escolar será testado ano que vem em Goiás: o governo estadual decidiu chamar OSs (Organizações Sociais privadas) para atuar na gestão de colégios públicos.

As organizações receberão recurso estatal para fazer gestão administrativa (como compra de materiais e manutenção predial), contratar docentes (do grupo que hoje é temporário, 30% da rede) e monitorar se os alunos baterão metas de aprendizagem.

A secretária de Educação do governo Marconi Perillo (PSDB-GO), Raquel Teixeira, afirma que a ideia é melhorar a gestão dos colégios e deixar os diretores concentrados em questões pedagógicas. “Eles [empresários] estudaram economia, administração de empresas. Entendem mais de administração do que nós, educadores”, disse.

Raquel diz que, apesar de Goiás ter a melhor rede estadual do país no ensino médio, a qualidade é baixa (9% dos alunos têm conhecimento adequado em matemática, segundo tabulação da ONG Todos pela Educação).

Modelo semelhante está em curso nos EUA, as “charter schools”, em que instituições privadas utilizam recursos públicos para administrar escolas. Estudos não apontam vantagem clara de desempenho para o grupo.

A seguir, trechos da entrevista, em que a secretária explica a iniciativa, tida como projeto-piloto, a ser aplicada em cerca de 15% dos colégios da rede estadual goiana.

FolhaQuais são os ganhos esperados?
Raquel Teixeira – Somos um dos melhores sistemas do Brasil, mas temos consciência das fragilidades. Chamamos organizações com experiência em gestão para que a prática dentro da escola tenha o aluno como foco.
As OSs terão de assinar contrato com metas claras para proficiência, equidade, administração e de infraestrutura. As metas de proficiência são ousadas [ainda não divulgadas], mas não utópicas, para não desestimular as escolas.

E se a OS não bater a meta?
Chamamos outra.

Por que a OS conseguiria atingir o objetivo, e a atual estrutura, não?
Você vai ter uma pessoa com olhar na escola.

Os diretores não têm esse olhar? Os que atuam hoje continuarão?
Eles serão os mesmos e terão mais tempo para focar no pedagógico. Há pouco cheguei numa escola em que o diretor estava consertando a descarga do banheiro. Ótimo que tenhamos diretores proativos, mas nem todos são assim, e, se o diretor não precisar se preocupar com o vaso sanitário, ele poderá se concentrar mais nas aulas.

As OSs poderão contratar professores?
Para os efetivos, que são 70% da rede, não muda nada. Para os 30% de temporários, muda bastante. Devido à legislação estadual, eles não têm direitos trabalhistas. As OSs vão contratá-los pela CLT. Mas antes vão fazer seleção aberta, qualquer um poderá se candidatar.

Por que não fazer concurso público?
É decisão do governador. É um piloto para observarmos a diferença de desempenho entre grupos, entre escolas.

Escola com OS vai receber mais recursos?
Tem escolas que receberão mais do que neste ano. Vamos gastar o mesmo no sistema como um todo, mas com uma distribuição mais justa.

Mas se o bolo se mantém, e algumas escolas receberão mais, outras terão menos?
Algumas escolas estão sendo integradas [fechadas]. As OSs poderão também ter ganho nas compras, pois comprarão em escala.

Mas se as escolas atuais recebessem mais recursos, não poderiam também atingir melhores resultados?
É o que queremos observar. Veremos se a OS, com sua agilidade, pode ter resultado melhor. Fui secretária de Educação em 1999. Desde então, aumentaram os recursos para a educação e os salários dos professores, a gestão democrática. Não foi suficiente para melhorar o ensino. Com as OSs queremos entrar na própria gestão da escola.
Não temos tempo a perder. Quase 52% da população ainda tem entre 5 e 29 anos, mas o percentual diminui. É a nossa última janela de oportunidade de investir nessa população que estará em idade produtiva nos próximos anos. Às vezes há o entendimento de que estamos chamando empresário para privatizar a educação. Nada mais longe da verdade. Empresário pode ficar rico. Mas ele tem lado humano, filantrópico, social, quer ajudar. Eles estudaram economia, administração. Entendem mais de administração do que nós, educadores.

Parte da academia diz que esse modelo é privatista.
Privatizar é pegar bem estatal e passar para entidade privada. Não estou passando escola para entidade privada, perdendo controle e permitindo lucro de uma empresa. Toda a orientação pedagógica é da Secretaria de Educação, o livro será o mesmo.

Autor: Rodrigo Takahashi
Fonte: Folha de São Paulo

TAKAHASHI, Rodrigo. Empresário sabe mais de gestão do que o educador, diz secretária de Goiás. 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/12/1716663-empresario-sabe-mais-de-gestao-do-que-o-educador-diz-secretaria-de-goias.shtml>. Acesso em: 15 dez. 2015.

“Brasil está desmoralizando a educação”, afirma pesquisador

 

Para o pesquisador Ricardo Paes de Barros, especialista em políticas públicas e desigualdade, o “Brasil está desmoralizando a educação”. Em sua opinião, é preciso atribuir novo significado à educação se o país de fato deseja avançar. As afirmações foram feitas na tarde da terça-feira (10), durante o evento de lançamento da Falconi Educação braço da Falconi Consultores de Resultado, consultoria de Vicente Falconi, voltado exclusivamente para projetos de instituições públicas e privadas do setor. Além de Paes de Barros e Falconi, também participaram do debate os especialistas em educação Claudio Moura Castro e Ricardo Henriques, sob mediação da jornalista Miriam Leitão. ““O que você faz de gerenciamento, fica para o futuro, estou certo disso. Infelizmente, não acredito que educação seja prioridade nacional. Iniciativas lá de cima não virão””, observou Falconi.

Claudio Moura Castro questionou a superficialidade do currículo escolar no país: “”É um tsunami de materiais. Seria preciso ensinar menos coisas em maior profundidade. Você só gosta do que entende. Na escola, tudo que aparece não dá nem tempo de o aluno gostar””, avaliou. Em suas intervenções, Ricardo Henriques destacou a necessidade de interpretar e sistematizar boas práticas vistas pelo país. “Há uma cultura de regulação muito precária.” Ainda segundo Henriques, uma organização padronizada da educação nacional tem o potencial de enfrentar desigualdades entre escolas e dentro das salas de aula de cada instituição.

A ideia da Falconi Educação é aplicar ao setor conceitos como as soluções de gestão para resultados, gestão financeira, desenvolvimento de programas de formação de profissionais em educação, estruturação de programas de incentivo, construção e revisão de marcos legais. Também estão previstos modelos de parcerias com a iniciativa privada e organizações não governamentais, além da elaboração de programas de comunicação. O líder dessa nova área é Wilson Risolia, ex-secretário de educação do Rio de Janeiro. Durante sua gestão, o Estado teve avanços significativos na avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). (FOLHAPRESS) 

 

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/655141/brasil-esta-desmoralizando-a-educacao-afirma-pesquisador

Movimento incentiva professores a atuarem na criação da Base Nacional

 

Como uma forma de incentivar a participação de professores de todo o Brasil na construção do texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Movimento pela BNCC lançou uma campanha com conteúdos e informações destinados especialmente a educadores e demais interessados no debate. A ideia é incentivar o acesso ao texto preliminar da Base e receber comentários sobre a redação da mesma.

Até o dia 15 de dezembro, o documento estará disponível no site do Ministério da Educação (MEC). Qualquer pessoa, escola ou instituição pode acessar o portal, que oferece um conteúdo especial de “preparação para a discussão”, com cinco itens: o que é a Base Nacional Comum, suas propostas curriculares no país, biblioteca (com os documentos que resultaram de discussões sobre o direito a educação), últimas notícias e um vídeo de apresentação.

No site do Movimento pela Base Nacional Comum Curricular estão disponíveis materiais produzidos especialmente para professores e gestores, de modo a nortear como o assunto é abordado e debatido nas escolas. Na parte “Kit de mobilização”, o educador encontra apresentações, banners e vídeos que explicam a Base, qual é a sua importância para a educação e por que é importante participar da consulta pública. Entre os guias disponíveis estão materiais para apresentar a Base para seus coordenadores, diretores e técnicos; o que a sua secretaria pode fazer para mobilizar todos da rede; como a escola pode organizar leituras críticas da Base; um guia para fazer uma leitura crítica da Base, entre outros.

Para adicionar a contribuição, é necessário que o interessado faça um cadastro simples, informando nome, CPF, email, telefone e a sua ocupação (estudante, professor, responsável por Estudante da educação básica ou outro). Depois de cortar, acrescentar e comentar, basta enviar a proposta ao MEC.

Lançada no dia 16 de setembro, a primeira versão do texto da Base Nacional Comum Curricular tem como proposta apontar o que qualquer estudante, desde a educação infantil até o último ano do ensino médio tem o direito de aprender durante os anos da Educação Básica. Sendo uma das metas do Plano Nacional de Educação, a ideia é reunir em um único documento medidas e critérios que promovam qualidade e equidade na educação.

Sobre o Movimento

O Movimento pela Base Nacional Comum Curricular é formado por um grupo de pessoas e organizações que se reúne desde 2013. Seu objetivo é acelerar o processo de construção da Base e facilitar esse caminho a partir da divulgação de pesquisas e do estabelecimento de contato com professores, gestores, líderes da sociedade civil e todos os interessados na elaboração de um currículo nacional para o ensino brasileiro.

 

Fonte: EBC (http://www.ebc.com.br/educacao/2015/11/movimento-incentiva-professores-atuarem-na-criacao-da-base-nacional)

A Grande Heresia do Simples

 

Em seu livro Tristes Trópicos, Lévi-Strauss descreve os seus colegas brasileiros: “Qualquer que fosse o campo do saber, só a teoria mais recente merecia ser considerada. (…) Nunca liam as obras originais e mostravam um entusiasmo permanente pelos novos pratos. (…) Partilhar uma teoria conhecida era o mesmo que usar um vestido pela segunda vez, corria-se o risco de um vexame”.

Cultivamos essa paixão pelas navegações intergalácticas e pelo modismo. Assim, acaba tudo muito complicado, inclusive na educação. Ouso arrostar a cultura nacional. Cometo a Grande Heresia do Simples: tento demonstrar que a educação brasileira precisa de um “feijão com arroz” benfeito, nada mirabolante, nada nos espaços siderais. Vejamos a receita que deu certo alhures.

A escola precisa de metas. E que sejam poucas, claras, estáveis e compartilhadas. Se cada um rema para o seu lado, o barco fica à deriva.

A escola tem a cara do diretor, o principal responsável pela criação de um ambiente estimulante e produtivo. Daí o extremo cuidado na sua escolha. Eleição por professores não será pior que indicação política? E, uma vez escolhido, o diretor precisa de autonomia, de par com cobrança firme do que for combinado.

Boa gestão é essencial. Nem empresas, nem paróquias, nem escolas se administram sem dominar os princípios e técnicas apropriados. Ademais, as secretarias não devem atrapalhar, criando burocracias infinitas.

O professor tem de dominar o assunto que vai ensinar e saber como dar aula. Infelizmente, as faculdades de educação acham isso irrelevante.

Prêmios e penalidades. De alguma forma, o bom desempenho do professor deve ser recompensado. E, se falhar, que venham os puxões de orelha. Por que a atividade mais crítica para o futuro do país é uma das poucas em que prevalece a impunidade.

Ensinou a teoria ou o princípio? Então, que sejam aplicados em problemas práticos e realistas. Diz a ciência cognitiva que sem aplicar não se aprende. Nova idéia? Então mostre sua conexão com alguma coisa que o aluno já sabe. Isso se chama “contextualizar”. Pelo menos, que não se ensine nada sem mostrar para que serve. Se o professor não sabe, como pode suceder na matemática, é melhor não ensinar. É preciso ensinar menos, para os alunos aprenderem mais. O tsunami curricular impede que se aprenda o que quer que seja. Ouve-se falar de tudo, mas não se domina nada. E como só gostamos do que entendemos, no ritmo vertiginoso em que disparam os assuntos, não é possível gostar e, portanto, aprender o que quer que seja.

Valores e cidadania se aprendem na escola, tanto quanto a matéria ensinada. Só que não no currículo ou em sermões, mas na forma pela qual a escola funciona. Escola tolerante e justa ensina essas virtudes. Aprende-se pelo exemplo da própria escola e dos professores. Tão simples quanto isso. Com bagunça na aula não se aprende. Foi o que disseram os próprios alunos, em uma pesquisa do Instituto Positivo (confirmada por outros estudos). A escola precisa enfrentar com firmeza a assombração da indisciplina.

Sem avaliação, a escola faz voo cego. Nossos sistemas de avaliação são excelentes. Mas ainda são pouco usados, seja pelos professores, pela escola ou pelas secretarias. É pena.

A tecnologia pode ajudar, não há boas razões para desdenhá-la. Mostra o Pisa: na mão dos alunos, produz bons resultados. Mas não é uma ferramenta para alavancar mudanças. Escola travada não vai mudar com computadores, tablets ou smartphones. Pior, dentro da escola, escoam-se décadas e ela continua um elefante branco, incapaz de promover avanços na qualidade. E aos pais cabe vigiar. Conforme o caso, apoiando ou cobrando.

O currículo é ler com fluência, entender o lido, escrever corretamente, usar regra de três, calcular áreas, volumes e um juro simples, ler gráficos e tabelas… Só depois de dominado isso podemos ir para as guerras púnicas, derivadas e integrais, reis da França, afluentes do Amazonas e a infinidade de bichinhos do livro de biologia.

Onde está a complicação? Fazer bem o “feijão com arroz” seria uma revolução no nosso ensino. Mas, para muitos, o simples é a Grande Heresia.

Autor: Claudio de Moura Castro – Economista

Fonte: Revista Veja – Edição 2448

Resultados de avaliação orientam país sobre pedagogias mais apropriadas para evoluir

 

Com os dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgados no dia 17 de Setembro, o Ministério da Educação tem um retrato dos problemas e sua localização para poder agir, em conjunto com as redes municipais de ensino. “Esses dados, uma vez entregues a cada rede de educação e a cada escola, vão indicar muito bem aos responsáveis onde deve ser a intervenção pedagógica principal”, afirmou o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, em entrevista coletiva, à tarde, para apresentar os resultados da aferição. “É por isso que a avaliação não é tanto um ranking, não é uma ocasião de punição, é uma orientação.”

Foram avaliados pela ANA, em novembro do ano passado, 2.456.132 estudantes do terceiro ano do ensino fundamental. O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Chico Soares, destacou que, na escola, o foco deve ser o aprendizado dos alunos. Os dados da ANA, segundo ele, oferecem um importante referencial. “Esse é um dado de avaliação que pode impactar o concreto da sala de aula”, disse. “Na educação, o que interessa é o aprendizado — você pode ser melhor do que eu, desde que nós dois aprendamos.”

A ANA de 2014 indica a necessidade de o país evoluir nos índices de alfabetização dos mais de 20% dos estudantes que estão no nível 1 (alunos provavelmente capazes de ler palavras com estrutura silábica canônica, não canônica e ainda que alternem sílabas canônicas e não canônicas) em leitura e matemática e dos 35% que ainda não conseguem escrever textos. Os dados da avaliação confirmam a influência de fatores alheios à escola no processo de ensino-aprendizagem, principalmente a desigualdade social.

Painel — A divulgação do resultado da ANA marcou o lançamento do Painel Educacional do Inep, por meio do qual todas as avaliações da educação básica realizadas pelo instituto conterão informações consolidadas sobre o cenário educacional nos estados, nos municípios e nas próprias escolas. Dentre outros, há indicadores sobre o nível socioeconômico, a complexidade da gestão escolar, esforço e formação docente. O painel contém ainda dados do Censo Escolar, tais como estatísticas de matrícula, taxas de aprovação, reprovação e abandono. E também apresenta os resultados da primeira edição da ANA, realizada em 2013 para formar uma linha de base capaz de permitir análises posteriores.

Participação — A ANA é realizada nas escolas públicas que tenham, matriculados, estudantes no terceiro ano do ensino fundamental. Em 2013, 55.836 escolas participaram da avaliação. Em 2014, foram 49.791. A avaliação integra o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, compromisso firmado pelos governos federal, estaduais e do Distrito Federal e administrações municipais. A meta central é assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas aos oito anos de idade até o fim do terceiro ano do ensino fundamental.

 

Fonte: INEP (http://portal.inep.gov.br/todas-noticias?p_p_auth=vC8zP0qe&p_p_id=56_INSTANCE_d9Q0&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=2&p_p_col_count=3&_56_INSTANCE_d9Q0_groupId=10157&p_r_p_564233524_articleId=154060&p_r_p_564233524_id=157350)

O que os professores fazem

Ele diz que a grande questão é:
O que um aluno vai aprender com alguém
cuja melhor opção na vida foi ser professor?
Ele comenta com os convidados do jantar que é verdade
o que dizem sobre os professores:
Quem sabe faz; quem não sabe ensina.
Decido morder minha língua – em vez da dele -
e resistir à tentação de comentar com os convidados
que também é verdade o que dizem sobre os advogados.
Afinal, estamos jantando e temos que conversar educadamente.
Então, Taylor, você é professor.
Seja honesto, não deve fazer lá muito dinheiro.
Quanto você ganha?
Gostaria que ele não tivesse feito isso -
me pedido que eu fosse honesto -
porque eu tenho uma regra
sobre honestidade e passa-foras:
Se pediu, vai levar.
Você quer saber quanto eu ganho ou o que eu faço?
Eu faço os alunos trabalharem mais duro do que eles imaginavam
ser possível.
Eu faço uma nota 5 parecer uma medalha de honra
e um 9 ser um tapa na cara.
Como ousa me fazer perder tempo com um trabalho inferior ao seu
potencial máximo?
Eu faço crianças ficarem sentadas por mais de 40 minutos na sala
de aula em silêncio absoluto.
Não, vocês não podem trabalhar em grupo.
Não, você não pode fazer nenhuma pergunta agora.
Por que eu não deixo você ir ao banheiro?
Porque você está entediado.
E não precisa realmente ir ao banheiro, precisa?
Eu faço os pais tremerem de medo quando ligo para eles:
Oi. Aqui é o professor Mali. Espero não estar incomodando.
Só queria conversar sobre algo que seu filho disse hoje.
Diante do maior brutamontes da turma, ele defendeu um colega,
dizendo: “Deixe o garoto em paz. E daí que ele está chorando?
Eu ainda choro de vez em quando. Você não?”
E foi o ato mais nobre de coragem que já presenciei.
Eu faço os pais verem os filhos como eles realmente são
e o que poderão vir a ser.
Quer saber o que mais eu faço?
Eu faço os alunos imaginarem,
Questionarem.
Criticarem.
Eu os faço pedir desculpas sinceras.
Eu os faço escrever, escrever, escrever,
E depois ler.
Eu os faço soletrar
Ansioso, exceção, ansioso, exceção,
Até gravarem para sempre a grafia correta dessas palavras.
Eu faço os alunos demonstrarem todos os cálculos matemáticos
realizados
para chegar às respostas dos problemas.
E faço com que apresentem a redação final como se nunca tivessem
produzido um rascunho sequer.
Eu os faço entender que, se você tem um talento,
deve segui-lo.
E se alguém quiser julgá-lo pelo que você ganha, mostre
o que você faz.
Olhe, deixe-me explicar direitinho,
para você entender que estou dizendo a verdade:
Sabe o que os professores fazem?
Os professores fazem a diferença!
E você?
*
“Um Bom Professor Faz Toda a Diferença”
Autor: Taylor Mali
Editora: Sextante

Desafio é conseguir que os professores experimentem novos modos de trabalhar

 

Práticas envolvendo o lúdico, a interdisciplinaridade e a contextualização têm o potencial de melhorar a aprendizagem

 

“Professora, hoje não vai ter aula? É só brincadeira?” Perguntas como estas passaram a ser feitas por  alunos e pais desde o ano passado para professoras alfabetizadoras de Costa Rica (MS). Isso acontece graças às formações do Pnaic.

No pequeno município, que tem seis escolas na rede e 1.400 alunos de 1º a 3º ano, a adesão dos docentes ao Pacto foi de 100%, mas a mudança de postura frente à sala de aula ainda está em processo, conta Mara Silvia Barbosa, coordenadora do Pnaic na cidade. “Aceitar participar da formação foi tranquilo, mas a mudança de atitude por parte do professor levou cerca de um ano para começar”, afirmou. “No começo, essas perguntas incomodavam as professoras.”

Segundo Mara, as formações levaram os docentes a sair da zona de conforto, passar do papel de “dono da verdade” para mediador do aprendizado. “Leva um tempo para o convencimento de que aquela “bagunça” pode ser boa, de que com a brincadeira não se está perdendo tempo, mas ganhando”, disse. Para ela, contudo, mesmo que esse processo seja uma mudança ainda em curso, as crianças que estão hoje no primeiro ciclo do fundamental encontram uma alfabetização mais “humana” e adequada à idade do que os alunos que estavam na mesma série antes do Pacto.

Para Carolina dos Santos Vera e Silva, professora desde 2002 no município de Frei Miguelinho (PE), as formações foram boas para ela aprender a sistematizar o conhecimento do aluno e ter um olhar individual para cada um. “Sinto que eu ensinava, mas ficava sem amarrar. E, como a turma não é homogênea, tem níveis de conhecimento diferentes, preciso passar atividades diferentes. Não se pode dar uma aula única para todos, cada aluno tem sua necessidade”, afirmou.

As práticas de Carolina também passaram a ser mais interdisciplinares e contextualizadas. Ela montou, por exemplo, uma sequência didática de culinária, em que foram abordados conteúdos de ciências (alimentação saudável), matemática (gráficos e tabelas) e língua portuguesa (gênero textual: receita). A experiência foi tão produtiva que acabou integrando um livro de relatos da Universidade Federal de Pernambuco.

Práticas envolvendo o lúdico, a interdisciplinaridade e a contextualização não são exclusividade, porém, dos professores que participam do Pnaic. Professora há 20 anos, Clara Elena Jorquera trabalha atualmente na rede particular, no Colégio Ítaca, em São Paulo, e aproveita as vantagens de contar com uma escola bem equipada e com uma equipe que atua de forma integrada. “Gosto de chamar o professor de artes, de educação física, de música, para fazer um trabalho em conjunto. A gente parte da história de um livro e faz atividades em todas as áreas. Assim as crianças ficam muito envolvidas, dá resultado melhor do que algo fragmentado”, relata.

Fonte: Revista Educação - http://hom2.gerenciadordeconteudo.com.br/produtos/ESRE/textos/221/caminhos-possiveisdesafio-e-conseguir-que-os-professores-experimentem-novos-modos-363833-1.asp