Ensino

Educação de evidências

 

Há um adágio da física que assevera que só se conhece aquilo que se pode medir. Especialmente nas ciências humanas, essa ideia é vista com horror e espanto.

Não há necessidade de aguardar a suspensão desse debate epistemológico nem de posicionar-se a seu respeito para concluir que a mensuração de um fenômeno, mesmo não sendo essencial ao conhecimento, decerto o favorece.

É positivo, portanto, constatar que a preocupação em medir resultados tenha chegado ao campo da educação, paradoxalmente um dos que mais resistem a avaliações.

O Instituto Unibanco e secretarias estaduais de educação mantêm o projeto Jovem de Futuro. Ele oferece apoio a escolas públicas interessadas em melhorar a gestão educacional, adotando programas estruturados com foco no aluno.

O economista Ricardo Paes de Barros, do Insper, testou o Jovem de Futuro seguindo cânones do método científico e concluiu que, neste caso, o que parece óbvio não apenas funciona, isto é, resulta em maior aprendizado, como ainda o faz numa escala considerável.

Levar projetos educacionais à bancada do laboratório para medi-los com alguma precisão nem sempre é fácil, mas Paes de Barros e o Instituto Unibanco conseguiram.

De uma amostra de escolas interessadas em aderir ao programa, eles sortearam algumas para adotá-lo imediatamente e outras, o grupo de controle, para aguardar três anos antes de fato iniciá-lo. Assim, puderam realizar 141 experimentos de comparação entre escolas com perfil inicial semelhante e testar o impacto que a introdução do programa gerou.

Ao final do terceiro ano de teste, os estudantes que concluíram o ensino médio nas escolas que mudaram sua gestão obtiveram em média cinco pontos a mais nas provas do exame Saeb do que os dos colégios que ficaram no grupo de controle. A análise estatística apontou robustez nos resultados. A melhora de cinco pontos equivale a 80% do que o estudante brasileiro normalmente aprende num ano letivo —um ganho considerável.

Iniciativas para investigar com rigor o impacto de políticas educacionais precisam multiplicar-se. Não dá mais para autoridades e educadores implantarem políticas com base em meras opiniões e em teorias pedagógicas favoritas.

É preciso que suas decisões estejam amparadas em estudos científicos, num movimento análogo ao que a medicina realizou algumas décadas atrás, inaugurando a chamada medicina baseada em evidências –uma inovação que salvou incontáveis vidas.

Fonte: Folha de S. Paulo

Educação de evidências. 2016. Disponível em: folha de S. Paulo <http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2016/09/1810026-educacao-de-evidencias.shtml>. Acesso em: 15 set. 2016.

EaD deve superar preconceito e focar em qualidade, dizem especialistas

 

A educação a distância avançou nas últimas décadas, tanto em número de alunos quanto em eficiência. Mas ainda enfrenta problemas que podem comprometer a qualidade, conforme a avaliação de estudiosos.

Um desses problemas é a formação dos professores. Segundo Patrícia Behar, professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e referência em EaD, esses profissionais precisam ser mais bem treinados. “Eles ainda não sabem preparar o material, explorar as funcionalidades de educação a distância. Não conhecem as ferramentas.”

A professora ressalta, contudo, que os educadores já contam com uma “arquitetura pedagógica” mais organizada do que há alguns anos em relação à metodologia, ao conteúdo e às tecnologias. “Há planejamento. Antes, aprendiam à medida que faziam.”

É preciso manter os educadores atualizados em relação às novas tecnologias, afirma João Mattar, vice-presidente da ABT (Associação Brasileira de Tecnologia Educacional). “As ferramentas vão mudando, os professores vão ficando perdidos”, afirma ele.

A falta de estímulos, inclusive financeiros, para que professores adotem plataformas digitais de aprendizagem é outro problema apontado por Stavros Xanthopoylos, diretor da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).

“Como obrigar o professor a ter mais atividades? Deveriam incluir em sua carga horária a possibilidade de dar aulas a distância e criar incentivos pelo trabalho a mais”, diz, referindo-se às universidades federais.

EM CRESCIMENTO
Graduação a distância cresce mais que a presencial na última década

Gráfico

TUTORES

A desvalorização do tutor, profissional que cria conteúdos e funciona como um auxiliar de professor, é outro ponto negativo, na visão de estudiosos. O tutor acumula muitas tarefas e nem sempre consegue acompanhar os alunos de forma efetiva.

“Ele é generalista e mal remunerado. Tem que dar conta de muitas áreas de conhecimento, faz tutoria de várias disciplinas, e o número de alunos que atende é alto”, diz José Manuel Moran, professor aposentado da USP e especialista em novas tecnologias.

Para Moran, isso é reflexo de um modelo pedagógicoque supervaloriza os materiais e a transmissão de informação, em detrimento da participação ativa do aluno.

“A EaD reproduz um modelo que prega autonomia, é verdade, mas ainda está muito centrado em conteúdos. Eles devem ser parte, mas não essenciais”, afirma.

O professor defende um modelo com currículos mais seletivos, sem grade fixa, em que o aluno possa selecionar as matérias que deseja cursar de forma mais livre.

O modelo conteudista também é alvo de crítica por parte de Behar. “Devem ser explorados modelos mais construtivistas e abertos a distância, em que possamos construir conhecimento, e que a interação seja maior.”

PRECONCEITO

Outro grande obstáculo a ser superado é o preconceito contra essa modalidade de ensino. “Parece que o curso a distância é uma educação inferior. O grande desafio é superar o adjetivo ‘a distância’ e pensar em educação de modo geral. No fim das contas, o objetivo das duas modalidades é o mesmo,”, destaca Fernanda Campos, doutoranda em educação pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

No universo corporativo, a resistência a profissionais formados no ensino a distância cai ano a ano. Mas “falta uma maior conscientização do mercado de que o EaD é tão bom quanto o ensino presencial”, segundo Gerson Lachtermacher, que é professor da FGV/Rio.

O importante é estudar sempre, sem discriminação, conclui Xanthopoylos, da Abed: “O país precisa de gente estudada para dar uma guinada nos próximos anos.”

Autor: Júlia Zaremba
Fonte: Folha de S. Paulo

ZAREMBA, JÚlia. EaD deve superar preconceito e focar em qualidade, dizem especialistas. 2016. Folha de S. Paulo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/07/1796379-ead-deve-superar-preconceito-e-focar-em-qualidade-dizem-especialistas.shtml>. Acesso em: 18 ago. 2016.

 

 

 

 

Curso a distância: quando vale a pena apostar nesse formato?

Flexibilidade de horário, aprendizado no próprio ritmo e o fato de não precisar se deslocar ao local de estudo são alguns dos benefícios. Mas nem tudo é vantagem.

De um lado, a flexibilidade para adaptar o horário de estudo à agenda, aprendendo no seu ritmo, sem precisar perder tempo no trânsito, se locomover a outras cidades, nem deixar os filhos com alguém. De outro, a dificuldade em organizar e criar uma rotina de estudos, não ter feedbacks tão rápidos e lidar com a falta de contato humano e o preconceito do mercado de trabalho. Pesar essas duas realidades é essencial na hora de escolher entre um curso presencial ou aderir ao ensino a distância (EAD).

Se, à primeira vista, a segunda opção parece o paraíso para quem tem pouco tempo ou horários incomuns de trabalho, a realidade pode ser bem diferente: mesmo virtuais ou semipresenciais, cursos de graduação, pós e idiomas exigem tanta dedicação quanto os tradicionais – e nem sempre são mais baratos. É uma questão de definir qual se encaixa melhor à sua vida e ao seu perfil.

Descontente com sua carreira na área de gestão de RH, Tathyane Menezes da Silva, de 31 anos, alimentou durante um bom tempo o sonho de mudar de profissão. “Mas como já não tenho mais 18 anos, assumi uma série de outras responsabilidades, não queria mais ter de ir para a faculdade todos os dias”, conta. Ao pesquisar sobre cursos rápidos de Gastronomia, descobriu a possibilidade de fazer uma graduação a distância na área. “Li o portal da universidade do avesso antes de me decidir.” E não se arrepende da opção.

“São as mesmas matérias do presencial. Na parte prática, a gente tem a receita na apostila e o vídeo gravado. Só preciso replicar, tirando fotos do passo a passo”, explica ela. As imagens viram um álbum virtual, que servem para Tathyane ser orientada pelos professores quanto ao ponto correto, o corte e a temperatura.

A aluna da Universidade Anhembi Morumbi já fez dois estágios em confeitarias de renome em São Paulo e garante que não se sentiu discriminada por ser do EAD. “Não houve nenhuma diferença de tratamento. Para entrar, você faz o teste como todo mundo, o que importa é saber executar o que foi pedido.” E ela ainda conseguiu criar laços de colaboração e amizade com outros alunos da turma. “Tenho um grupo que se reúne no mínimo a cada duas semanas para fazermos juntos uma receita mais elaborada”, diz ela.

Como Tathyane, mais de 1,3 milhão de pessoas no Brasil escolheram cursar uma graduação a distância, segundo o último Censo da Educação Superior do MEC, de 2015. As metodologias podem variar bastante de acordo com o curso e a instituição de ensino, mas as graduações nunca são totalmente online. Por lei, elas têm de cumprir uma carga horária presencial de 20% do curso. Muitas vezes, esses encontros são aproveitados para fazer as avaliações.

Embora a maior parte das vagas seja oferecida por instituições particulares, há também opções públicas e gratuitas. Criada oficialmente em 2012, a Univesp é uma universidade só de ensino a distância. Neste ano, o segundo de operação efetiva, foram abertas 4 mil vagas em cursos de engenharia e licenciatura. Os encontros presenciais da Univesp são quinzenais, em 45 polos distribuídos pelo Estado de São Paulo.

Aqueles que optam por uma graduação, ainda que virtual, devem estar dispostos a se dedicar, diz Waldomiro Loyolla, diretor acadêmico da instituição. “Quem entra achando que será moleza, abandona rapidinho. Na Univesp, temos um controle muito mais justo que no presencial. Se o aluno escorregou em uma atividade, o mediador já vai para cima dele”, afirma. O acompanhamento do desempenho é semanal, enquanto na maioria dos cursos presenciais os professores fazem avaliações bimestrais. Há um mediador ou tutor, como são comumente chamados, para cada 18 estudantes.

Segundo Loyolla, os currículos dos cursos são trabalhados com base em problemas e projetos, uma forma mais motivadora do que um curso com metodologia “cuspe e giz”, pois o aluno se torna protagonista do próprio aprendizado. “Eles ganham mais maturidade.”

Autonomia. Os mediadores têm papel fundamental na adesão dos alunos em cursos de longa duração, ainda que sejam de especialização, extensão ou aprimoramento profissional. Mesmo quando as aulas são 100% virtuais, a interlocução com outra pessoa pode fazer a diferença entre o sucesso e a desistência, acredita Ivaneide Dantas, professora do instituto Singularidades. Para diminuir a perda de alunos ao longo de um curso no formato Mooc (curso online massivo), o instituto pôs tutores nos bastidores, o que normalmente não ocorre neste modelo.

“O tutor tem o papel de provocar, mas com acolhimento. Quando vê que um aluno está ausente, fazendo poucas trocas, deve chamá-lo a se conectar, mas com sensibilidade”, diz Ivaneide. Assim como há alunos tímidos que têm medo de falar e perguntar em uma aula presencial e, por isso, podem ter vantagens ao optar pelo EAD, outros têm dificuldade em se comunicar por escrito.

Com ou sem tutor, o EAD exige mais autonomia por parte do estudante – algo que, na prática, é positivo, sobretudo em uma pós-graduação, pois garante que ele ganhará habilidades para além do conteúdo do curso. “O volume de trabalho vai ser grande como no presencial, mas no EAD o aluno é o responsável pela gestão do próprio tempo”, afirma Tatsuo Iwata Neto, pró-reitor de Pós-Graduação Lato Sensu da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), que oferece MBAs a distância.

Para quem se preocupa com a aceitação no mercado de trabalho, Neto reconhece que ainda existe um pouco de preconceito, mas que vem caindo ano a ano. “Há cursos muito ruins no presencial e a distância. Mas, se você procura uma boa instituição, o certificado será reconhecido.” Em geral, as pós-graduações em EAD costumam ter uma receptividade muito boa.

Cursos livres. As ofertas de ensino a distância se multiplicam quando se trata de cursos livres, com ou sem certificado. Dá para aprender pela internet sobre higienização de banheiros, como importar da China, fazer unhas decoradas e até trocar fraldas. Muito antes da internet, esse tipo de aprendizado já fazia sucesso. “O Senac atua no EAD desde 1948. Discos de vinil eram distribuídos às rádios locais, que colocavam o conteúdo no ar”, diz Anderson Malgueiro, diretor do Senac EAD.

A instituição oferece dezenas de cursos livres, com duração e objetivos variados. “Temos os instrumentais, como os de idioma, com duração de 4 a 12 meses. Há os de capacitação, que formam para uma profissão, como vendedor e recepcionista”, exemplifica. Mesmo em cursos com perfil prático, Malgueiro garante que o ensino virtual é eficiente. “As práticas estão relacionadas a saberes, a técnicas. Alguns têm simuladores, em outros a prática será feita em seu entorno.”

DEPOIMENTOS

‘Faltou comunicação com colegas’
Aline Claudino, 26 anos, estudante de Pedagogia.
Contra. Aline sentiu falta de rotina e de contato olho no olho.

“Eu queria fazer Pedagogia na modalidade presencial, no período noturno. Poucos dias antes das aulas, porém, a instituição avisou que não tinha formado turma e eu teria de fazer no matutino. Só que já tinha conseguido um estágio durante o dia. Para não perder nenhum dos dois, acabei optando por fazer a distância. Fiz um ano, mas não gostei e fui para o presencial. 

Acho o EAD uma experiência válida, mas como graduação me pareceu distante de preparar o aluno para a profissão. Também tive dificuldade para criar uma rotina de estudos. Levei mais de três meses para me organizar. Conseguir estudar três horas sem interrupção dentro de casa é bem difícil, porque você tem muita interferência das pessoas e dos barulhos.

O conteúdo do curso até era bacana, mas faltou comunicação com alunos e docentes. Quando eram marcados encontros virtuais, ou fóruns online, tudo corria bem. Porém, várias vezes tentei falar com professor e não foi fácil. O atendimento por e-mail ou pela ferramenta do curso era demorado e isso era desmotivador.

A turma se encontrava só para fazer provas. Fiquei com a impressão de que, de forma geral, as pessoas se envolvem menos nos estudos. Quando tinha trabalho em grupo, eu ia atrás delas, marcava conferência online, mas ninguém participava. Cada um queria entregar sua parte, sem discutir nem se aprofundar. Não que isso não aconteça no presencial, mas no EAD, por não ter um professor ou colega cobrando, olho no olho, facilita para quem não quer levar a sério.

Agora, no presencial, sinto que há um contato mais humano. Na sala, você vê no rosto da pessoa o entusiasmo, a experiência é outra.” 

‘Mudou a minha forma de trabalho’
Dino Gueno, 32 anos, gerente de marketing.
A favor. Gueno gostou da extensão do curso e das respostas rápidas

“Trabalho em São Paulo, mas minha casa fica em Cuiabá: passo a semana em uma cidade, o fim de semana em outra. E ainda viajo muito a trabalho. Para mim, não havia outra maneira de fazer MBA. Já tinha feito cursos de férias na ESPM e, quando soube que abririam um MBA a distância, me inscrevi imediatamente. Mas tive receio de não ter disciplina suficiente, de não conseguir organizar a rotina. Também já tive preconceito com os cursos a distância, pois tinha a impressão de que entregava menos que o presencial. Mas logo percebemos – minha turma e eu – que o conteúdo é tão extenso ou mais do que o presencial. 

Não foi fácil me organizar. Viajo muito, tenho horários puxados. Reservo duas horas duas vezes por semana e, aos fins de semana, dedico mais duas horas ao curso. Tem entrega de trabalhos semanalmente, leituras, não posso deixar acumular. Se fico uma semana fora do curso, depois preciso passar o domingo para pôr tudo em dia.

Meu curso tem uma ferramenta em que você pode ver a aula em videoconferência ou gravada. Já falei com professor por e-mail e por um sistema da própria ferramenta. Todos os docentes me responderam rápido e, se percebem que muita gente não acompanhou, dão uma aula a mais ou colocam material extra.

O EAD é tão funcional que comecei até a enxergar um outro mercado para minhas palestras. A experiência está mudando a forma como trabalho e pretendo fazer outros cursos a distância. Sei que em um curso presencial há um processo de convivência muito legal. Mas gosto de ambas as formas: uma coisa não anula a outra. E dá para fazer networking no EAD, embora seja mais difícil.” 

Autor: Luciana Alvarez
Fonte: ”Estadão”

ALVAREZ, Luciana. Curso a distância: quando vale a pena apostar nesse formato? 2016. Disponível em: <http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,curso-a-distancia-quando-vale-a-pena-apostar-nesse-formato-entenda,10000063620>. Acesso em: 19 jul. 2016.

 

Coordenador pedagógico: o que fazer e o que não fazer

Veja quais atribuições o coordenador pedagógico precisa encarar como prioridade e quais ele não deve.

O que fazer

Garantir a realização semanal do horário de trabalho pedagógico coletivo
78% afirmam reunir-se periodicamente com todos os professores, porém só isso não basta. É preciso ter tempo para planejar e tornar mais produtivos esses momentos.

Organizar encontros de docentes por área e por série
Só 27% declaram reunir os professores por disciplina, para tratar de conteúdos específicos, e 31% por ano, para conversar sobre as turmas.

Dar atendimento individual aos professores
Apenas 19% discutem com cada docente da equipe e sugerem novas estratégias de ensino, após observar as práticas pedagógicas em sala de aula.

Fornecer base teórica para nortear a reflexão sobre as práticas
Não mais de 31% apontam o preparo dos docentes como um dos principais problemas da coordenação pedagógica.

Conhecer o desempenho da escola em avaliações externas
47% dos entrevistados citaram um número que está fora da escala do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), embora a maioria afirme saber o resultado da escola. Mais do que ter o número, é essencial usá-lo para guiar o planejamento em equipe.

O que não fazer

Conferir se as classes estão organizadas e limpas antes das aulas
55% dos coordenadores realizam essa tarefa e 90% a avaliam como adequada à sua função, que pode ser delegada a um funcionário de serviços gerais.

Fiscalizar a entrada e a saída de alunos
72% dos entrevistados têm essa atividade na rotina e 91% a consideram apropriada, mas o controle deve ser responsabilidade de um funcionário treinado para a função.

Visitar empresas do entorno para fechar parcerias
54% gostariam de ter mais tempo para isso, mas o papel de relações-públicas é do diretor.

Substituir professores que faltam
19% dos entrevistados fazem isso uma ou algumas vezes por semana. Sua função, porém, é ajudar a direção a montar, com os docentes, um banco de atividades e uma lista de substitutos para resolver esse tipo de emergência.

Cuidar de questões administrativas, financeiras e burocracias em geral
22% acreditam que isso é seu papel, embora os especialistas garantam que a parceria com o diretor deve se restringir aos assuntos pedagógicos.  

Fonte: Gestão Escolar

DESCONHECIDO. Coordenador pedagógico: o que fazer e o que não fazer. 2011. Disponível em: <http://gestaoescolar.abril.com.br/formacao/coordenador-pedagogico-fazer-nao-fazer-629882.shtml>. Acesso em: 20 maio 2016.

Educação: o desafio da qualidade

O Brasil gasta 6% do PIB com educação, contra a média de 5,3% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e 4,7% dos EUA, 4,3% do Chile e 3,1% de Singapura, que são referências na área. Por outro lado, os alunos brasileiros continuam tirando notas baixas nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), principal avaliação internacional de estudantes. Diversos estudos já indicaram que países com bom desempenho no Pisa, ao longo dos anos, têm maior crescimento econômico. Neste caso, educação melhor significa mão de obra mais qualificada e maior produtividade do trabalho.

Recentemente, a ONU e a UNESCO realizaram o Fórum Mundial de Educação na Coreia do Sul, onde foram definidas as metas para 2030, focadas em anos de escolaridade. Eric Hanushek, especialista de Stanford, lamenta que mais uma vez o foco tenha sido a quantidade e não a qualidade da educação. Mais importante do que os anos de estudo, é verificar o que os alunos realmente aprendem nesses anos. Em muitos países da América Latina, diz o especialista, as pessoas vão à escola, mas não aprendem muito e isso afeta diretamente o crescimento econômico. O desempenho dos estudantes, afirma Hanushek, depende mais de como se gastam os recursos, do que o quanto se gasta. A qualidade dos professores, por exemplo, é fundamental e deve ser avaliada regularmente: desempenho em sala de aula por avaliador externo e a evolução dos alunos devem nortear a remuneração, a necessidade de treinamento e até o eventual desligamento do professor. É a política de consequências.

Como diz Bárbara Bruns, economista do Banco Mundial, “quando estudantes ruins em matemática se tornam professores, a falta de preparo é transmitida às gerações seguintes de alunos como uma doença”. Filtrar o acesso ao magistério através de exame de competência nacional bem planejado, gastar com treinamentos que funcionem e recompensar os bons professores são passos fundamentais. As regiões da Ásia com melhor resultado na educação, como Coreia do Sul, Xangai e Singapura, segundo a economista, recompensam os professores eficientes com promoções, aumentos salariais e oportunidades de desenvolvimento profissional. Mas é fundamental que haja um bom sistema de avaliação do desempenho, a partir da definição clara do padrão de educação que deve ser alcançado e como base da política de consequências. Vários países, também na América Latina, vêm avançando nessa direção.

O sistema Docentemás, do Chile, é referência e mostra que bons professores têm alunos que aprendem mais. O percentual daqueles considerados competentes e excelentes subiu de 60%, em 2005, para 77%, em 2012, e os insatisfatórios recuaram de 3% para apenas 1%. Nos Estados Unidos, o sistema Impact, implantado em 2009, é outro bom exemplo. No Brasil, o Plano Nacional de Educação passa ao largo dessas práticas, em grande parte por pressão de grupos de interesse nas escolas e sindicatos. O máximo que temos conseguido avançar é premiar o desempenho de escolas e não de professores.

Estudo do Banco Mundial mostra que, enquanto nos países da OCDE os professores conseguem transmitir conteúdo durante 85% da aula, no Brasil, esse número cai para 64%. Pior é o tempo em que os alunos realmente prestam atenção: 80% na OCDE e 23% no Brasil. Precisamos criar um currículo nacional — a partir dos mais de 2.000 atuais — e reformular os cursos de pedagogia e licenciatura, que possuem teoria demais e didática de menos, a partir dos modelos da Finlândia e do Chile, por exemplo. Certamente não queremos continuar com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas públicas estacionado na nota 3,4 (de zero a dez) para o ensino médio, como vem ocorrendo desde 2009. O que significa que o aluno típico não consegue resolver uma equação de primeiro grau elementar.

Devemos também rever o conceito da universidade pública gratuita, que atende a uma maioria de alunos em condições de pagar os seus estudos. A oferta de bolsas nestas escolas para alunos carentes, a serem ressarcidas no futuro com parte dos salários, é prática corrente em países mais avançados na área da educação. No Brasil, o benefício poderia avançar além do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que financia cursos superiores não gratuitos e com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Um passo acanhado, considerado o panorama educacional no país, mas importante para que a população possa enfrentar os desafios do desenvolvimento.

Por Carlos Schneider

 

FONTE: http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/educacao-o-desafio-da-qualidade/93583/

Educação no Brasil melhora, mas país continua entre os piores do mundo

 

Saiu novo relatório internacional sobre o rendimento escolar no mundo. O Brasil melhorou o desempenho, mas ainda está entre os 10 piores países.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), o Brasil aparece entre os 10 países que têm mais alunos com baixo rendimento escolar em matemática, leitura e ciências. Na América Latina, além do Brasil, Peru, Colômbia e Argentina também tiveram resultados ruins.

A Ocde avaliou 64 países. Nos países pesquisados, 4,5 milhões de estudantes até 15 anos de idade não atingiram o nível básico de aprendizado. Isso equivale a um em cada quatro estudantes. O Peru e a Indonésia são os países com maior porcentagem de estudantes neste quesito.

Uma boa notícia em relação ao Brasil é que o país conseguiu reduzir a quantidade de estudantes com baixo rendimento no período entre 2003 a 2012.

Os orientais, como de costume, conseguiram os melhores resultados. China, Cingapura e Coréia do Sul estão no topo da lista , com as melhores notas.

FONTE: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/02/educacao-no-brasil-melhora-mas-pais-continua-entre-os-piores-do-mundo.html

Foco nos diretores

 

MEC anunciou a criação de um polêmico programa de valorização dos diretores de escolas de Educação Básica

Em seu curto mandato, o então ministro da Educação Cid Gomes anunciou a criação de um polêmico programa de valorização dos diretores de escolas de Educação Básica. A polêmica residia na concessão de uma bonificação mensal àqueles que fizessem um curso de qualificação e melhorassem a gestão da escola em termos financeiros, administrativos e pedagógicos. A política ignorava os demais aspectos que interferem no aprendizado escolar. Dez meses depois, o MEC voltou ao tema, mas, dessa vez, sem falar em bônus atrelados a resultados. De acordo com portaria publicada no início de dezembro, o Programa Nacional de Formação e Certificação de Diretores Escolares irá capacitar e certificar diretores em exercício, além de candidatos ao cargo por meio de processos de formação continuada (um curso de aperfeiçoamento com duração aproximada de seis meses e um de extensão, de quatro meses) com base em padrões nacionais, que ainda serão estabelecidos e divulgados. A adesão ao programa será voluntária, portanto, a certificação será obrigatória apenas para entes federados que fizerem essa opção. As metas do programa serão estabelecidas com o apoio de instituições públicas de ensino superior. A portaria também instituiu a criação de um comitê gestor formado por membros do MEC, do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Esse comitê aprovará os padrões nacionais para diretores e fiscalizará o trabalho feito pelas instituições credenciadas para a certificação. O prazo de criação dos referidos padrões e, consequentemente, do início das demais ações previstas ainda não foi definido. Sobre a intenção de capacitar e certificar os candidatos ao cargo de diretor escolar, vale ressaltar que, na rede municipal, 75% desses gestores chegam ao posto por indicação política. Na rede estadual, esse indicador é de 40% conforme a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) e Municipais (Munic), publicada recentemente pelo IBGE.

 

FONTE: http://revistaeducacao.com.br/textos/noticias/foco-nos-diretores-367388-1.asp

 

A Educação nunca teve tanto destaque

 

Acompanhar os noticiários tem sido uma tarefa interessante. Em meio às informações factuais, uma pauta em especial ganha cada vez mais destaque: a Educação. Quando foi sancionado, em junho de 2014, o Plano Nacional de Educação (PNE) começou a discutir 20 metas que devem ser cumpridas até 2023. Entre os objetivos estão ampliar o acesso à educação, melhorar a qualidade do ensino e o plano de carreira dos professores. O brasileiro finalmente admite a necessidade de discutir tal tema, carro-chefe para o avanço da nação. E isso é sensacional.

Ao mesmo tempo, vejo com entusiasmo a iniciativa  que o Governo de Goiás está implantando na educação pública estadual. A gestão compartilhada  de escolas da rede é uma ideia que, se der certo, fará com que o Estado esteja um passo à frente dos outros e no foco da discussão nacional.

Está claro que a parceria com o terceiro setor  é uma proposta inovadora. A sociedade civil sendo chamada a compartilhar com o poder público a responsabilidade pela melhoria da educação não me parece algo a ser condenado. Muito pelo contrário. Mesmo porque já foi amplamente divulgado e a legislação garante que as escolas permanecerão públicas e gratuitas, com professores e diretores focados no plano pedagógico. Enquanto eles concentram suas energias no aprendizado do aluno, os assuntos administrativos, como manutenção da estrutura física e segurança, serão de responsabilidade das entidades parceiras.

Também está claro que o projeto vai garantir a permanência da gestão democrática – uma das metas do PNE e que já é realidade em Goiás desde 1999. O fato de a proposta inédita ser tratada pelo governo estadual com cautela e à base de muito estudo merece crédito por parte da sociedade. O experimento começará por 23 das mais de 1,1 mil escolas em Goiás. Ou seja: alcançando resultados favoráveis, a gestão compartilhada avança para outras unidades.

Nunca se falou tanto em universalizar a Educação. Na era Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o clamor da sociedade girava em torno da democratização do acesso à educação básica. No governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o anseio estava diretamente focado no ensino superior. Agora a Educação é tratada sob o ponto de vista macro, e o PNE comprova isso, já que inclui metas para alfabetização; ensino especial (inclusão); educação em tempo integral, profissional, pós-graduação e, claro, formação e valorização do professor.

Ter qualidade na Educação é investir num futuro próspero, na certeza de profissionais qualificados e prontos para tocar o país por gerações. Mas isso começa ali, na sala de aula, e implica várias situações, como um ambiente agradável, escola limpa e acolhedora, professores preparados e com foco no planejamento e aprendizado dos alunos. É inconcebível imaginar que uma escola fique meses com parte do telhado cedendo, por exemplo, enquanto o processo licitatório para os reparos está em andamento. Entendo que as OSs podem trazer a solução para problemas pontuais como este, sem prejudicar o andamento das aulas.

Quanto às polêmicas em torno da lisura das OSs nas escolas, trata-se de uma questão simples de ser resolvida. Se a escola é pública, é responsabilidade pública o zelo por ela. Cabe a toda comunidade escolar, e também à sociedade civil como um todo, fiscalizar de perto o trabalho prestado pelo terceiro setor. Também acredito na atuação efetiva de órgãos estatais, incluindo aí o Ministério Público, para garantir que as OSs sejam uma experiência transparente e realmente capaz de transformar a Educação pública. Acho válida a proposta de mudança, especialmente levando em conta que o modelo é criteriosamente estudado e será aplicado na rede de forma cuidadosa.  Estou certa que todo mundo que tem um pouquinho de consciência sabe que a educação precisa mudar. Precisamos de novos mecanismos de gestão, de saídas modernas, novos estudos e experiências que apontem soluções para um tempo exigente como o que vivemos. Por que não tentar?

 

Autor: Teresa Cristina Ribeiro Costa –  jornalista e chefe da Comunicação Setorial da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte – Seduce

 

Fonte: http://www.dm.com.br/opiniao/2016/01/a-educacao-nunca-teve-tanto-destaque.html

Inadimplência: o desafio das escolas para 2016

Em sua opinião, qual o principal desafio administrativo e financeiro das escolas? Dificuldade na captação de novos alunos? Desempenho financeiro e fluxo de caixa? Diferenciação em relação à concorrência? Essas questões são comuns a gestores de escolas de todo o país, mas o que mais preocupa, no momento, são os índices de inadimplência. Foi o que revelou o estudo O cenário da gestão escolar no Brasil, realizado pela Comunidade Internacional de Cooperação na Educação Mind Group. Seis em cada dez entrevistados incluíram esse item, além da conciliação dos diferenciais da escola e seus custos, em sua lista de elevado fator de preocupação para 2016.

A pesquisa contou com a participação de gestores de instituições de ensino de 19 estados do país. Foram coletadas 188 respostas, entre os meses de junho e agosto de 2015. O receio da inadimplência vem acompanhado por um olhar crítico a respeito da situação das escolas no próximo ano: apenas 18% veem 2016 como um ano mais positivo que 2015. Quase cinco em cada dez (47%) instituições entendem que o próximo ano será tão desafiador quanto 2015 e 35% acreditam que será ainda mais desafiador. A preocupação dos gestores escolares não ocorre por acaso. “As instituições de ensino precisam trabalhar com a premissa de que a crise econômica atingiu o país inteiro. E o desemprego deve atingir a todos os setores da economia, o que causa reflexos em todas as áreas”, explica Sérgio Itamar, professor de Finanças do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae). “A situação do Brasil se chama crise porque atinge todo mundo. Nesse cenário, as pessoas privilegiam o pagamento de dívidas com juros maiores, como o cartão de crédito e o cheque especial”, ressalta.

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram que o número de consumidores com contas atrasadas e registrados em cadastros subiu 4,6% no primeiro semestre de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com os dados, cerca de 40% da população adulta já deixa de pagar contas.

Como se planejar

Na opinião de Itamar, as escolas precisam ter em mente que a inadimplência – ainda mais em períodos de crise – nem sempre está relacionada à má administração de dinheiro, e sim à conjuntura do país. A fim de evitar problemas e tornar a gestão escolar mais simples, o professor sugere duas ações importantes: o treinamento dos funcionários quanto à legislação – para evitar indenizações por abuso na cobrança – e negociações individuais e personalizadas.

Negociação

Uma das orientações é a criação de comitês para gerir as negociações com os pais, visto que cada família terá uma situação financeira específica a ser contornada. “Não existe uma forma única de negociar, por isso a necessidade de avaliar cada negócio caso a caso”, diz Itamar. A orientação do especialista é para que as escolas chamem os pais para conversar sobre os pagamentos antes de ultrapassar os três meses de inadimplência. “Dessa maneira, é possível entrar em acordo antes que o pagamento se torne impossível de ser feito”, explica. Além disso, segundo o professor, é necessário ter atenção na forma de lidar com alunos inadimplentes. “Muitas vezes, existe a pressão para se obter resultados financeiros, e as escolas entram em desacordo com a legislação. É comum a escola ser a credora e ser processada por abusos”, alerta. Com o trabalho do comitê e as negociações, fica mais simples para a escola trabalhar de maneira preventiva o orçamento de 2016, podendo até mesmo negar matrículas em casos especiais.

O que não fazer

São duas as possibilidades para as escolas cobrarem os inadimplentes: execução judicial ou serviço de cobrança de crédito. No entanto, a orientação de Maristela Denise Marques de Souza, professora de Direito do Consumidor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é de que se prime pela negociação. “Trata-se da melhor forma para resolver conflitos”, afirma. E acrescenta: “Não se pode usar de artifícios que sejam contrários à lei, como impedir o acesso à sala de aula ou não enviar documentos do aluno para outras instituições em caso de transferência”. Entre a legislação que rege o assunto está o Código de Defesa do Consumidor, com foco especial para a área de prestação de serviços. “Se a escola tomar algum tipo de medida considerada abusiva ou arbitrária, o próprio código vai defendê-lo [o aluno]. A partir do momento em que a escola assume a responsabilidade de educar o jovem, deve prestar o serviço de maneira eficiente, mesmo que o consumidor esteja inadimplente”, orienta.

Atenção

A melhor maneira de coibir ações indevidas é se preparar previamente, ou seja, só tomar medidas de cobrança mais efetivas ao fim do semestre letivo. “As instituições não devem se precipitar, pois correm o risco de sofrer as demandas indenizatórias por danos morais”, pontua Maristela. De acordo com ela, as escolas – e grupo escolares – de maior porte costumam trabalhar de acordo com a lei, mas as de menor porte apresentam mais chances de pressionar os pais por uma maior necessidade financeira.

Este é apenas um trecho desta reportagem. O material na íntegra está disponível na edição de novembro de 2015

Escrito por Vinicius Boreki
Fonte: Gestão Educacional
(http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/especiais/negocio-educacao/1379-inadimplencia-o-desafio-das-escolas-para-2016)

Educação perde R$ 10,5 bi em 2015

 

São Paulo – O Ministério da Educação (MEC) perdeu R$ 10,5 bilhões, ou 10% do orçamento, em 2015, ano em que a presidente Dilma Rousseff escolheu o slogan “Pátria Educadora” como lema de seu segundo mandato. Cortes em programas, pagamentos atrasados e trocas de ministros marcaram o ano da pasta.

A presidente anunciou o lema já no primeiro dia de 2015, mas os problemas na área também apareceram depressa. Antes mesmo de oficializar o represamento de orçamento no âmbito do ajuste fiscal, a tesoura atingiu programas como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Pronatec, as duas principais bandeiras de Dilma na área da educação durante as eleições de 2014.

Depois de uma expansão de financiamentos entre 2010 e 2014, o governo alterou as regras do Fies ainda nos últimos dias de 2014. Restringiu o acesso ao programa e chegou a adiar pagamentos a empresas educacionais. O ano fechou com 313 mil contratos, 57% menos do que o registrado em 2014.

Dados atualizados até ontem mostram que a União gastou R$ 12 bilhões com o Fies em 2015, 16% menos do que os R$ 13,7 bilhões de 2014 – apesar de já haver mais contratos acumulados. No Pronatec, o início de novas turmas foi adiado no primeiro semestre e também houve atraso de pagamentos às escolas. O MEC defende que foi registrado 1,1 milhão de novas matrículas em 2015.

No decorrer do ano, outras iniciativas sofreram com a escassez de recursos, como o Mais Educação, voltado a escolas de tempo integral, e o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que transfere verbas diretamente para as unidades.

Bolsas de programas de iniciação à docência e de alfabetização também atrasaram. O corte na verba de custeio provocou reflexos nas universidades federais, que agonizaram com problemas de caixa. O MEC ainda teve de lidar com uma greve de cinco meses de duração dos professores universitários federais.

Longo prazo

Com dificuldade de arcar com os compromissos já existentes, a pasta viu a expansão de gastos com a educação, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), ser ameaçada.

Aprovado em 2014, o PNE estipula 20 metas para a educação em 10 anos e traz a previsão de ampliação dos recursos da área para o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. Atualmente, esse porcentual fica em torno de 6%.

Para o coordenador-geral da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o ano não foi bom para o setor. “Pensamos no início que a Pátria Educadora significaria o cumprimento do PNE dentro do primeiro mandato, mas o cumprimento neste ano foi ruim”, diz. “O motivo foi o ajuste fiscal excessivo. O próprio governo impediu a realização de seu lema”, completa.

O diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Carlos de Freitas, analisa que, embora tenha seu peso, a questão orçamentária não é o único problema enfrentado na área.

“Em um ano de mandato estamos no terceiro ministro. A educação é uma área com um imenso passivo motivado pelo acúmulo histórico de falta de prioridade e investimento e há uma pressão muito grande para que os resultados apareçam logo. No entanto, não há atalhos para a boa educação”, diz.

A primeira opção para o MEC no segundo mandato da presidente Dilma era o ex-governador do Ceará Cid Gomes. Ficou 76 dias no cargo e saiu após chamar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de achacador. Em seguida, assume o professor da USP Renato Janine Ribeiro, que fica cinco meses no MEC. Em outubro, é substituído por Aloizio Mercadante, que volta ao cargo que já havia ocupado entre 2011 e 2014.

De acordo com Janine Ribeiro, não foi possível prever que o golpe financeiro no MEC seria tão grande. “Em um ano sem dinheiro, fica um problema muito grande”, diz ele, que defende a melhora nos gastos e critica o PNE. “O PNE é um plano de gastos, não é de melhora nos gastos. Passa a ter a crise e não se sustenta a expansão prevista.”

Ações estruturantes

Em nota, o MEC defendeu que, mesmo com as restrições orçamentárias impostas pela necessidade do ajuste fiscal, foram preservados os “programas e as ações estruturantes do MEC”.

“Em 2015, foi dado mais um passo importante nesses 13 anos de governos que mantiveram o projeto educacional de compromisso com a ampliação do acesso e da permanência nos diferentes níveis de ensino e com a qualidade da educação”, completa a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Fonte:  Revista Exame 

(http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/educacao-perde-r-10-5-bi-em-2015)