Dados

EaD deve superar preconceito e focar em qualidade, dizem especialistas

 

A educação a distância avançou nas últimas décadas, tanto em número de alunos quanto em eficiência. Mas ainda enfrenta problemas que podem comprometer a qualidade, conforme a avaliação de estudiosos.

Um desses problemas é a formação dos professores. Segundo Patrícia Behar, professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e referência em EaD, esses profissionais precisam ser mais bem treinados. “Eles ainda não sabem preparar o material, explorar as funcionalidades de educação a distância. Não conhecem as ferramentas.”

A professora ressalta, contudo, que os educadores já contam com uma “arquitetura pedagógica” mais organizada do que há alguns anos em relação à metodologia, ao conteúdo e às tecnologias. “Há planejamento. Antes, aprendiam à medida que faziam.”

É preciso manter os educadores atualizados em relação às novas tecnologias, afirma João Mattar, vice-presidente da ABT (Associação Brasileira de Tecnologia Educacional). “As ferramentas vão mudando, os professores vão ficando perdidos”, afirma ele.

A falta de estímulos, inclusive financeiros, para que professores adotem plataformas digitais de aprendizagem é outro problema apontado por Stavros Xanthopoylos, diretor da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância).

“Como obrigar o professor a ter mais atividades? Deveriam incluir em sua carga horária a possibilidade de dar aulas a distância e criar incentivos pelo trabalho a mais”, diz, referindo-se às universidades federais.

EM CRESCIMENTO
Graduação a distância cresce mais que a presencial na última década

Gráfico

TUTORES

A desvalorização do tutor, profissional que cria conteúdos e funciona como um auxiliar de professor, é outro ponto negativo, na visão de estudiosos. O tutor acumula muitas tarefas e nem sempre consegue acompanhar os alunos de forma efetiva.

“Ele é generalista e mal remunerado. Tem que dar conta de muitas áreas de conhecimento, faz tutoria de várias disciplinas, e o número de alunos que atende é alto”, diz José Manuel Moran, professor aposentado da USP e especialista em novas tecnologias.

Para Moran, isso é reflexo de um modelo pedagógicoque supervaloriza os materiais e a transmissão de informação, em detrimento da participação ativa do aluno.

“A EaD reproduz um modelo que prega autonomia, é verdade, mas ainda está muito centrado em conteúdos. Eles devem ser parte, mas não essenciais”, afirma.

O professor defende um modelo com currículos mais seletivos, sem grade fixa, em que o aluno possa selecionar as matérias que deseja cursar de forma mais livre.

O modelo conteudista também é alvo de crítica por parte de Behar. “Devem ser explorados modelos mais construtivistas e abertos a distância, em que possamos construir conhecimento, e que a interação seja maior.”

PRECONCEITO

Outro grande obstáculo a ser superado é o preconceito contra essa modalidade de ensino. “Parece que o curso a distância é uma educação inferior. O grande desafio é superar o adjetivo ‘a distância’ e pensar em educação de modo geral. No fim das contas, o objetivo das duas modalidades é o mesmo,”, destaca Fernanda Campos, doutoranda em educação pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

No universo corporativo, a resistência a profissionais formados no ensino a distância cai ano a ano. Mas “falta uma maior conscientização do mercado de que o EaD é tão bom quanto o ensino presencial”, segundo Gerson Lachtermacher, que é professor da FGV/Rio.

O importante é estudar sempre, sem discriminação, conclui Xanthopoylos, da Abed: “O país precisa de gente estudada para dar uma guinada nos próximos anos.”

Autor: Júlia Zaremba
Fonte: Folha de S. Paulo

ZAREMBA, JÚlia. EaD deve superar preconceito e focar em qualidade, dizem especialistas. 2016. Folha de S. Paulo. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/07/1796379-ead-deve-superar-preconceito-e-focar-em-qualidade-dizem-especialistas.shtml>. Acesso em: 18 ago. 2016.

 

 

 

 

Educação: o desafio da qualidade

O Brasil gasta 6% do PIB com educação, contra a média de 5,3% dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e 4,7% dos EUA, 4,3% do Chile e 3,1% de Singapura, que são referências na área. Por outro lado, os alunos brasileiros continuam tirando notas baixas nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), principal avaliação internacional de estudantes. Diversos estudos já indicaram que países com bom desempenho no Pisa, ao longo dos anos, têm maior crescimento econômico. Neste caso, educação melhor significa mão de obra mais qualificada e maior produtividade do trabalho.

Recentemente, a ONU e a UNESCO realizaram o Fórum Mundial de Educação na Coreia do Sul, onde foram definidas as metas para 2030, focadas em anos de escolaridade. Eric Hanushek, especialista de Stanford, lamenta que mais uma vez o foco tenha sido a quantidade e não a qualidade da educação. Mais importante do que os anos de estudo, é verificar o que os alunos realmente aprendem nesses anos. Em muitos países da América Latina, diz o especialista, as pessoas vão à escola, mas não aprendem muito e isso afeta diretamente o crescimento econômico. O desempenho dos estudantes, afirma Hanushek, depende mais de como se gastam os recursos, do que o quanto se gasta. A qualidade dos professores, por exemplo, é fundamental e deve ser avaliada regularmente: desempenho em sala de aula por avaliador externo e a evolução dos alunos devem nortear a remuneração, a necessidade de treinamento e até o eventual desligamento do professor. É a política de consequências.

Como diz Bárbara Bruns, economista do Banco Mundial, “quando estudantes ruins em matemática se tornam professores, a falta de preparo é transmitida às gerações seguintes de alunos como uma doença”. Filtrar o acesso ao magistério através de exame de competência nacional bem planejado, gastar com treinamentos que funcionem e recompensar os bons professores são passos fundamentais. As regiões da Ásia com melhor resultado na educação, como Coreia do Sul, Xangai e Singapura, segundo a economista, recompensam os professores eficientes com promoções, aumentos salariais e oportunidades de desenvolvimento profissional. Mas é fundamental que haja um bom sistema de avaliação do desempenho, a partir da definição clara do padrão de educação que deve ser alcançado e como base da política de consequências. Vários países, também na América Latina, vêm avançando nessa direção.

O sistema Docentemás, do Chile, é referência e mostra que bons professores têm alunos que aprendem mais. O percentual daqueles considerados competentes e excelentes subiu de 60%, em 2005, para 77%, em 2012, e os insatisfatórios recuaram de 3% para apenas 1%. Nos Estados Unidos, o sistema Impact, implantado em 2009, é outro bom exemplo. No Brasil, o Plano Nacional de Educação passa ao largo dessas práticas, em grande parte por pressão de grupos de interesse nas escolas e sindicatos. O máximo que temos conseguido avançar é premiar o desempenho de escolas e não de professores.

Estudo do Banco Mundial mostra que, enquanto nos países da OCDE os professores conseguem transmitir conteúdo durante 85% da aula, no Brasil, esse número cai para 64%. Pior é o tempo em que os alunos realmente prestam atenção: 80% na OCDE e 23% no Brasil. Precisamos criar um currículo nacional — a partir dos mais de 2.000 atuais — e reformular os cursos de pedagogia e licenciatura, que possuem teoria demais e didática de menos, a partir dos modelos da Finlândia e do Chile, por exemplo. Certamente não queremos continuar com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas públicas estacionado na nota 3,4 (de zero a dez) para o ensino médio, como vem ocorrendo desde 2009. O que significa que o aluno típico não consegue resolver uma equação de primeiro grau elementar.

Devemos também rever o conceito da universidade pública gratuita, que atende a uma maioria de alunos em condições de pagar os seus estudos. A oferta de bolsas nestas escolas para alunos carentes, a serem ressarcidas no futuro com parte dos salários, é prática corrente em países mais avançados na área da educação. No Brasil, o benefício poderia avançar além do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que financia cursos superiores não gratuitos e com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Um passo acanhado, considerado o panorama educacional no país, mas importante para que a população possa enfrentar os desafios do desenvolvimento.

Por Carlos Schneider

 

FONTE: http://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/educacao-o-desafio-da-qualidade/93583/

Educação no Brasil melhora, mas país continua entre os piores do mundo

 

Saiu novo relatório internacional sobre o rendimento escolar no mundo. O Brasil melhorou o desempenho, mas ainda está entre os 10 piores países.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde), o Brasil aparece entre os 10 países que têm mais alunos com baixo rendimento escolar em matemática, leitura e ciências. Na América Latina, além do Brasil, Peru, Colômbia e Argentina também tiveram resultados ruins.

A Ocde avaliou 64 países. Nos países pesquisados, 4,5 milhões de estudantes até 15 anos de idade não atingiram o nível básico de aprendizado. Isso equivale a um em cada quatro estudantes. O Peru e a Indonésia são os países com maior porcentagem de estudantes neste quesito.

Uma boa notícia em relação ao Brasil é que o país conseguiu reduzir a quantidade de estudantes com baixo rendimento no período entre 2003 a 2012.

Os orientais, como de costume, conseguiram os melhores resultados. China, Cingapura e Coréia do Sul estão no topo da lista , com as melhores notas.

FONTE: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/02/educacao-no-brasil-melhora-mas-pais-continua-entre-os-piores-do-mundo.html

Inadimplência: o desafio das escolas para 2016

Em sua opinião, qual o principal desafio administrativo e financeiro das escolas? Dificuldade na captação de novos alunos? Desempenho financeiro e fluxo de caixa? Diferenciação em relação à concorrência? Essas questões são comuns a gestores de escolas de todo o país, mas o que mais preocupa, no momento, são os índices de inadimplência. Foi o que revelou o estudo O cenário da gestão escolar no Brasil, realizado pela Comunidade Internacional de Cooperação na Educação Mind Group. Seis em cada dez entrevistados incluíram esse item, além da conciliação dos diferenciais da escola e seus custos, em sua lista de elevado fator de preocupação para 2016.

A pesquisa contou com a participação de gestores de instituições de ensino de 19 estados do país. Foram coletadas 188 respostas, entre os meses de junho e agosto de 2015. O receio da inadimplência vem acompanhado por um olhar crítico a respeito da situação das escolas no próximo ano: apenas 18% veem 2016 como um ano mais positivo que 2015. Quase cinco em cada dez (47%) instituições entendem que o próximo ano será tão desafiador quanto 2015 e 35% acreditam que será ainda mais desafiador. A preocupação dos gestores escolares não ocorre por acaso. “As instituições de ensino precisam trabalhar com a premissa de que a crise econômica atingiu o país inteiro. E o desemprego deve atingir a todos os setores da economia, o que causa reflexos em todas as áreas”, explica Sérgio Itamar, professor de Finanças do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae). “A situação do Brasil se chama crise porque atinge todo mundo. Nesse cenário, as pessoas privilegiam o pagamento de dívidas com juros maiores, como o cartão de crédito e o cheque especial”, ressalta.

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram que o número de consumidores com contas atrasadas e registrados em cadastros subiu 4,6% no primeiro semestre de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com os dados, cerca de 40% da população adulta já deixa de pagar contas.

Como se planejar

Na opinião de Itamar, as escolas precisam ter em mente que a inadimplência – ainda mais em períodos de crise – nem sempre está relacionada à má administração de dinheiro, e sim à conjuntura do país. A fim de evitar problemas e tornar a gestão escolar mais simples, o professor sugere duas ações importantes: o treinamento dos funcionários quanto à legislação – para evitar indenizações por abuso na cobrança – e negociações individuais e personalizadas.

Negociação

Uma das orientações é a criação de comitês para gerir as negociações com os pais, visto que cada família terá uma situação financeira específica a ser contornada. “Não existe uma forma única de negociar, por isso a necessidade de avaliar cada negócio caso a caso”, diz Itamar. A orientação do especialista é para que as escolas chamem os pais para conversar sobre os pagamentos antes de ultrapassar os três meses de inadimplência. “Dessa maneira, é possível entrar em acordo antes que o pagamento se torne impossível de ser feito”, explica. Além disso, segundo o professor, é necessário ter atenção na forma de lidar com alunos inadimplentes. “Muitas vezes, existe a pressão para se obter resultados financeiros, e as escolas entram em desacordo com a legislação. É comum a escola ser a credora e ser processada por abusos”, alerta. Com o trabalho do comitê e as negociações, fica mais simples para a escola trabalhar de maneira preventiva o orçamento de 2016, podendo até mesmo negar matrículas em casos especiais.

O que não fazer

São duas as possibilidades para as escolas cobrarem os inadimplentes: execução judicial ou serviço de cobrança de crédito. No entanto, a orientação de Maristela Denise Marques de Souza, professora de Direito do Consumidor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é de que se prime pela negociação. “Trata-se da melhor forma para resolver conflitos”, afirma. E acrescenta: “Não se pode usar de artifícios que sejam contrários à lei, como impedir o acesso à sala de aula ou não enviar documentos do aluno para outras instituições em caso de transferência”. Entre a legislação que rege o assunto está o Código de Defesa do Consumidor, com foco especial para a área de prestação de serviços. “Se a escola tomar algum tipo de medida considerada abusiva ou arbitrária, o próprio código vai defendê-lo [o aluno]. A partir do momento em que a escola assume a responsabilidade de educar o jovem, deve prestar o serviço de maneira eficiente, mesmo que o consumidor esteja inadimplente”, orienta.

Atenção

A melhor maneira de coibir ações indevidas é se preparar previamente, ou seja, só tomar medidas de cobrança mais efetivas ao fim do semestre letivo. “As instituições não devem se precipitar, pois correm o risco de sofrer as demandas indenizatórias por danos morais”, pontua Maristela. De acordo com ela, as escolas – e grupo escolares – de maior porte costumam trabalhar de acordo com a lei, mas as de menor porte apresentam mais chances de pressionar os pais por uma maior necessidade financeira.

Este é apenas um trecho desta reportagem. O material na íntegra está disponível na edição de novembro de 2015

Escrito por Vinicius Boreki
Fonte: Gestão Educacional
(http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/especiais/negocio-educacao/1379-inadimplencia-o-desafio-das-escolas-para-2016)

Educação perde R$ 10,5 bi em 2015

 

São Paulo – O Ministério da Educação (MEC) perdeu R$ 10,5 bilhões, ou 10% do orçamento, em 2015, ano em que a presidente Dilma Rousseff escolheu o slogan “Pátria Educadora” como lema de seu segundo mandato. Cortes em programas, pagamentos atrasados e trocas de ministros marcaram o ano da pasta.

A presidente anunciou o lema já no primeiro dia de 2015, mas os problemas na área também apareceram depressa. Antes mesmo de oficializar o represamento de orçamento no âmbito do ajuste fiscal, a tesoura atingiu programas como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Pronatec, as duas principais bandeiras de Dilma na área da educação durante as eleições de 2014.

Depois de uma expansão de financiamentos entre 2010 e 2014, o governo alterou as regras do Fies ainda nos últimos dias de 2014. Restringiu o acesso ao programa e chegou a adiar pagamentos a empresas educacionais. O ano fechou com 313 mil contratos, 57% menos do que o registrado em 2014.

Dados atualizados até ontem mostram que a União gastou R$ 12 bilhões com o Fies em 2015, 16% menos do que os R$ 13,7 bilhões de 2014 – apesar de já haver mais contratos acumulados. No Pronatec, o início de novas turmas foi adiado no primeiro semestre e também houve atraso de pagamentos às escolas. O MEC defende que foi registrado 1,1 milhão de novas matrículas em 2015.

No decorrer do ano, outras iniciativas sofreram com a escassez de recursos, como o Mais Educação, voltado a escolas de tempo integral, e o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que transfere verbas diretamente para as unidades.

Bolsas de programas de iniciação à docência e de alfabetização também atrasaram. O corte na verba de custeio provocou reflexos nas universidades federais, que agonizaram com problemas de caixa. O MEC ainda teve de lidar com uma greve de cinco meses de duração dos professores universitários federais.

Longo prazo

Com dificuldade de arcar com os compromissos já existentes, a pasta viu a expansão de gastos com a educação, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), ser ameaçada.

Aprovado em 2014, o PNE estipula 20 metas para a educação em 10 anos e traz a previsão de ampliação dos recursos da área para o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. Atualmente, esse porcentual fica em torno de 6%.

Para o coordenador-geral da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o ano não foi bom para o setor. “Pensamos no início que a Pátria Educadora significaria o cumprimento do PNE dentro do primeiro mandato, mas o cumprimento neste ano foi ruim”, diz. “O motivo foi o ajuste fiscal excessivo. O próprio governo impediu a realização de seu lema”, completa.

O diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Carlos de Freitas, analisa que, embora tenha seu peso, a questão orçamentária não é o único problema enfrentado na área.

“Em um ano de mandato estamos no terceiro ministro. A educação é uma área com um imenso passivo motivado pelo acúmulo histórico de falta de prioridade e investimento e há uma pressão muito grande para que os resultados apareçam logo. No entanto, não há atalhos para a boa educação”, diz.

A primeira opção para o MEC no segundo mandato da presidente Dilma era o ex-governador do Ceará Cid Gomes. Ficou 76 dias no cargo e saiu após chamar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de achacador. Em seguida, assume o professor da USP Renato Janine Ribeiro, que fica cinco meses no MEC. Em outubro, é substituído por Aloizio Mercadante, que volta ao cargo que já havia ocupado entre 2011 e 2014.

De acordo com Janine Ribeiro, não foi possível prever que o golpe financeiro no MEC seria tão grande. “Em um ano sem dinheiro, fica um problema muito grande”, diz ele, que defende a melhora nos gastos e critica o PNE. “O PNE é um plano de gastos, não é de melhora nos gastos. Passa a ter a crise e não se sustenta a expansão prevista.”

Ações estruturantes

Em nota, o MEC defendeu que, mesmo com as restrições orçamentárias impostas pela necessidade do ajuste fiscal, foram preservados os “programas e as ações estruturantes do MEC”.

“Em 2015, foi dado mais um passo importante nesses 13 anos de governos que mantiveram o projeto educacional de compromisso com a ampliação do acesso e da permanência nos diferentes níveis de ensino e com a qualidade da educação”, completa a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Fonte:  Revista Exame 

(http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/educacao-perde-r-10-5-bi-em-2015)

O Fantasma da Evasão

Sem fórmula mágica ou diagnóstico preciso, controlar a permanência dos alunos na faculdade está atrelado a um conjunto de medidas em constante implantação e acompanhamento  pela instituição de ensino.

De todos os problemas que afligem gestores de instituições de ensino superior, empreender ações para o controle da evasão universitária segue sendo o que provoca maiores dúvidas com relação à eficácia e comprovação dos resultados. Segundo especialistas, a dificuldade de prever a desistência da faculdade pelo aluno se dá porque normalmente a evasão ocorre por vários motivos acumulados, que são inclusive acobertados pelo próprio estudante. A solução recomendada é então combinar iniciativas de acompanhamento e motivação dos alunos para antever o problema e combatê-lo antes de consumado.

Entre os exemplos de ações empreendidas vale tudo. Nos Estados Unidos, o Olin College resolveu atacar no currículo e trouxe para o início dos cursos de engenharia as disciplinas práticas. A justificativa para a mudança é envolver os alunos, dando a eles a chance de experimentar a rotina da profissão já nos primeiros anos de estudo e, assim, fazendo-os se sentirem mais motivados a permanecer no curso.

Para a consultora educacional Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo, vice-presidente do Instituto Lobo e especialista em gestão universitária, antecipar componentes curriculares, com disciplinas mais práticas sendo ministradas logo no início do curso, pode ajudar. Mas não é algo que deve ser feito de forma aleatória e sim como parte de um projeto pedagógico pensado para ter este perfil. “Uma medida como a tomada pelo Olin College, sozinha, só será eficiente se for detectado que a grande causa da evasão para aqueles alunos é a falta de contato com a prática nos primeiros anos do curso. De forma geral, é preciso um conjunto de ações para atacar essa síndrome”, explica Maria Beatriz.

A consultora lembra que a atitude tomada pelo Olin College nem chega a ser uma novidade no meio universitário. “A Poli [faculdade de engenharia da USP] já fazia isso em 2001, com projetos de engenharia no primeiro ano”, diz.

Ana Cristina Canettieri, especialista em educação e diretora da Cadec, empresa de capacitação e desenvolvimento educacional, vai além. Segundo ela, a atratividade de uma aula não está necessariamente atrelada à forma teórica ou prática com que é ministrada. “Há matérias teóricas ministradas com tamanha competência que se tornam atraentes para os alunos, da mesma forma que há aulas práticas cansativas. Assim, não creio que o simples deslocamento de matérias mais práticas para o começo do curso seja, por si, suficientemente capaz de despertar no aluno mais interesse no conteúdo do curso”, diz Ana Cristina.

Falta de empenho

Se não é a fórmula mágica para combater a evasão, a medida tomada pelo Olin College traz à tona um assunto que costuma ser ignorado pelo governo e pelas próprias instituições. O Ministério da Educação (MEC) não calcula dados de evasão no Censo da Educação Superior, embora seja o único órgão a ter todas as condições para isso. “É a prova de que a evasão não é levada a sério no Brasil. E as instituições também não fazem um bom acompanhamento disso. Todos se importam demais com o ingresso do aluno e quase nada em mantê-lo”, denuncia a consultora.

Apesar de não haver dados oficiais sobre a evasão anual da educação superior no Brasil, uma pesquisa feita pelo Instituto Lobo indica que a taxa fica em torno de 22% para o conjunto de cursos superiores presenciais, sendo mais elevada nas instituições privadas (25%) do que nas públicas (11%).

Os números da evasão também se refletem em alto custo financeiro, de acordo com o estudo feito por Solano Portela, diretor Educacional da Universidade Mackenzie, que estima os custos da evasão para uma instituição. Segundo ele, se a evasão é de 25%, com uma mensalidade média de R$ 500,00, só a perda anual de receita para cada mil alunos é de R$ 375.000,00. Uma instituição com 20 mil alunos chegaria a perder com a evasão R$ 7.500.000,00 a cada ano.

Somado ao impacto da perda financeira das mensalidades que deixam de ser pagas pelos alunos evadidos, Maurício Berbel, consultor da Alabama Consultoria Educacional, ressalta haver o prejuízo de manter turmas com poucos alunos até a conclusão do curso. “O custo dessa evasão deve incluir o prejuízo de se ter uma turma pequena demais, tendo de pagar o corpo docente, manter as instalações etc. É um valor mais difícil de calcular”, diz Berbel.

Difícil diagnóstico

Há uma evasão considerada “natural” e que deve fazer parte do planejamento institucional, explica Ana Cristina. Dentre as causas naturais, a mais significativa é a mobilidade. Os alunos mudam de bairro, de município, de estado, de país e, por esta razão, acabam por não concluir o curso na mesma instituição. Outra causa natural é a morte. Fora estas situações excepcionais, há uma série de outras causas que levam um aluno a evadir-se.

Embora a justificativa financeira seja, quase sempre, a primeira a ser mencionada por alunos e instituições de ensino, esta não é a maior vilã da evasão. Uma sugestão para ajudar os alunos que se encontram com dificuldades para arcar com os custos da faculdade, segundo Berbel, é orientá-los financeiramente. “Um trabalho de orientação feito com os ingressantes, que os ajude a organizar o orçamento, pode diminuir a evasão”, diz Berbel, que já experimentou, com sucesso, essa experiência quando trabalhava na Faculdades Integradas Teresa D’Ávila (Fatea), em Lorena (veja mais na versão da matéria no site da revista).

Maria Beatriz ressalta que, na maior parte das vezes, o aluno usa a desculpa financeira para esconder uma decisão anterior de não continuar seus estudos. Aos gestores que querem diferenciar aqueles que realmente se evadem por problemas financeiros dos que se evadem por outras razões, ela dá uma dica: quem desiste por questões estritamente financeiras normalmente tem um histórico na instituição de busca de descontos, bolsas, negociações e outras tentativas de solução. Se isso não ocorreu, provavelmente, o problema financeiro não foi a maior causa da evasão desse aluno.

Um problema de fato é a formação básica deficiente. Muitos alunos chegam aos bancos universitários com claras deficiências acadêmicas. A instituição precisa cuidar para que esses alunos não fiquem tão atrasados em relação aos demais a ponto de acreditar que sua integração ao programa do curso seja impossível. “É preciso fazer o nivelamento do estudante, conhecer o que ele sabe e adequar o curso ao acompanhamento dele”, explica Maria Beatriz.

Uma ideia é criar programas especiais que atendam às necessidades específicas desses alunos. Ana Cristina menciona a criação de cursos de nivelamento de estudos como uma boa possibilidade. “As instituições também podem criar Núcleos de Escrita, a exemplo do que existe nas universidades americanas de ponta”, sugere Ana Cristina.

Choque de realidade

De nada adianta tudo isso, se o aluno estiver matriculado no curso errado. Por imaturidade, muitos escolhem que graduação cursar tendo poucas informações sobre as opções disponíveis ou a rotina da vida profissional. Um caminho apontado por Berbel para auxiliar os estudantes a fazer a escolha certa seriam os cursos organizados em ciclos básicos. Eles permitem que os alunos tenham mais conhecimento sobre certa área antes de fazer a opção definitiva.

Apesar de o foco estar centrado no aluno – afinal, é ele quem decide abandonar o curso –, as instituições também deveriam se colocar no centro dos projetos de combate à evasão. Isto porque, segundo os especialistas consultados, a decepção com a instituição e com os professores é outra grande causa de evasão. Chamada de “desencanto” por Ana Cristina, ela abarca desde a irritação com a precariedade dos serviços oferecidos e a atenção dada pela instituição até a decepção com os professores, vistos como pouco motivados ou incapazes de ensinar.

Aliada à decepção está a falta de integração do estudante ao novo ambiente. Maria Beatriz explica que isso ocorre em várias vertentes: o estudante precisa sentir-se confortável no acompanhamento dos estudos, na aceitação pelos colegas, enfim, no atendimento como um todo. É preciso haver compatibilidade entre o aluno e a instituição, pois, quando a integração é incompleta e o aluno não é capaz de atender às demandas dos sistemas acadêmicos e sociais da instituição, ele rompe seus laços, deixando-a, explica Maria Beatriz. Em poucas palavras, o aluno precisa se sentir “acolhido” para não evadir.

Ana Cristina lembra, ainda, que no ensino superior o aluno passa a ser tratado, da noite para o dia, como “adulto”, apto a decidir sobre tudo que diz respeito ao novo ambiente acadêmico. Para ela, uma forma de combate à evasão é dispensar atenção às necessidades do aluno, especialmente no primeiro semestre, para mitigar o impacto da mudança de tratamento que estava acostumado a receber no ensino médio. “Ele precisa elaborar projetos de pesquisa, apresentar seminários, organizar suas atividades complementares e de estágio, dentre outros aspectos. Para muitos pode ser assustador”, diz Ana Cristina.

De acordo com os consultores, é essencial que a instituição tenha um setor responsável pelo combate à evasão. “Precisa haver um programa, com metodologia científica, que faça estatísticas que identifiquem os índices de evasão de cada curso, suas causas e proponha soluções”, diz Maria Beatriz.

Autor: Patrícia Pereira
Fonte: Revista “Ensino Superior”

PEREIRA, Patrícia. O fantasma da evasão. Ensino Superior, São Paulo, v. 16, n. 184, p.36-39, fev. 2014.

“Brasil está desmoralizando a educação”, afirma pesquisador

 

Para o pesquisador Ricardo Paes de Barros, especialista em políticas públicas e desigualdade, o “Brasil está desmoralizando a educação”. Em sua opinião, é preciso atribuir novo significado à educação se o país de fato deseja avançar. As afirmações foram feitas na tarde da terça-feira (10), durante o evento de lançamento da Falconi Educação braço da Falconi Consultores de Resultado, consultoria de Vicente Falconi, voltado exclusivamente para projetos de instituições públicas e privadas do setor. Além de Paes de Barros e Falconi, também participaram do debate os especialistas em educação Claudio Moura Castro e Ricardo Henriques, sob mediação da jornalista Miriam Leitão. ““O que você faz de gerenciamento, fica para o futuro, estou certo disso. Infelizmente, não acredito que educação seja prioridade nacional. Iniciativas lá de cima não virão””, observou Falconi.

Claudio Moura Castro questionou a superficialidade do currículo escolar no país: “”É um tsunami de materiais. Seria preciso ensinar menos coisas em maior profundidade. Você só gosta do que entende. Na escola, tudo que aparece não dá nem tempo de o aluno gostar””, avaliou. Em suas intervenções, Ricardo Henriques destacou a necessidade de interpretar e sistematizar boas práticas vistas pelo país. “Há uma cultura de regulação muito precária.” Ainda segundo Henriques, uma organização padronizada da educação nacional tem o potencial de enfrentar desigualdades entre escolas e dentro das salas de aula de cada instituição.

A ideia da Falconi Educação é aplicar ao setor conceitos como as soluções de gestão para resultados, gestão financeira, desenvolvimento de programas de formação de profissionais em educação, estruturação de programas de incentivo, construção e revisão de marcos legais. Também estão previstos modelos de parcerias com a iniciativa privada e organizações não governamentais, além da elaboração de programas de comunicação. O líder dessa nova área é Wilson Risolia, ex-secretário de educação do Rio de Janeiro. Durante sua gestão, o Estado teve avanços significativos na avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). (FOLHAPRESS) 

 

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/655141/brasil-esta-desmoralizando-a-educacao-afirma-pesquisador

Movimento incentiva professores a atuarem na criação da Base Nacional

 

Como uma forma de incentivar a participação de professores de todo o Brasil na construção do texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Movimento pela BNCC lançou uma campanha com conteúdos e informações destinados especialmente a educadores e demais interessados no debate. A ideia é incentivar o acesso ao texto preliminar da Base e receber comentários sobre a redação da mesma.

Até o dia 15 de dezembro, o documento estará disponível no site do Ministério da Educação (MEC). Qualquer pessoa, escola ou instituição pode acessar o portal, que oferece um conteúdo especial de “preparação para a discussão”, com cinco itens: o que é a Base Nacional Comum, suas propostas curriculares no país, biblioteca (com os documentos que resultaram de discussões sobre o direito a educação), últimas notícias e um vídeo de apresentação.

No site do Movimento pela Base Nacional Comum Curricular estão disponíveis materiais produzidos especialmente para professores e gestores, de modo a nortear como o assunto é abordado e debatido nas escolas. Na parte “Kit de mobilização”, o educador encontra apresentações, banners e vídeos que explicam a Base, qual é a sua importância para a educação e por que é importante participar da consulta pública. Entre os guias disponíveis estão materiais para apresentar a Base para seus coordenadores, diretores e técnicos; o que a sua secretaria pode fazer para mobilizar todos da rede; como a escola pode organizar leituras críticas da Base; um guia para fazer uma leitura crítica da Base, entre outros.

Para adicionar a contribuição, é necessário que o interessado faça um cadastro simples, informando nome, CPF, email, telefone e a sua ocupação (estudante, professor, responsável por Estudante da educação básica ou outro). Depois de cortar, acrescentar e comentar, basta enviar a proposta ao MEC.

Lançada no dia 16 de setembro, a primeira versão do texto da Base Nacional Comum Curricular tem como proposta apontar o que qualquer estudante, desde a educação infantil até o último ano do ensino médio tem o direito de aprender durante os anos da Educação Básica. Sendo uma das metas do Plano Nacional de Educação, a ideia é reunir em um único documento medidas e critérios que promovam qualidade e equidade na educação.

Sobre o Movimento

O Movimento pela Base Nacional Comum Curricular é formado por um grupo de pessoas e organizações que se reúne desde 2013. Seu objetivo é acelerar o processo de construção da Base e facilitar esse caminho a partir da divulgação de pesquisas e do estabelecimento de contato com professores, gestores, líderes da sociedade civil e todos os interessados na elaboração de um currículo nacional para o ensino brasileiro.

 

Fonte: EBC (http://www.ebc.com.br/educacao/2015/11/movimento-incentiva-professores-atuarem-na-criacao-da-base-nacional)

Cliente Secreto

 

Cresce o número de empresas que contratam avaliadores disfarçados para diagnosticar falhas no atendimento ao consumidor e nos produtos.

Prática tradicional no varejo, o cliente secreto, forma de avaliação criada nos EUA, nos anos 1920, vem experimentando um momento de crescimento no Brasil.

Agências que oferecem o serviço entrevistadas pela Folha afirmam que cada vez mais empresas pagam para saber exatamente, e com alto nível de detalhamento de relatórios, o que os consumidores pensam de seus serviços e produtos.

A OnYou, por exemplo, que atua nesse segmento desde 2007, viu aumentar em 70% a demanda por seus clientes secretos no último ano. E a maior parte desse crescimento, segundo José Worcman, 37, sócio e diretor da companhia, veio de empresas de médio e pequeno porte e franquias.

Para as empresas, o principal benefício é poder poder detectar e corrigir problemas com base na avaliação de alguém sem envolvimento emocional com o processo de compra e venda. E que observa pontos específicos, importantes na estratégia da companhia.

A Shopper Experience, pioneira na área no país, de 1989, tem aproximadamente 120 mil clientes secretos cadastrados, que visitam e avaliam desde quiosques de fast-food em rodoviárias a joalherias e lojas de automóveis luxuosos. “Você precisa ter clientes com todos os tipos de perfis se quiser poder avaliar todo tipo de empresa”, diz Stella Susskind, diretora da Shopper.

A rede de franquias Mania de Churrasco utiliza o serviço há dois anos. Alessandro Pereira, 40, um dos sócios da rede, relata que seus franqueados são entusiastas da ferramenta.

As 28 lojas da rede recebem até quatro visitas por mês de pessoas que se passam por clientes comuns e avaliam os mínimos detalhes de procedimento de atendimento dos funcionários. Além, é claro, dos pratos oferecidos.

Folha acompanhou o trabalho de V.T., 26, cliente secreta cadastrada pelo OnYou, em almoço em uma loja da rede. A companhia pediu para que a cliente não fosse identificada, a fim de evitar que seja reconhecida em uma avaliação futura.

Desde o minuto da chegada, V.T, já estava observando detalhes e cronometrando o tempo de atendimento.

“Eu preciso ter atenção até mesmo às frases que os atendentes têm de dizer, se eles estão oferecendo produtos adicionais, se estão sorrindo, falando entre eles, como lidam com falta de troco e outras situações como essas”, conta.

Dependendo da avaliação pedida e do tipo de estabelecimento ou serviço a ser avaliado, uma empresa pode pagar de R$ 150 a R$ 3.500 por cada visita.

Segundo Worcman, da OnYou, contudo, uma única análise não é suficiente para um diagnóstico preciso.

“É preciso pelo menos um ano de avaliação para um diagnóstico preciso, muito embora já seja possível uma leitura após cerca de quatro meses de trabalho”, afirma José Worcman, da OnYou.

VIGIAR SEM PUNIR

Especialistas do setor de varejo dizem que a prática pode ser benéfica para a empresa avaliar a qualidade de seus serviços e produtos, mas fazem a ressalva de que o cliente oculto não pode ser usado como forma de punição.

“Se você usar as visitas como base para punição, vai criar uma cultura do medo. As pessoas vão até trabalhar corretamente, talvez, mas pelas razões erradas, com medo de repreensão, e não pelo envolvimento positivo com o trabalho”, diz Richard Vinic, 44, consultor e coordenador dos cursos de marketing e vendas da FAAP.

Na rede de sorveterias Baccio di Latte, por exemplo, as avaliações são utilizadas no cálculo de bonificações e bônus dos funcionários.

“Ninguém jamais foi demitido por conta de uma avaliação ruim. Mas já aconteceu de implantarmos alguns tipos de treinamento diferentes com base nos relatórios de clientes ocultos”, conta Vassilis Evremidis, diretor de operações da rede. “Eu falo questão de ler cada um dos cerca de 60 relatórios que recebemos todos os meses”, diz.

Na Mania de Churrasco, se o ponto da carne vier correto na avaliação do cliente secreto, caixa e churrasqueiro são premiados automaticamente com R$ 50 cada.

Silvio Laban, coordenador dos cursos de MBA da Insper, ressalta que os funcionários precisam saber que a empresa contratou esse tipo de serviço.

“A transparência é fundamental, até para não passar a impressão de que se trata de uma armadilha e não se criar uma cultura de medo entre os funcionários”, diz. “Os funcionários não podem se sentir ameaçados. Precisam atender bem sempre porque é o serviço deles, e não porque têm medo de serem mal avaliados.”

Autor: Diego Iwata Lima

Fonte: Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1697682-cresce-procura-por-cliente-oculto-entre-pequenas-empresas-veja-como-funciona.shtml

Desafio é conseguir que os professores experimentem novos modos de trabalhar

 

Práticas envolvendo o lúdico, a interdisciplinaridade e a contextualização têm o potencial de melhorar a aprendizagem

 

“Professora, hoje não vai ter aula? É só brincadeira?” Perguntas como estas passaram a ser feitas por  alunos e pais desde o ano passado para professoras alfabetizadoras de Costa Rica (MS). Isso acontece graças às formações do Pnaic.

No pequeno município, que tem seis escolas na rede e 1.400 alunos de 1º a 3º ano, a adesão dos docentes ao Pacto foi de 100%, mas a mudança de postura frente à sala de aula ainda está em processo, conta Mara Silvia Barbosa, coordenadora do Pnaic na cidade. “Aceitar participar da formação foi tranquilo, mas a mudança de atitude por parte do professor levou cerca de um ano para começar”, afirmou. “No começo, essas perguntas incomodavam as professoras.”

Segundo Mara, as formações levaram os docentes a sair da zona de conforto, passar do papel de “dono da verdade” para mediador do aprendizado. “Leva um tempo para o convencimento de que aquela “bagunça” pode ser boa, de que com a brincadeira não se está perdendo tempo, mas ganhando”, disse. Para ela, contudo, mesmo que esse processo seja uma mudança ainda em curso, as crianças que estão hoje no primeiro ciclo do fundamental encontram uma alfabetização mais “humana” e adequada à idade do que os alunos que estavam na mesma série antes do Pacto.

Para Carolina dos Santos Vera e Silva, professora desde 2002 no município de Frei Miguelinho (PE), as formações foram boas para ela aprender a sistematizar o conhecimento do aluno e ter um olhar individual para cada um. “Sinto que eu ensinava, mas ficava sem amarrar. E, como a turma não é homogênea, tem níveis de conhecimento diferentes, preciso passar atividades diferentes. Não se pode dar uma aula única para todos, cada aluno tem sua necessidade”, afirmou.

As práticas de Carolina também passaram a ser mais interdisciplinares e contextualizadas. Ela montou, por exemplo, uma sequência didática de culinária, em que foram abordados conteúdos de ciências (alimentação saudável), matemática (gráficos e tabelas) e língua portuguesa (gênero textual: receita). A experiência foi tão produtiva que acabou integrando um livro de relatos da Universidade Federal de Pernambuco.

Práticas envolvendo o lúdico, a interdisciplinaridade e a contextualização não são exclusividade, porém, dos professores que participam do Pnaic. Professora há 20 anos, Clara Elena Jorquera trabalha atualmente na rede particular, no Colégio Ítaca, em São Paulo, e aproveita as vantagens de contar com uma escola bem equipada e com uma equipe que atua de forma integrada. “Gosto de chamar o professor de artes, de educação física, de música, para fazer um trabalho em conjunto. A gente parte da história de um livro e faz atividades em todas as áreas. Assim as crianças ficam muito envolvidas, dá resultado melhor do que algo fragmentado”, relata.

Fonte: Revista Educação - http://hom2.gerenciadordeconteudo.com.br/produtos/ESRE/textos/221/caminhos-possiveisdesafio-e-conseguir-que-os-professores-experimentem-novos-modos-363833-1.asp