Buscar os mínimos detalhes para aumentar a qualidade da Gestão Educacional

O Brasil ocupa a 58° posição (dentre 65 países) no Pisa, um programa que mede a qualidade educacional, por meio da aplicação de avaliações de matemática, ciências e leitura para estudantes de 15 anos. No grupo das crianças com idade entre 10 e 14 anos, 13% possuem atrasos de mais de dois anos. Uma criança brasileira de 15 anos possui os conhecimentos de ciência e matemática de um pré-adolescente de Xangai. Esse mesmo aluno de 15 anos possui também o conhecimento de um aluno coreano de 11 anos, ou de um aluno canadense e americano de 12, ou de um aluno turco de 13 e até mesmo de um aluno chileno, mexicano ou tailandês de 14 anos.

Os professores são os profissionais menos valorizados, embora essa desvalorização não seja necessariamente em relação aos salários, mas em relação à atratividade da carreira. O desinteresse pela carreira docente gerou nos últimos anos um déficit de 250 mil professores, obrigando profissionais a ministrar disciplinas de áreas que não pertencem à sua formação acadêmica original. Ainda neste quesito, a formação docente é outro grande desafio para a educação brasileira. A distribuição das horas de formação das grades curriculares dos cursos de licenciatura reservam, em média, apenas 10% do tempo para desenvolver, nos futuros docentes, práticas de ensino.

Mas o problema da educação não está na baixa qualidade dos professores, na falta de empenho de alunos, na ausência de participação e envolvimento dos pais, na cultura da violência que assombra muitas escolas ou no baixo nível de investimento financeiro do setor; na realidade, os desafios da educação brasileira estão sintetizados em todos esses aspectos e em tantos outros igualmente importantes.

Nós da Ciage defendemos a premissa de que parte dos problemas da educação está vinculada à ausência de gestão adequada dos recursos humanos e financeiros disponíveis.

O orçamento do Ministério da Educação é de 80 bilhões de reais e, com a aprovação da lei que obriga o repasse de 75% dos royalties do pré-sal para a educação, o MEC deverá contar com um orçamento aproximado de 123 bilhões de reais até 2022. Já contam-se os inúmeros prefeitos, secretários de governo e demais gestores educacionais que aguardam ansiosamente a chegada de 2022!

Se somados os orçamentos das três esferas públicas, o volume de recursos destinado à educação no Brasil é de aproximadamente 6% do PIB, fazendo com que o país se posicione em 15° na lista de relação entre o PIB e os investimentos em educação. Embora sua posição seja muito boa, os recursos destinados não se traduzem em resultados, visto que, como citado no início deste texto, o Brasil é o 58° na lista de desempenho escolar do PISA.

Nesse sentido, vale lembrar que não existe uma relação de causa e efeito quando se fala de volume de investimentos na educação, ou seja, gastar mais não necessariamente leva uma nação ao topo da qualidade e da inovação. O “segredo” é, portanto, gastar bem!

Não devemos descartar a relevância de características culturais, as quais intrinsicamente ajudam a potencializar o desempenho de alunos de determinados países. A disciplina, a prioridade verdadeira que as famílias dão em relação aos estudos e a valorização da cultura meritocrática que ocorrem, por exemplo, em países asiáticos também contribuem para a criação de sociedades mais inovadoras, produtivas e com maior capacidade para o desenvolvimento de novas e eficientes estratégias de criação de riqueza.

Ainda assim devemos considerar que essas sociedades também possuem como um de seus principais fatores de distinção a capacidade de gerir bem os recursos que possuem.

Em todos os setores, para uma boa administração é necessário que o gestor tenha em mãos bons indicadores. Na educação esse desafio é ainda maior, uma vez que aspectos mais abstratos, tais como a “experiência”, a “intuição” e a “sensibilidade” ainda são considerados mais importantes por muitos gestores do setor no momento de tomar iniciativas, criar projetos ou simplesmente tomar uma decisão de rotina.

A Ciage acredita no valor de nossos educadores e também na importância da meritocracia, da gestão por indicadores e da capacidade que o país possui para ampliar seu poder econômico e social por meio da educação.

Portanto, entendemos que não é necessariamente a falta de recursos que representa o maior desafio da educação brasileira, mas sim a capacidade de utilizar os recursos existentes da melhor forma possível. Isso se faz com o preparo e formação de educadores para a cultura da gestão por indicadores e, claro, com um conjunto confiável de indicadores, que possam subsidiar o processo de tomada de decisão dos gestores educacionais. Nosso trabalho é fazer isso: criar indicadores de gestão para subsidiar a tomada de decisão em diferentes níveis hierárquicos.

Como fazemos isso? Combinando dados primários e secundários para criar indicadores que possam ser acompanhados e comparados em diferentes períodos; planejando e executando pesquisas com diferentes metodologias para que as instituições educacionais, públicas e privadas, possam saber “ler” adequadamente o ambiente em que estão inseridas; disponibilizando ferramentas de gestão, que tornem o trabalho menos intuitivo; construindo soluções de gestão baseadas em informações, as quais levem as instituições educacionais a resultados acadêmicos e financeiros melhores.

A Ciage pretende promover a cultura da gestão por indicadores porque acredita que a busca por mais recursos financeiros, ainda que importante, não deva ser tratada como um fim em si mesmo, o propósito maior dos profissionais do setor educacional, mas porque entende que o melhor uso dos recursos já existentes tem um enorme poder para fazer as transformações que o país precisa, antes, ou independentemente de 2022.

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