A Grande Heresia do Simples

 

Em seu livro Tristes Trópicos, Lévi-Strauss descreve os seus colegas brasileiros: “Qualquer que fosse o campo do saber, só a teoria mais recente merecia ser considerada. (…) Nunca liam as obras originais e mostravam um entusiasmo permanente pelos novos pratos. (…) Partilhar uma teoria conhecida era o mesmo que usar um vestido pela segunda vez, corria-se o risco de um vexame”.

Cultivamos essa paixão pelas navegações intergalácticas e pelo modismo. Assim, acaba tudo muito complicado, inclusive na educação. Ouso arrostar a cultura nacional. Cometo a Grande Heresia do Simples: tento demonstrar que a educação brasileira precisa de um “feijão com arroz” benfeito, nada mirabolante, nada nos espaços siderais. Vejamos a receita que deu certo alhures.

A escola precisa de metas. E que sejam poucas, claras, estáveis e compartilhadas. Se cada um rema para o seu lado, o barco fica à deriva.

A escola tem a cara do diretor, o principal responsável pela criação de um ambiente estimulante e produtivo. Daí o extremo cuidado na sua escolha. Eleição por professores não será pior que indicação política? E, uma vez escolhido, o diretor precisa de autonomia, de par com cobrança firme do que for combinado.

Boa gestão é essencial. Nem empresas, nem paróquias, nem escolas se administram sem dominar os princípios e técnicas apropriados. Ademais, as secretarias não devem atrapalhar, criando burocracias infinitas.

O professor tem de dominar o assunto que vai ensinar e saber como dar aula. Infelizmente, as faculdades de educação acham isso irrelevante.

Prêmios e penalidades. De alguma forma, o bom desempenho do professor deve ser recompensado. E, se falhar, que venham os puxões de orelha. Por que a atividade mais crítica para o futuro do país é uma das poucas em que prevalece a impunidade.

Ensinou a teoria ou o princípio? Então, que sejam aplicados em problemas práticos e realistas. Diz a ciência cognitiva que sem aplicar não se aprende. Nova idéia? Então mostre sua conexão com alguma coisa que o aluno já sabe. Isso se chama “contextualizar”. Pelo menos, que não se ensine nada sem mostrar para que serve. Se o professor não sabe, como pode suceder na matemática, é melhor não ensinar. É preciso ensinar menos, para os alunos aprenderem mais. O tsunami curricular impede que se aprenda o que quer que seja. Ouve-se falar de tudo, mas não se domina nada. E como só gostamos do que entendemos, no ritmo vertiginoso em que disparam os assuntos, não é possível gostar e, portanto, aprender o que quer que seja.

Valores e cidadania se aprendem na escola, tanto quanto a matéria ensinada. Só que não no currículo ou em sermões, mas na forma pela qual a escola funciona. Escola tolerante e justa ensina essas virtudes. Aprende-se pelo exemplo da própria escola e dos professores. Tão simples quanto isso. Com bagunça na aula não se aprende. Foi o que disseram os próprios alunos, em uma pesquisa do Instituto Positivo (confirmada por outros estudos). A escola precisa enfrentar com firmeza a assombração da indisciplina.

Sem avaliação, a escola faz voo cego. Nossos sistemas de avaliação são excelentes. Mas ainda são pouco usados, seja pelos professores, pela escola ou pelas secretarias. É pena.

A tecnologia pode ajudar, não há boas razões para desdenhá-la. Mostra o Pisa: na mão dos alunos, produz bons resultados. Mas não é uma ferramenta para alavancar mudanças. Escola travada não vai mudar com computadores, tablets ou smartphones. Pior, dentro da escola, escoam-se décadas e ela continua um elefante branco, incapaz de promover avanços na qualidade. E aos pais cabe vigiar. Conforme o caso, apoiando ou cobrando.

O currículo é ler com fluência, entender o lido, escrever corretamente, usar regra de três, calcular áreas, volumes e um juro simples, ler gráficos e tabelas… Só depois de dominado isso podemos ir para as guerras púnicas, derivadas e integrais, reis da França, afluentes do Amazonas e a infinidade de bichinhos do livro de biologia.

Onde está a complicação? Fazer bem o “feijão com arroz” seria uma revolução no nosso ensino. Mas, para muitos, o simples é a Grande Heresia.

Autor: Claudio de Moura Castro – Economista

Fonte: Revista Veja – Edição 2448

Resultados de avaliação orientam país sobre pedagogias mais apropriadas para evoluir

 

Com os dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), divulgados no dia 17 de Setembro, o Ministério da Educação tem um retrato dos problemas e sua localização para poder agir, em conjunto com as redes municipais de ensino. “Esses dados, uma vez entregues a cada rede de educação e a cada escola, vão indicar muito bem aos responsáveis onde deve ser a intervenção pedagógica principal”, afirmou o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, em entrevista coletiva, à tarde, para apresentar os resultados da aferição. “É por isso que a avaliação não é tanto um ranking, não é uma ocasião de punição, é uma orientação.”

Foram avaliados pela ANA, em novembro do ano passado, 2.456.132 estudantes do terceiro ano do ensino fundamental. O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Chico Soares, destacou que, na escola, o foco deve ser o aprendizado dos alunos. Os dados da ANA, segundo ele, oferecem um importante referencial. “Esse é um dado de avaliação que pode impactar o concreto da sala de aula”, disse. “Na educação, o que interessa é o aprendizado — você pode ser melhor do que eu, desde que nós dois aprendamos.”

A ANA de 2014 indica a necessidade de o país evoluir nos índices de alfabetização dos mais de 20% dos estudantes que estão no nível 1 (alunos provavelmente capazes de ler palavras com estrutura silábica canônica, não canônica e ainda que alternem sílabas canônicas e não canônicas) em leitura e matemática e dos 35% que ainda não conseguem escrever textos. Os dados da avaliação confirmam a influência de fatores alheios à escola no processo de ensino-aprendizagem, principalmente a desigualdade social.

Painel — A divulgação do resultado da ANA marcou o lançamento do Painel Educacional do Inep, por meio do qual todas as avaliações da educação básica realizadas pelo instituto conterão informações consolidadas sobre o cenário educacional nos estados, nos municípios e nas próprias escolas. Dentre outros, há indicadores sobre o nível socioeconômico, a complexidade da gestão escolar, esforço e formação docente. O painel contém ainda dados do Censo Escolar, tais como estatísticas de matrícula, taxas de aprovação, reprovação e abandono. E também apresenta os resultados da primeira edição da ANA, realizada em 2013 para formar uma linha de base capaz de permitir análises posteriores.

Participação — A ANA é realizada nas escolas públicas que tenham, matriculados, estudantes no terceiro ano do ensino fundamental. Em 2013, 55.836 escolas participaram da avaliação. Em 2014, foram 49.791. A avaliação integra o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, compromisso firmado pelos governos federal, estaduais e do Distrito Federal e administrações municipais. A meta central é assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas aos oito anos de idade até o fim do terceiro ano do ensino fundamental.

 

Fonte: INEP (http://portal.inep.gov.br/todas-noticias?p_p_auth=vC8zP0qe&p_p_id=56_INSTANCE_d9Q0&p_p_lifecycle=0&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=2&p_p_col_count=3&_56_INSTANCE_d9Q0_groupId=10157&p_r_p_564233524_articleId=154060&p_r_p_564233524_id=157350)

O que os professores fazem

Ele diz que a grande questão é:
O que um aluno vai aprender com alguém
cuja melhor opção na vida foi ser professor?
Ele comenta com os convidados do jantar que é verdade
o que dizem sobre os professores:
Quem sabe faz; quem não sabe ensina.
Decido morder minha língua – em vez da dele -
e resistir à tentação de comentar com os convidados
que também é verdade o que dizem sobre os advogados.
Afinal, estamos jantando e temos que conversar educadamente.
Então, Taylor, você é professor.
Seja honesto, não deve fazer lá muito dinheiro.
Quanto você ganha?
Gostaria que ele não tivesse feito isso -
me pedido que eu fosse honesto -
porque eu tenho uma regra
sobre honestidade e passa-foras:
Se pediu, vai levar.
Você quer saber quanto eu ganho ou o que eu faço?
Eu faço os alunos trabalharem mais duro do que eles imaginavam
ser possível.
Eu faço uma nota 5 parecer uma medalha de honra
e um 9 ser um tapa na cara.
Como ousa me fazer perder tempo com um trabalho inferior ao seu
potencial máximo?
Eu faço crianças ficarem sentadas por mais de 40 minutos na sala
de aula em silêncio absoluto.
Não, vocês não podem trabalhar em grupo.
Não, você não pode fazer nenhuma pergunta agora.
Por que eu não deixo você ir ao banheiro?
Porque você está entediado.
E não precisa realmente ir ao banheiro, precisa?
Eu faço os pais tremerem de medo quando ligo para eles:
Oi. Aqui é o professor Mali. Espero não estar incomodando.
Só queria conversar sobre algo que seu filho disse hoje.
Diante do maior brutamontes da turma, ele defendeu um colega,
dizendo: “Deixe o garoto em paz. E daí que ele está chorando?
Eu ainda choro de vez em quando. Você não?”
E foi o ato mais nobre de coragem que já presenciei.
Eu faço os pais verem os filhos como eles realmente são
e o que poderão vir a ser.
Quer saber o que mais eu faço?
Eu faço os alunos imaginarem,
Questionarem.
Criticarem.
Eu os faço pedir desculpas sinceras.
Eu os faço escrever, escrever, escrever,
E depois ler.
Eu os faço soletrar
Ansioso, exceção, ansioso, exceção,
Até gravarem para sempre a grafia correta dessas palavras.
Eu faço os alunos demonstrarem todos os cálculos matemáticos
realizados
para chegar às respostas dos problemas.
E faço com que apresentem a redação final como se nunca tivessem
produzido um rascunho sequer.
Eu os faço entender que, se você tem um talento,
deve segui-lo.
E se alguém quiser julgá-lo pelo que você ganha, mostre
o que você faz.
Olhe, deixe-me explicar direitinho,
para você entender que estou dizendo a verdade:
Sabe o que os professores fazem?
Os professores fazem a diferença!
E você?
*
“Um Bom Professor Faz Toda a Diferença”
Autor: Taylor Mali
Editora: Sextante

Desafio é conseguir que os professores experimentem novos modos de trabalhar

 

Práticas envolvendo o lúdico, a interdisciplinaridade e a contextualização têm o potencial de melhorar a aprendizagem

 

“Professora, hoje não vai ter aula? É só brincadeira?” Perguntas como estas passaram a ser feitas por  alunos e pais desde o ano passado para professoras alfabetizadoras de Costa Rica (MS). Isso acontece graças às formações do Pnaic.

No pequeno município, que tem seis escolas na rede e 1.400 alunos de 1º a 3º ano, a adesão dos docentes ao Pacto foi de 100%, mas a mudança de postura frente à sala de aula ainda está em processo, conta Mara Silvia Barbosa, coordenadora do Pnaic na cidade. “Aceitar participar da formação foi tranquilo, mas a mudança de atitude por parte do professor levou cerca de um ano para começar”, afirmou. “No começo, essas perguntas incomodavam as professoras.”

Segundo Mara, as formações levaram os docentes a sair da zona de conforto, passar do papel de “dono da verdade” para mediador do aprendizado. “Leva um tempo para o convencimento de que aquela “bagunça” pode ser boa, de que com a brincadeira não se está perdendo tempo, mas ganhando”, disse. Para ela, contudo, mesmo que esse processo seja uma mudança ainda em curso, as crianças que estão hoje no primeiro ciclo do fundamental encontram uma alfabetização mais “humana” e adequada à idade do que os alunos que estavam na mesma série antes do Pacto.

Para Carolina dos Santos Vera e Silva, professora desde 2002 no município de Frei Miguelinho (PE), as formações foram boas para ela aprender a sistematizar o conhecimento do aluno e ter um olhar individual para cada um. “Sinto que eu ensinava, mas ficava sem amarrar. E, como a turma não é homogênea, tem níveis de conhecimento diferentes, preciso passar atividades diferentes. Não se pode dar uma aula única para todos, cada aluno tem sua necessidade”, afirmou.

As práticas de Carolina também passaram a ser mais interdisciplinares e contextualizadas. Ela montou, por exemplo, uma sequência didática de culinária, em que foram abordados conteúdos de ciências (alimentação saudável), matemática (gráficos e tabelas) e língua portuguesa (gênero textual: receita). A experiência foi tão produtiva que acabou integrando um livro de relatos da Universidade Federal de Pernambuco.

Práticas envolvendo o lúdico, a interdisciplinaridade e a contextualização não são exclusividade, porém, dos professores que participam do Pnaic. Professora há 20 anos, Clara Elena Jorquera trabalha atualmente na rede particular, no Colégio Ítaca, em São Paulo, e aproveita as vantagens de contar com uma escola bem equipada e com uma equipe que atua de forma integrada. “Gosto de chamar o professor de artes, de educação física, de música, para fazer um trabalho em conjunto. A gente parte da história de um livro e faz atividades em todas as áreas. Assim as crianças ficam muito envolvidas, dá resultado melhor do que algo fragmentado”, relata.

Fonte: Revista Educação - http://hom2.gerenciadordeconteudo.com.br/produtos/ESRE/textos/221/caminhos-possiveisdesafio-e-conseguir-que-os-professores-experimentem-novos-modos-363833-1.asp

Crise faz estudantes mudarem de escola privada para pública

 

Quando o advogado Manoel Olegário, 42, perdeu o emprego em julho, precisou conversar com o filho Gabriel Olegário, 11, sobre uma mudança importante que aconteceria na vida do garoto.

Em 2016, o menino deixará de conviver com amigos e professores que conheceu há cinco anos no colégio particular onde estuda em Diadema (Grande SP). Gabriel agora vai para a escola pública.

“Fui bastante transparente com ele. Disse que era necessário. Nosso orçamento não permitia mais bancar a mensalidade”, afirma Manoel, que paga R$ 900 por mês ao colégio do filho.

A crise econômica e o aumento de mensalidade têm levado pais a trocarem escolas particulares pelas públicas.

De janeiro a agosto deste ano, 195,7 mil estudantes fizeram esse movimento no Estado de São Paulo, segundo dados do Censo Escolar. O número já é maior que o de todo o ano passado, quando 195 mil alunos migraram de escolas privadas para públicas.

Na quinta-feira (1º), primeiro dia de matrículas para 2016, a Secretaria Estadual da Educação registrou cerca de 3.000 inscrições. Dessas, a pasta estima que 90% foram de crianças e adolescentes oriundos de escolas privadas.

Foi o caso de Gabriel Olegário, que pela primeira vez vai estudar em uma pública. Na quinta-feira, seu pai visitou um colégio estadual em Diadema e já fez a matrícula do garoto para 2016.

“Enquanto eu não conseguir emprego, meu filho vai ficar na pública. Não acho um prejuízo grande. Os professores são concursados, competentes. Talvez o que falte na escola pública seja mais estrutura”, diz Manoel.

A economista Eliane Cristina de Paula, 45, fez a mesma mudança. Seus dois filhos estudavam em um tradicional colégio particular em Campinas (a 93 km de São Paulo).

No início do ano, seu marido, o engenheiro Laurence Botinhon, 47, perdeu o emprego. A família teve que parar de pagar R$ 3.000 em mensalidades das crianças.

“Foi um decisão totalmente financeira, tivemos que colocá-los numa escola estadual”, diz Eliane. Ela, no entanto, gostou da mudança.

“Tivemos sorte. A escola é muito boa. Os professores acompanham meus filhos mais do que na particular. E tudo é de graça. Não tem custo nem de material”, diz.

O marido de Eliane conseguiu outro emprego recentemente. Porém eles não pensam em voltar atrás. “Muitas particulares abusam na mensalidade, alegando ter uma qualidade que nem sempre existe”, avalia a economista.

No Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mais recente, de 2013, a rede particular paulista teve nota 5,6 no ensino médio, em escala de zero a dez. A rede estadual, 3,7.

Inadimplência

As escolas particulares do Estado estimam que, para 2016, o reajuste na mensalidade ultrapasse a inflação, chegando à casa dos 10%.

Em agosto deste ano, a inadimplência dos pais na capital chegou a 11,60% -ante 7,8% no mesmo mês do ano passado. Os dados são do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de SP, que representa cerca de 10 mil escolas particulares do Estado.

“Mesmo com a crise, não acho que haverá debandada”, diz Benjamin Ribeiro, presidente do sindicato. Para ele, o mais provável é que ocorra uma migração de alunos de escolas mais caras para outras mais baratas.

“Orientamos escolas a aumentar [a mensalidade] só o necessário”, diz Ribeiro.

Autor: Leandro Machado

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/10/1689930-crise-faz-estudantes-mudarem-de-escola-privada-para-publica.shtml

OS INOVADORES – Uma biografia da revolução digital

A onipresença dos computadores e da internet às vezes nos faz esquecer como essas invenções são relativamente novas. Se as gerações atuais já nascem mexendo em tablets e smartphones, é estranho pensar que há poucas décadas a computação pertencia ao domínio de cientistas, militares e uns poucos empreendedores de ponta. Mas quem inventou o computador? Quem teve a ideia de criar a internet? Foi perseguindo essa pista que Walter Isaacson, autor das estrondosas biografias de Steve Jobs e Albert Einstein, construiu esta empolgante narrativa, que retrata inovadores bolando máquinas em suas garagens minúsculas, pensadores excêntricos às voltas com grandes questões existenciais, batalhas épicas entre empresas e uma grande dose de bits, chips e fios de cobre.
Surpreendentemente, essa história começa na década de 1830, quando Ada Lovelace, filha do poeta inglês Lord Byron, e Charles Babbage, o matemático que foi a pedra de canto da revolução digital, descrevem em belíssimo ensaio o funcionamento de uma máquina de processar e resolver problemas. Jamais construída, a invenção iria semear, ao longo das décadas seguintes, a imaginação de inovadores ao redor do mundo. Gente como Claude Shannon, o brilhante matemático que criou o conceito de bit (e, com ele, toda uma disciplina), Alan Turing, que ampliou e expandiu as ideias de Babbage, ajudou os aliados a vencer a Segunda Guerra e foi preso em seu país por ser homossexual, ou ainda Grace Hopper, provavelmente a primeira programadora do mundo e uma das muitas mulheres pioneiras da estrada da informação.
A descoberta fundamental de Isaacson é que o computador e a internet foram invenções coletivas, resultado da colaboração de centenas de pessoas ao longo de décadas. Cada inovador contribuiu com uma peça nesse enorme quebra-cabeça, e cada invenção inspirou as gerações seguintes a levar adiante o projeto de um mundo conectado através de máquinas inteligentes e surpreendentes. Isaacson mostra em que medida foi a colaboração entre equipes, mais que o gênio individual, que impulsionou a maior revolução tecnológica da história da humanidade. Assim, empresas como a lendária Bell Labs ou a Texas Instruments tornaram-se celeiros de inovadores, cada qual com sua especialidade, polinizando-se mutuamente. O resultado foi o computador como o conhecemos: livre e cheio de possibilidades, uma ferramenta para expandir a criatividade de cada um.
Essas máquinas gigantescas e caríssimas iriam inspirar as gerações seguintes de inovadores em uma busca comum: a criação de um computador pessoal, que poderia ser operado por qualquer pessoa sem conhecimentos de eletrônica ou programação. É também o início da briga entre Bill Gates e Steve Jobs, narrada por Isaacson em ritmo de thriller. E é, acima de tudo, o início da confluência de dois mundos que até então haviam caminhado separadamente: o PC e a rede. Entram em cena os inovadores que deram a cara do século XXI, como Tim Berners-Lee, o criador da web, e Larry Page e Sergey Brinn, os fundadores do Google que, em meio ao início da era da informação, perceberam que cabia a alguém organizar aquela torrente de dados.
Os interessados em tecnologia encontrarão aqui um rico mapa das principais inovações das últimas décadas – do transístor ao microchip, do software livre à tela de toque. Mas o mérito de Isaacson é o foco nas pessoas, e não nos inventos. Assim, a revolução digital aparece como uma história humana, uma empolgante narrativa em torno das grandes ideias e de quem as realizou.

“Walter Isaacson escreveu um livro inspirador sobre pessoas geniais, em que mostra como o sucesso e a criatividade surgem a partir da colaboração. Os inovadores é uma história fascinante sobre a revolução digital, que relembra inclusive o papel crucial e muitas vezes esquecido que as mulheres tiveram nessa história. Uma lição realmente valiosa sobre como o trabalho em grupo leva a grandes resultados.” – Sheryl Sandberg, COO do Facebook e autora de Faça acontecer

“Um grande panorama da história da revolução digital. [...] Uma narrativa forte e emocionante sobre os visionários cujas imaginações continuam a transformar nossas vidas.” - Kirkus review

Fonte: http://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=13734

Campanha “Quem Falta faz Falta” reduz o número de faltas toleráveis de alunos

 

O objetivo é garantir o avanço dos índices de presença do estudante em sala de aula

Para garantir o avanço dos índices de presença do aluno da rede estadual em sala de aula, a Educação implantou um conjunto de medidas que diminui para 10% o número de faltas toleráveis. A lei de 2008 determinava que a comunicação e atuação da direção escolar e dos professores aos responsáveis deveriam ser feitas com 20% de ausências. A partir de agora, será reduzido pela metade o percentual de faltas dos estudantes.

A resolução, que marca a nova campanha da Educação “Quem Falta Faz Falta”, estabelece também que se o comunicado feito aos responsáveis dos alunos não gerar efeitos, outros órgãos, entre conselhos tutelares e vara da infância, devem ser acionados.

Permanecem como definidor da reprovação dos alunos, os 25% de faltas que são computados com bases nas aulas dadas. Em caso de excesso de faltas dos alunos, os Grêmios Estudantis e as associações de pais e mestres serão acionados para ajudarem em cada caso.

Todas essas ações que fazem parte da nova campanha da Educação “Quem Falta Faz Falta” também têm o objetivo de auxiliar a atuação das 91 Diretorias de Ensino e das 5 mil escolas estaduais. Dessa forma, foi criado um novo canal com contatos dos órgãos protetores que podem ser acionados em caso de excesso de faltas, as legislações sobre o tema, material informativo e boas práticas escolares que resultaram na prevenção ao abandono escolar.

Diminuição histórica em SP

A campanha “Quem Falta Faz Falta” foi criada com base em experiências bem sucedidas desenvolvidas pelas escolas estaduais, que já resultaram em uma diminuição histórica de 81% das taxas de abandono na rede de São Paulo. Na década de 80, o índice era de 26,5% e atualmente está em 5% no Ensino Médio paulista, uma das taxas mais baixas do País, apesar do tamanho e complexidade da rede estadual.

Confira a escola que obteve sucesso com ações realizadas para o combate ao abandono escolar. A E.E. Professora Aracy Leme da Veiga, localizada no bairro Jardim Novo Carrão, conseguiu reverter em 100% o número de faltas de seus alunos.

 

Fonte: http://www.educacao.sp.gov.br/noticias/campanha-quem-falta-faz-falta-determina-que-pais-sejam-acionados-quando-o-aluno-atingir-10-de-falta

Ciage Lança Novo Site como Etapa de Projeto de Expansão

Após um ano e meio com sua apresentação institucional ao mercado, o Centro de Inteligência, Análise e Gestão Educacional  ̶  Ciage, lançou um novo site dedicado à apresentação dos produtos e soluções para o setor educacional.

Com foco nos gestores de diferentes posições hierárquicas, desde docentes, coordenadores de curso, coordenadores pedagógicos, diretores, reitores e presidentes, o Ciage utiliza softwares e metodologias próprias, além da combinação de consagradas estratégias de gestão para oferecer indicadores, informações, dados e demais insumos para apoiar os processos de tomada de decisões.

Se no início o foco foi institucional, ou seja, para apoiar o processo de apresentação da empresa ao mercado, nesta etapa preparamos para o público um site com foco na apresentação das soluções disponíveis, além da prévia para o lançamento de dois produtos estratégicos.

Um desses produtos será comercializado diretamente pelo site, com opções de pagamento via boleto ou cartão de crédito. Junto dessas opções, o Ciage está preparando mais surpresas para o mercado: um modelo de vendas diferenciado para seu produto a ser comercializado via site e um produto de entrada, que facilitará o acesso a pesquisas e indicadores para todo o setor educacional.

Ambos lançamentos são complementares e oferecem alternativas para todo perfil e tamanho de instituições de ensino, bem como todo tipo de objetivos e demandas quando o assunto é captar informações sobre os serviços educacionais prestados.

Assim, da ferramenta mais básica à mais complexa, o Ciage ampliará suas opções de atendimento, oferecendo alternativas não só em termos tecnológicos e metodológicos, mas também em termos de usabilidade, custos e nível de complexidade das informações demandadas.

Os lançamentos estão previstos para acontecerem nos meses de outubro e novembro de 2015.

PISA vai medir noções de inglês e tecnologia dos estudantes ao redor do mundo

Autora: Bianca Bibiano / Fonte: Portal VEJA / Data: fevereiro de 2015

Novo formato de exame entrará em vigor em 2018. Na edição deste ano, a prova desenvolvida e coordenada pela OCDE medirá apenas nível de leitura, matemática e ciências.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) vai mudar o formato do PISA (Programme for International Student Assessment, na sigla em inglês), considerada a principal avaliação do ensino básico do mundo. O teste é aplicado a cada três anos nos países membros da OCDE e economias convidadas. A mudança prevista para 2018 é a inclusão de mais um eixo de avaliação, denominado ‘competências globais’, que incluirá noções de língua inglesa e vida digital.

A informação foi revelada com exclusividade a VEJA.com por John Jong, porta-voz da empresa Pearson, que ganhou em 2014 o direito de elaborar o próximo teste.  A última edição do exame foi feita em 2012 e, este ano, mais uma edição será realizada.

Segundo Jong, a inclusão de conhecimentos de língua estrangeira e computação na prova é uma resposta às demandas impostas pela globalização da educação e do mercado de trabalho. “Os jovens estão viajando cada vez mais para fazer ensino superior ou trabalhar no exterior. Essa realidade também se aplica aos brasileiros, por isso vamos avaliar o quanto eles estão preparados para essa experiência.”

No momento, a Pearson está trabalhando com grupos de especialistas para analisar os currículos escolares de todos os países participantes, inclusive do Brasil. “Precisamos garantir que os parâmetros avaliados estarão presentes em todas as escolas do mundo”, explica Jong. Além de consultar pessoas ligadas à educação, a Pearson também fará contato com empregadores para consultar quais competências são desejadas para quem vai ingressar no mercado de trabalho. “O objetivo do PISA é descobrir o que os estudantes vivenciam no ensino médio antes de ingressar no mercado de trabalho.”

Este ano, a avaliação será aplicada em cerca de 70 localidades, mas vai avaliar apenas o nível de conhecimento dos estudantes em leitura, matemática e ciências. Uma novidade é que em alguns países o teste será feito pelo computador e não mais em papel, como vinha sendo feito até então. “A maior parte das empresas usa computadores. Eles têm um grande papel na vida das pessoas e os estudantes precisam estar preparados para utilizá-los.”

O Brasil também participará da avaliação deste ano, que deve ser realizada no segundo semestre. Apenas alunos de escolas públicas com idade entre 15 e 16 anos respondem à prova. A seleção dos estudantes é feita por amostragem. Em 2012, o exame envolveu 510.000 jovens de 65 países ou regiões econômicas delimitadas (caso de Xangai, por exemplo). No Brasil, foram 19.877 estudantes, divididos em 837 escolas.

De acordo com Jong, o objetivo da prova não é ranquear os países a partir dos conhecimentos dos estudantes, mas sim fornecer informações que possam contribuir com a educação nos países. “O PISA mede as habilidades dos estudantes em usar determinados conhecimentos que eles deveriam ter aprendido na escola. Se os países não desenvolveram esses conteúdos ainda, o teste serve para que eles revejam seus conteúdos curriculares.

Gestão Educacional e a Pergunta Perturbadora

Façamos um exercício de memória interessante, com duas perguntas triviais e uma bastante perturbadora: quantas vezes nos últimos anos nós lemos textos, matérias ou artigos cujas primeiras frases davam conta das “profundas mudanças que o país vive”, ou de que “nos últimos anos, com o advento da globalização, várias mudanças” ocorreram neste ou naquele setor?

Seja na política, na economia, nos mercados, na organização social, na ciência, na cultura e costumes, enfim, não há um setor da atividade humana que não tenha sido impactado direta ou indiretamente por alguma transformação, por uma nova tecnologia ou inovação nos últimos 20 anos e que, da mesma forma, não tenha contado com a análise e reflexão sobre essas mudanças, feitas por educadores, analistas, filósofos, jornalistas, politicólogos, sociólogos e outros tipos de pensadores das relações sociais.

Continuando com nosso exercício, provavelmente todos tenhamos lido frases semelhantes aplicadas para o contexto educacional. Quantos artigos e matérias sobre educação iniciam com esses tipos de sentenças? Novas tecnologias, novas práticas, modelos pedagógicos inovadores e transformações de toda ordem inundam os debates do setor educacional. Quantas vezes os educadores já discutiram esses temas? Essa é, naturalmente, uma pergunta retórica, pois não se pode medir a quantidade de situações em que professores, pedagogos e educadores de diferentes especialidades refletiram sobre como desenvolver seu trabalho da melhor maneira ou como inovar em sala de aula utilizando os recursos disponíveis.

Embora as perguntas anteriores sejam de simplicidade ímpar, chegou o momento da categoria “questão perturbadora”. Considerando tudo o que já escutamos, discutimos, refletimos, criamos e estudamos sobre as transformações e inovações no Brasil e no mundo, quantas vezes efetivamente você introduziu alguma inovação real para dentro de sua sala de aula, a qual estivesse atrelada não apenas aos seus anseios pessoais e profissionais, mas a um conjunto de inovações articulados por toda a comunidade escolar?

A qual categoria, como profissional da educação, você se enquadra? Ao inovador solitário, que busca estudar as tendências e aplicá-las em sala de aula independente daquilo que é feito nas salas vizinhas? Ou ao educador cansado que sequer consegue reunir forças para realizar esses exercícios de inovação? É evidente que existe a terceira categoria, que é daquele educador que, estimulado pelos ambientes interno e externo, consegue colocar em prática as inovações necessárias para melhorar a qualidade do processo de ensino e aprendizagem e que o faz com a motivação necessária e o espírito empreendedor daqueles que se permitem cometer erros para melhorar, aprimorar e desenvolver com melhores fundamentos as práticas de sucesso nas escolas. É nesta categoria que todo bom educador pretende estar!

Embora o processo criativo e de pesquisas possa ser um ato solitário, a inovação sólida e sustentável depende de outros fatores, integrações e articulações. No Brasil e no mundo existem inúmeros prêmios e reconhecimentos públicos para aqueles educadores que fazem a diferença com ideias interessantes sobre como potencializar o rendimento de seus alunos em sala de aula. O reconhecimento dessas ações estimula os demais docentes a buscar melhorar o seu trabalho e garantem a oxigenação do debate sobre a qualidade do ensino. Entretanto, as ações isoladas de professores brilhantes, ainda que fundamentais, não são sustentáveis ao longo do tempo.

Dessa forma, ainda que o processo criativo possa nascer de uma reflexão solitária daquele professor que deseja fazer melhor o seu trabalho, é o conjunto muito bem articulado de ações pedagógicas e de gestão, que verdadeiramente podem mudar a educação de forma sustentável, isto é, de maneira integral e completa, substituindo o isolamento de ações criativas em sala de aula, pela plena capacidade de envolver toda a comunidade escolar em torno de um mesmo sonho, de um mesmo projeto e das mesmas metas. Não se trata de desestimular a criatividade e o desejo de inovar deste ou daquele docente, trata-se, isso sim, de potencializar essa força criativa disseminando a cultura da qualidade, por meio de processos de gestão educacional, pactuados entre todos.

Para que esse cenário se desenvolva existem atores essenciais, sem os quais uma escola não consegue manter seus projetos pedagógicos inovadores de forma sustentável: os diretores e os coordenadores pedagógicos.

Imagino quantos professores estejam protestando neste momento, queixando-se e argumentando que tudo só existe se acontecer dentro de sala de aula. É verdade. Mas neste caso, não estamos nos referindo ao ato de educar, mas sim ao ato de estimular, unir, cobrar, motivar, articular e liderar um processo complexo que depende de muitos profissionais diferentes, todos no mesmo barco e remando para o mesmo lugar.

É neste momento que Diretor e Coordenador Pedagógico de uma unidade de ensino podem fazer a absoluta diferença entre inovar isoladamente ou inovar coletivamente; em melhorar o desempenho de uma turma ou melhorar o desempenho de toda a escola ou em simplesmente fazer a essência do ato de educar existir, se realizar.

É o poder transformador desta dupla que moverá o processo de ensino e aprendizagem nas escolas. Embora o Diretor seja a liderança que poderá levar todos ao sucesso, é no papel do Coordenador Pedagógico que está a essência da política educacional e do modelo pedagógico a ser desenvolvido. Um bom Diretor irá respaldar e apoiar o trabalho do Coordenador, mas este, confiante no modelo a ser adotado, poderá ser o catalizador das ideias e o líder daquilo que na iniciativa privada chamamos de “core business”, o núcleo, a essência do negócio. E o negócio de uma escola não é cuidar das carteiras, não é pintar as paredes, nem entregar os documentos e relatórios solicitados pela secretaria de educação dentro dos prazos. Isso tudo sim, é muito importante, mas são acessórios necessários ao bom desenvolvimento do ato de educar, este sim, a essência e a razão de ser de uma escola. Ou seja, quando os acessórios funcionam adequadamente, as chances de sucesso no rendimento escolar sobem vertiginosamente. Nesse sentido, portanto, o Coordenador Pedagógico deve reinterpretar a sua função e entender-se como de fato aquilo que ele deve ser: o gestor do modelo pedagógico da escola, concentrando-se naquilo que é essencial, mas sem esquecer dos insumos que poderão dar vida e força ao modelo.

Para ser um bom gestor do modelo pedagógico um Coordenador deverá reunir diferentes qualidades em um só perfil. Conhecimento técnico e teórico para interpretar o modelo pedagógico vigente, compreendendo nele o produto de um conjunto de teorias de aprendizagem, que influenciaram a sua construção.

Também deverá possuir um senso crítico capaz de interagir com os modelos e criticá-los sempre com o objetivo do aprimoramento. O Coordenador também deve ter forte conhecimento da estrutura e dos meandros da rede em que sua escola está inserida, principalmente para o caso de redes públicas, em que as definições políticas e estratégicas fazem naturalmente parte de um contexto maior.

No campo mais subjetivo, é importante a sua capacidade de liderar, de ser o exemplo para sua equipe de professores e conseguir extrair o melhor de cada um durante cada dia de trabalho, seja em sala de aula, seja em uma reunião de planejamento. E já que citamos a palavra planejamento o Coordenador Pedagógico também deve se preocupar com isso, provendo aos seus liderados e ao seu líder todos os detalhes do processo educacional que será executado em sua escola.

Em relação ao planejamento é também útil ao Coordenador entender em que etapa seu trabalho deve prevalecer. Observe que no âmbito do desenho organizacional o Coordenador Pedagógico faz a ponte entre Diretores e professores, independentemente das dimensões da escola ou da existência de um Vice-diretor, enfim, em qualquer situação o Coordenador estará entre os objetivos estratégicos e os objetivos operacionais de uma unidade de ensino, posicionando-o, portanto, no chamado “Campo Tático”, em que os objetivos serão pensados no âmbito de sua própria unidade, com vistas ao cumprimento das diretrizes estratégicas e com o fim de alcançar o maior volume de produtividade e qualidade da unidade de ensino em que atua, a médio prazo, ou seja, ao longo de um ano de trabalho.

Finalmente, não é possível empreender esforços, conhecer o sistema educacional em que está inserido, gerar inovações, possuir liderança, criticidade, técnicas de ensino e aprendizagem e conhecer com profundidade diferentes teorias da educação sem que tudo isso não seja medido. Como saber se a combinação de todos esses atributos está gerando valor para os alunos? A palavra de ordem é medir, medir e medir. Avaliar o desempenho de alunos e professores, estabelecer métricas e propor metas, destinar algum tempo para analisar os indicadores de sua escola e compará-los com os das demais. Tudo isso faz parte do contexto da avaliação, ou seja, aplicar o modelo pedagógico com o desenho da melhor estratégia, executar dentro dos prazos tudo o que foi pactuado internamente e medir o alcance das metas estipuladas para que seja possível refletir sobre seu sucesso ou fracasso.

Observemos, enfim, que o tema em discussão é o reconhecimento tácito da importância da Gestão Pedagógica nas escolas, preferencialmente feita pela dupla Diretor-Coordenador, a qual, simbioticamente, deve garantir a plena execução, eficiente e eficaz, das diretrizes e fundamentos do modelo pedagógico, entendendo esta atividade como o “core” de seu “negócio”.

Embora Diretores e Coordenadores devam compartilhar dos atributos citados anteriormente, a combinação de todas aquelas competências e qualidades podem não ser garantia do sucesso da unidade de ensino. Isso porque elementos da cultura burocrática local podem ser empecilhos ao bom desempenho dos gestores. Garantir a concretização de uma cultura burocrática mais flexível e minimamente parecida com uma organização adaptativa também é condição para o sucesso dos gestores da educação.

Vamos entender um pouco mais sobre isso.

Baseada no sistema racional-legal a burocracia possui três características básicas. Trata-se de sistemas sociais formais, impessoais e dirigidos por administradores técnicos e profissionais que tendem (ou tentam) controlá-los cada vez mais. “O formalismo da burocracia expressa-se no fato de que a autoridade deriva de um sistema de normas racionais, escritas e exaustivas, que definem com precisão as relações de mando e subordinação, distribuindo as atividades a serem executadas de forma sistemática, tendo em vista os fins visados”. ¹ Neste caso, as leis, os códigos, procedimentos e demais representações de normatização são a fonte do formalismo burocrático, o qual deve respeitar os limites da lei sob pena de que seus membros sejam punidos das mais diversas formas, de acordo com a legislação vigente. Porém, mais que isso, as relações de mando podem ser mantidas por meio de instrumentos de coerção típicos dos Estados modernos, fundamentalmente baseadas no Direito, entendendo o Direito simplificadamente como um conjunto de normas que devem ser obedecidas por todos.

Já na questão do formalismo, os sistemas burocráticos já apresentam suas diferenças. As normas que regem as ações dos burocratas transformam o resultado final de seu trabalho, mas, principalmente, orientam de maneiras distintas os processos existentes ao longo da execução das atividades. O formato de gestão pode implicar, por exemplo, no maior ou menor nível de poder exercido pelos profissionais técnicos, ou no grau de envolvimento de outras esferas do sistema ou, ainda, no tipo de influência e grau de liberdade com que grupos de interesse podem exercer pressões e/ou influir no resultado final da ação do burocrata, entendendo-se aqui, todos os funcionários públicos do sistema educacional.

Interessante notar a necessidade, até mesmo nos casos de sistemas burocráticos tradicionais, do uso eficiente de recursos para a obtenção dos fins desejados. O que se coloca, portanto, é que, ainda que impessoal, a burocracia pode trabalhar com diferentes graus de flexibilidade operacional, respeitando os preceitos legais, as normas e o rigor jurídico. Para isso, é preciso buscar nos processos o espaço para sua transformação.

Pois bem, independente do fato de movimentar-se conforme as regras jurídicas e dentro dos estritos limites da lei, o corpo burocrático pode, nos processos, quebrar paradigmas, reinventar-se e descobrir novos caminhos de gestão ainda que a “ordem” tenha que ser rigorosamente respeitada.

Ilustremos isso, no campo educacional, utilizando a relação entre as regras de adoção de um determinado modelo pedagógico, com a capacidade criativa de inovar por meio do uso de diferentes recursos, sem que o modelo sofra qualquer tipo de alteração. A necessidade de implementar determinadas diretrizes pedagógicas tantas vezes faz com que os gestores das escolas confundam seu papel com o de meros operadores de um determinado sistema, ou em outras palavras, “leia as normas e cumpra-se”.

No modelo das burocracias adaptativas, ou “adaptadas” como prefiro definir, migramos dos desenhos mecanicistas para os orgânicos e trocamos a autoridade centralizada, a profusão de regras, normatizações e a liderança excessivamente formal, pela autoridade descentralizada, por menos regras, pelo pacto entre os atores das escolas (diretores, professores, funcionários, estudantes etc) e por lideranças mais consensuais.

Nesse ambiente, em que a burocracia tradicional cede lugar à burocracia adaptada, o modelo de liderança que será executado pelos gestores das unidades escolares também será impactado, gerando menos subordinação e ações coercitivas e mais colaboração, cooperação e alinhamento com os objetivos das escolas.

Provavelmente o leitor ainda se recorde da “pergunta perturbadora” do início deste artigo. Se não, vamos recordá-la: considerando tudo o que já escutamos, discutimos, refletimos, criamos e estudamos sobre as transformações e inovações no Brasil e no mundo, quantas vezes efetivamente você introduziu alguma inovação real para dentro de sua sala de aula, a qual estivesse atrelada não apenas aos seus anseios pessoais e profissionais, mas a um conjunto de inovações articulados por toda a comunidade escolar? Creio que todos compreenderam a questão. Não se trata de uma ação isolada, fruto de um talento individual que recebe prêmio uma vez ao ano, mas sim de uma ação articulada, integrada com todas as séries, pactuadas entre todos e executadas com planejamento e aferições da qualidade da tática adotada.

Se você respondeu sim, uma vez ou sim, muitas vezes é porque você trabalha em uma rede educacional que já completou a migração para um novo modelo organizacional, mas principalmente e fundamentalmente, é porque você trabalha em uma unidade escolar em que Diretores e Coordenadores Pedagógicos atuam efetivamente como Gestores Educacionais, se reconhecem neste papel, executam as ações táticas destinadas a promover as inovações, sem se desfazer dos princípios dos modelos pedagógicos vigentes.

Se você respondeu não à essa “pergunta perturbadora” também não há motivo para pânico. Provavelmente sua organização tem investido em melhorias, por meio de diferentes estratégias, criado políticas de valorização docente e estabelecido estímulos para que a rede possa funcionar melhor. Para os Diretores e Coordenadores não é preciso esperar uma mudança “lá de cima”, basta olhar para dentro de si, enxergar o profissional da educação capaz de liderar, inovar, reconhecer e valorizar talentos, medir os resultados e conduzir sua unidade de ensino em direção a excelência.

O caminho para isso, lembremos sempre, está no “core”, na essência, está em reconhecer-se como um Gestor do Processo Educacional, algo realmente mais motivador do que se reconhecer apenas como o administrador de um prédio onde crianças e jovens estudam.


¹ MOTTA, , Fernando C. Prestes & BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Introdução à organização burocrática. 2ª. Edição. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

Luiz Renato Ribeiro Ferreira
Publicado na edição n°68 da Revista “Educando em Mogi”.