Inadimplência: o desafio das escolas para 2016

Em sua opinião, qual o principal desafio administrativo e financeiro das escolas? Dificuldade na captação de novos alunos? Desempenho financeiro e fluxo de caixa? Diferenciação em relação à concorrência? Essas questões são comuns a gestores de escolas de todo o país, mas o que mais preocupa, no momento, são os índices de inadimplência. Foi o que revelou o estudo O cenário da gestão escolar no Brasil, realizado pela Comunidade Internacional de Cooperação na Educação Mind Group. Seis em cada dez entrevistados incluíram esse item, além da conciliação dos diferenciais da escola e seus custos, em sua lista de elevado fator de preocupação para 2016.

A pesquisa contou com a participação de gestores de instituições de ensino de 19 estados do país. Foram coletadas 188 respostas, entre os meses de junho e agosto de 2015. O receio da inadimplência vem acompanhado por um olhar crítico a respeito da situação das escolas no próximo ano: apenas 18% veem 2016 como um ano mais positivo que 2015. Quase cinco em cada dez (47%) instituições entendem que o próximo ano será tão desafiador quanto 2015 e 35% acreditam que será ainda mais desafiador. A preocupação dos gestores escolares não ocorre por acaso. “As instituições de ensino precisam trabalhar com a premissa de que a crise econômica atingiu o país inteiro. E o desemprego deve atingir a todos os setores da economia, o que causa reflexos em todas as áreas”, explica Sérgio Itamar, professor de Finanças do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae). “A situação do Brasil se chama crise porque atinge todo mundo. Nesse cenário, as pessoas privilegiam o pagamento de dívidas com juros maiores, como o cartão de crédito e o cheque especial”, ressalta.

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgaram que o número de consumidores com contas atrasadas e registrados em cadastros subiu 4,6% no primeiro semestre de 2015 na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com os dados, cerca de 40% da população adulta já deixa de pagar contas.

Como se planejar

Na opinião de Itamar, as escolas precisam ter em mente que a inadimplência – ainda mais em períodos de crise – nem sempre está relacionada à má administração de dinheiro, e sim à conjuntura do país. A fim de evitar problemas e tornar a gestão escolar mais simples, o professor sugere duas ações importantes: o treinamento dos funcionários quanto à legislação – para evitar indenizações por abuso na cobrança – e negociações individuais e personalizadas.

Negociação

Uma das orientações é a criação de comitês para gerir as negociações com os pais, visto que cada família terá uma situação financeira específica a ser contornada. “Não existe uma forma única de negociar, por isso a necessidade de avaliar cada negócio caso a caso”, diz Itamar. A orientação do especialista é para que as escolas chamem os pais para conversar sobre os pagamentos antes de ultrapassar os três meses de inadimplência. “Dessa maneira, é possível entrar em acordo antes que o pagamento se torne impossível de ser feito”, explica. Além disso, segundo o professor, é necessário ter atenção na forma de lidar com alunos inadimplentes. “Muitas vezes, existe a pressão para se obter resultados financeiros, e as escolas entram em desacordo com a legislação. É comum a escola ser a credora e ser processada por abusos”, alerta. Com o trabalho do comitê e as negociações, fica mais simples para a escola trabalhar de maneira preventiva o orçamento de 2016, podendo até mesmo negar matrículas em casos especiais.

O que não fazer

São duas as possibilidades para as escolas cobrarem os inadimplentes: execução judicial ou serviço de cobrança de crédito. No entanto, a orientação de Maristela Denise Marques de Souza, professora de Direito do Consumidor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é de que se prime pela negociação. “Trata-se da melhor forma para resolver conflitos”, afirma. E acrescenta: “Não se pode usar de artifícios que sejam contrários à lei, como impedir o acesso à sala de aula ou não enviar documentos do aluno para outras instituições em caso de transferência”. Entre a legislação que rege o assunto está o Código de Defesa do Consumidor, com foco especial para a área de prestação de serviços. “Se a escola tomar algum tipo de medida considerada abusiva ou arbitrária, o próprio código vai defendê-lo [o aluno]. A partir do momento em que a escola assume a responsabilidade de educar o jovem, deve prestar o serviço de maneira eficiente, mesmo que o consumidor esteja inadimplente”, orienta.

Atenção

A melhor maneira de coibir ações indevidas é se preparar previamente, ou seja, só tomar medidas de cobrança mais efetivas ao fim do semestre letivo. “As instituições não devem se precipitar, pois correm o risco de sofrer as demandas indenizatórias por danos morais”, pontua Maristela. De acordo com ela, as escolas – e grupo escolares – de maior porte costumam trabalhar de acordo com a lei, mas as de menor porte apresentam mais chances de pressionar os pais por uma maior necessidade financeira.

Este é apenas um trecho desta reportagem. O material na íntegra está disponível na edição de novembro de 2015

Escrito por Vinicius Boreki
Fonte: Gestão Educacional
(http://www.gestaoeducacional.com.br/index.php/especiais/negocio-educacao/1379-inadimplencia-o-desafio-das-escolas-para-2016)

Educação perde R$ 10,5 bi em 2015

 

São Paulo – O Ministério da Educação (MEC) perdeu R$ 10,5 bilhões, ou 10% do orçamento, em 2015, ano em que a presidente Dilma Rousseff escolheu o slogan “Pátria Educadora” como lema de seu segundo mandato. Cortes em programas, pagamentos atrasados e trocas de ministros marcaram o ano da pasta.

A presidente anunciou o lema já no primeiro dia de 2015, mas os problemas na área também apareceram depressa. Antes mesmo de oficializar o represamento de orçamento no âmbito do ajuste fiscal, a tesoura atingiu programas como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Pronatec, as duas principais bandeiras de Dilma na área da educação durante as eleições de 2014.

Depois de uma expansão de financiamentos entre 2010 e 2014, o governo alterou as regras do Fies ainda nos últimos dias de 2014. Restringiu o acesso ao programa e chegou a adiar pagamentos a empresas educacionais. O ano fechou com 313 mil contratos, 57% menos do que o registrado em 2014.

Dados atualizados até ontem mostram que a União gastou R$ 12 bilhões com o Fies em 2015, 16% menos do que os R$ 13,7 bilhões de 2014 – apesar de já haver mais contratos acumulados. No Pronatec, o início de novas turmas foi adiado no primeiro semestre e também houve atraso de pagamentos às escolas. O MEC defende que foi registrado 1,1 milhão de novas matrículas em 2015.

No decorrer do ano, outras iniciativas sofreram com a escassez de recursos, como o Mais Educação, voltado a escolas de tempo integral, e o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que transfere verbas diretamente para as unidades.

Bolsas de programas de iniciação à docência e de alfabetização também atrasaram. O corte na verba de custeio provocou reflexos nas universidades federais, que agonizaram com problemas de caixa. O MEC ainda teve de lidar com uma greve de cinco meses de duração dos professores universitários federais.

Longo prazo

Com dificuldade de arcar com os compromissos já existentes, a pasta viu a expansão de gastos com a educação, prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), ser ameaçada.

Aprovado em 2014, o PNE estipula 20 metas para a educação em 10 anos e traz a previsão de ampliação dos recursos da área para o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) no período. Atualmente, esse porcentual fica em torno de 6%.

Para o coordenador-geral da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o ano não foi bom para o setor. “Pensamos no início que a Pátria Educadora significaria o cumprimento do PNE dentro do primeiro mandato, mas o cumprimento neste ano foi ruim”, diz. “O motivo foi o ajuste fiscal excessivo. O próprio governo impediu a realização de seu lema”, completa.

O diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luiz Carlos de Freitas, analisa que, embora tenha seu peso, a questão orçamentária não é o único problema enfrentado na área.

“Em um ano de mandato estamos no terceiro ministro. A educação é uma área com um imenso passivo motivado pelo acúmulo histórico de falta de prioridade e investimento e há uma pressão muito grande para que os resultados apareçam logo. No entanto, não há atalhos para a boa educação”, diz.

A primeira opção para o MEC no segundo mandato da presidente Dilma era o ex-governador do Ceará Cid Gomes. Ficou 76 dias no cargo e saiu após chamar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de achacador. Em seguida, assume o professor da USP Renato Janine Ribeiro, que fica cinco meses no MEC. Em outubro, é substituído por Aloizio Mercadante, que volta ao cargo que já havia ocupado entre 2011 e 2014.

De acordo com Janine Ribeiro, não foi possível prever que o golpe financeiro no MEC seria tão grande. “Em um ano sem dinheiro, fica um problema muito grande”, diz ele, que defende a melhora nos gastos e critica o PNE. “O PNE é um plano de gastos, não é de melhora nos gastos. Passa a ter a crise e não se sustenta a expansão prevista.”

Ações estruturantes

Em nota, o MEC defendeu que, mesmo com as restrições orçamentárias impostas pela necessidade do ajuste fiscal, foram preservados os “programas e as ações estruturantes do MEC”.

“Em 2015, foi dado mais um passo importante nesses 13 anos de governos que mantiveram o projeto educacional de compromisso com a ampliação do acesso e da permanência nos diferentes níveis de ensino e com a qualidade da educação”, completa a nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Fonte:  Revista Exame 

(http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/educacao-perde-r-10-5-bi-em-2015)

Congresso de Gestão Educacional

 

Já está disponível a programação do 14° Congresso Brasileiro de Gestão Educacional que acontecerá de 30 de março a 1º de abril de 2016, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. O tema desta edição é “Superando Desafios – Gestão para resultados e oportunidades de crescimento”. O principal objetivo é trazer discussões que façam com que gestores e profissionais da educação saibam lidar com os impactos dos cortes orçamentários na área, tendo como prioridade manter a qualidade do ensino e da gestão educacional.

O evento terá como palestrantes o Maestro João Carlos Martins, no primeiro dia de congresso, e ainda contará com o Filósofo Mario Sergio Cortella abordando a necessidade de não se acomodar diante de momentos de crise. No segundo dia, será realizado o Segundo Fórum de Empregabilidade e Empreendedorismo do Aluno, que contará com a presença de Robert Wong, considerado um dos palestrantes mais inspiradores e requisitados do mercado nacional e internacional.

Ainda no dia 31 de março, acontece o Fórum dos Líderes Educacionais comandado pelo professor Eugenio Mussak, visto como um dos mestres em educação corporativa. Já no último dia de evento, haverá o 4° Colóquio de Práticas Bem Sucedidas em Gestão que abordará fatores importantes para melhoria e desenvolvimento da educação básica, técnica e do ensino superior, e contará com diversos palestrantes da área.

Entre os temas do congresso, estão: construção de uma nova escola, caminhos para a busca da excelência pedagógica, influência dos rankings dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no trabalho das instituições educacionais, como atender as expectativas dos jovens em relação ao ingresso no mercado de trabalho, oportunidades e ações para fazer frente à momentos de crise e, também, estratégias para profissionalizar a gestão.

As inscrições podem ser realizadas através do site da Humus, empresa que organiza o congresso, até o dia 22 de março. Os valores para participar do congresso variam de acordo com a data da inscrição dos participantes e das palestras a que desejam assistir. Há preços definidos até o dia 21 de janeiro, de 22 de janeiro até 23 de fevereiro, de 24 de fevereiro até 22 de março e, caso haja vagas, ainda poderá haver inscrições após o fim do prazo.

Os preços das palestras variam de R$55 a R$1.100. Há também pacotes promocionais para quem pretende assistir mais de uma palestra. Os valores variam de R$2.120 a R$3.030. O pagamento deve ser efetuado, em favor de Humus, no Banco Itaú ou no Bradesco. É possível verificar os valores definidos por palestra, data, horários, assim como os pacotes promocionais de forma detalhada no site do congresso.

Serviços
www.humus.com.br/geduc
Banco Itaú: Agência 0745, Conta Corrente 32696-7
Banco Bradesco: Agência 2272-1, Conta Corrente 14672-2

 

Por - Diego Santos - diego.santos@folhadirigida.com.br

 

Fonte: Folha Dirigida (http://www.folhadirigida.com.br/fd/Satellite/educacao/noticiario/-Inscricoes-para-Congresso-de-Gestao-Educacional-2000158681072-1400002102372)

O Fantasma da Evasão

Sem fórmula mágica ou diagnóstico preciso, controlar a permanência dos alunos na faculdade está atrelado a um conjunto de medidas em constante implantação e acompanhamento  pela instituição de ensino.

De todos os problemas que afligem gestores de instituições de ensino superior, empreender ações para o controle da evasão universitária segue sendo o que provoca maiores dúvidas com relação à eficácia e comprovação dos resultados. Segundo especialistas, a dificuldade de prever a desistência da faculdade pelo aluno se dá porque normalmente a evasão ocorre por vários motivos acumulados, que são inclusive acobertados pelo próprio estudante. A solução recomendada é então combinar iniciativas de acompanhamento e motivação dos alunos para antever o problema e combatê-lo antes de consumado.

Entre os exemplos de ações empreendidas vale tudo. Nos Estados Unidos, o Olin College resolveu atacar no currículo e trouxe para o início dos cursos de engenharia as disciplinas práticas. A justificativa para a mudança é envolver os alunos, dando a eles a chance de experimentar a rotina da profissão já nos primeiros anos de estudo e, assim, fazendo-os se sentirem mais motivados a permanecer no curso.

Para a consultora educacional Maria Beatriz de Carvalho Melo Lobo, vice-presidente do Instituto Lobo e especialista em gestão universitária, antecipar componentes curriculares, com disciplinas mais práticas sendo ministradas logo no início do curso, pode ajudar. Mas não é algo que deve ser feito de forma aleatória e sim como parte de um projeto pedagógico pensado para ter este perfil. “Uma medida como a tomada pelo Olin College, sozinha, só será eficiente se for detectado que a grande causa da evasão para aqueles alunos é a falta de contato com a prática nos primeiros anos do curso. De forma geral, é preciso um conjunto de ações para atacar essa síndrome”, explica Maria Beatriz.

A consultora lembra que a atitude tomada pelo Olin College nem chega a ser uma novidade no meio universitário. “A Poli [faculdade de engenharia da USP] já fazia isso em 2001, com projetos de engenharia no primeiro ano”, diz.

Ana Cristina Canettieri, especialista em educação e diretora da Cadec, empresa de capacitação e desenvolvimento educacional, vai além. Segundo ela, a atratividade de uma aula não está necessariamente atrelada à forma teórica ou prática com que é ministrada. “Há matérias teóricas ministradas com tamanha competência que se tornam atraentes para os alunos, da mesma forma que há aulas práticas cansativas. Assim, não creio que o simples deslocamento de matérias mais práticas para o começo do curso seja, por si, suficientemente capaz de despertar no aluno mais interesse no conteúdo do curso”, diz Ana Cristina.

Falta de empenho

Se não é a fórmula mágica para combater a evasão, a medida tomada pelo Olin College traz à tona um assunto que costuma ser ignorado pelo governo e pelas próprias instituições. O Ministério da Educação (MEC) não calcula dados de evasão no Censo da Educação Superior, embora seja o único órgão a ter todas as condições para isso. “É a prova de que a evasão não é levada a sério no Brasil. E as instituições também não fazem um bom acompanhamento disso. Todos se importam demais com o ingresso do aluno e quase nada em mantê-lo”, denuncia a consultora.

Apesar de não haver dados oficiais sobre a evasão anual da educação superior no Brasil, uma pesquisa feita pelo Instituto Lobo indica que a taxa fica em torno de 22% para o conjunto de cursos superiores presenciais, sendo mais elevada nas instituições privadas (25%) do que nas públicas (11%).

Os números da evasão também se refletem em alto custo financeiro, de acordo com o estudo feito por Solano Portela, diretor Educacional da Universidade Mackenzie, que estima os custos da evasão para uma instituição. Segundo ele, se a evasão é de 25%, com uma mensalidade média de R$ 500,00, só a perda anual de receita para cada mil alunos é de R$ 375.000,00. Uma instituição com 20 mil alunos chegaria a perder com a evasão R$ 7.500.000,00 a cada ano.

Somado ao impacto da perda financeira das mensalidades que deixam de ser pagas pelos alunos evadidos, Maurício Berbel, consultor da Alabama Consultoria Educacional, ressalta haver o prejuízo de manter turmas com poucos alunos até a conclusão do curso. “O custo dessa evasão deve incluir o prejuízo de se ter uma turma pequena demais, tendo de pagar o corpo docente, manter as instalações etc. É um valor mais difícil de calcular”, diz Berbel.

Difícil diagnóstico

Há uma evasão considerada “natural” e que deve fazer parte do planejamento institucional, explica Ana Cristina. Dentre as causas naturais, a mais significativa é a mobilidade. Os alunos mudam de bairro, de município, de estado, de país e, por esta razão, acabam por não concluir o curso na mesma instituição. Outra causa natural é a morte. Fora estas situações excepcionais, há uma série de outras causas que levam um aluno a evadir-se.

Embora a justificativa financeira seja, quase sempre, a primeira a ser mencionada por alunos e instituições de ensino, esta não é a maior vilã da evasão. Uma sugestão para ajudar os alunos que se encontram com dificuldades para arcar com os custos da faculdade, segundo Berbel, é orientá-los financeiramente. “Um trabalho de orientação feito com os ingressantes, que os ajude a organizar o orçamento, pode diminuir a evasão”, diz Berbel, que já experimentou, com sucesso, essa experiência quando trabalhava na Faculdades Integradas Teresa D’Ávila (Fatea), em Lorena (veja mais na versão da matéria no site da revista).

Maria Beatriz ressalta que, na maior parte das vezes, o aluno usa a desculpa financeira para esconder uma decisão anterior de não continuar seus estudos. Aos gestores que querem diferenciar aqueles que realmente se evadem por problemas financeiros dos que se evadem por outras razões, ela dá uma dica: quem desiste por questões estritamente financeiras normalmente tem um histórico na instituição de busca de descontos, bolsas, negociações e outras tentativas de solução. Se isso não ocorreu, provavelmente, o problema financeiro não foi a maior causa da evasão desse aluno.

Um problema de fato é a formação básica deficiente. Muitos alunos chegam aos bancos universitários com claras deficiências acadêmicas. A instituição precisa cuidar para que esses alunos não fiquem tão atrasados em relação aos demais a ponto de acreditar que sua integração ao programa do curso seja impossível. “É preciso fazer o nivelamento do estudante, conhecer o que ele sabe e adequar o curso ao acompanhamento dele”, explica Maria Beatriz.

Uma ideia é criar programas especiais que atendam às necessidades específicas desses alunos. Ana Cristina menciona a criação de cursos de nivelamento de estudos como uma boa possibilidade. “As instituições também podem criar Núcleos de Escrita, a exemplo do que existe nas universidades americanas de ponta”, sugere Ana Cristina.

Choque de realidade

De nada adianta tudo isso, se o aluno estiver matriculado no curso errado. Por imaturidade, muitos escolhem que graduação cursar tendo poucas informações sobre as opções disponíveis ou a rotina da vida profissional. Um caminho apontado por Berbel para auxiliar os estudantes a fazer a escolha certa seriam os cursos organizados em ciclos básicos. Eles permitem que os alunos tenham mais conhecimento sobre certa área antes de fazer a opção definitiva.

Apesar de o foco estar centrado no aluno – afinal, é ele quem decide abandonar o curso –, as instituições também deveriam se colocar no centro dos projetos de combate à evasão. Isto porque, segundo os especialistas consultados, a decepção com a instituição e com os professores é outra grande causa de evasão. Chamada de “desencanto” por Ana Cristina, ela abarca desde a irritação com a precariedade dos serviços oferecidos e a atenção dada pela instituição até a decepção com os professores, vistos como pouco motivados ou incapazes de ensinar.

Aliada à decepção está a falta de integração do estudante ao novo ambiente. Maria Beatriz explica que isso ocorre em várias vertentes: o estudante precisa sentir-se confortável no acompanhamento dos estudos, na aceitação pelos colegas, enfim, no atendimento como um todo. É preciso haver compatibilidade entre o aluno e a instituição, pois, quando a integração é incompleta e o aluno não é capaz de atender às demandas dos sistemas acadêmicos e sociais da instituição, ele rompe seus laços, deixando-a, explica Maria Beatriz. Em poucas palavras, o aluno precisa se sentir “acolhido” para não evadir.

Ana Cristina lembra, ainda, que no ensino superior o aluno passa a ser tratado, da noite para o dia, como “adulto”, apto a decidir sobre tudo que diz respeito ao novo ambiente acadêmico. Para ela, uma forma de combate à evasão é dispensar atenção às necessidades do aluno, especialmente no primeiro semestre, para mitigar o impacto da mudança de tratamento que estava acostumado a receber no ensino médio. “Ele precisa elaborar projetos de pesquisa, apresentar seminários, organizar suas atividades complementares e de estágio, dentre outros aspectos. Para muitos pode ser assustador”, diz Ana Cristina.

De acordo com os consultores, é essencial que a instituição tenha um setor responsável pelo combate à evasão. “Precisa haver um programa, com metodologia científica, que faça estatísticas que identifiquem os índices de evasão de cada curso, suas causas e proponha soluções”, diz Maria Beatriz.

Autor: Patrícia Pereira
Fonte: Revista “Ensino Superior”

PEREIRA, Patrícia. O fantasma da evasão. Ensino Superior, São Paulo, v. 16, n. 184, p.36-39, fev. 2014.

Diretor de escola: o protagonista esquecido

 

Quando se fala em educação, logo se pensa em professores e alunos. Cada vez há mais indícios, porém, de que esse foco na sala de aula é o típico caso em que não conseguimos ver a floresta por estarmos tão preocupados com as árvores. Salas de aula não flutuam por aí, afinal: o locus do ensino é a escola, uma organização bastante complexa, que precisa reter bons profissionais, interessar e estimular alunos e agradar a pais e líderes políticos. Quem rege essa orquestra toda é o diretor escolar.

Sabemos relativamente pouco sobre ele. Alguns estudos mostram que a maneira como um diretor chega ao cargo é importante: escolas que têm diretor escolhido por processos que envolvem provas seguidas de eleições, ou pelo menos via eleição, têm alunos que aprendem mais do que aquelas em que o diretor é fruto de indicação política. Como costuma acontecer no Brasil, privilegiamos o caminho errado: os últimos dados mostram que 46% dos diretores de nossas escolas chegaram ao posto por indicação de alguém.

Outro erro que cometemos é imaginar que o diretor é um mero burocrata responsável por administrar as instalações físicas da escola e passar um corretivo nos baderneiros. O bom diretor, porém, faz bem mais do que isso. No livro “Organizing Schools for Improvement”, os autores definem bem as quatro áreas que o gestor escolar deve dominar: capacitação dos professores, criação de um clima propício ao aprendizado, envolvimento com a família e ensino ambicioso, visando ao ingresso na universidade.

Alguns desses quesitos são difíceis de medir e quantificar. O trabalho de um bom diretor é indireto: assim como se nota o trabalho de um bom técnico pelo desempenho de seus jogadores, a virtuosidade de um diretor se manifesta pelo trabalho de seus professores. Um bom diretor consegue criar um clima ordeiro e organizado, em que alunos e professores podem dar o seu melhor com o mínimo de interrupções. Pesquisas demonstram que alunos aprendem mais naquelas escolas em que há um clima positivo e onde os professores reconhecem a liderança do seu diretor. Pesquisas internacionais (todas disponíveis em twitter.com/gioschpe) comprovam que, quando o diretor tem poder para contratar e demitir professores, os alunos têm desempenho melhor. Outra pesquisa mostra que os diretores têm boa capacidade para prever, antes da contratação, quais serão os professores excelentes e quais os ruins. Faria sentido, portanto, mudar o processo de seleção de professores, que hoje se resume a um concurso público que avalia quase tudo — menos a capacidade do sujeito de ensinar um determinado conteúdo —, para um processo que envolva uma entrevista com os bons diretores escolares.

O bom diretor escolar é um líder pedagógico, além de ser um bom gestor. Nas escolas de primeiras séries, há evidências de que o conhecimento do diretor sobre as matérias ensinadas e sua intervenção nas práticas dos professores — especialmente aqueles com dificuldades — melhoram o desempenho dos alunos. Nos anos mais avançados, é impossível para um diretor dominar todas as áreas, de forma que seu impacto precisa ser indireto, mas não por isso ele é menos importante. Pesquisas sugerem, por exemplo, que em aulas de linguagem uma estratégia em que os alunos se engajam através de questionamentos e uma postura interativa facilita o aprendizado, enquanto em aulas de matemática ocorre o oposto: estratégias em que o professor passa mais tempo explicando conceitos, formalizando o conhecimento, têm melhores resultados. O mau diretor acha que cada professor deve fazer o que bem entender. O bom diretor julga que todos precisam de orientação e que a escola deve ter um padrão. Por isso é que normalmente não se veem escolas com resultados muito díspares entre séries ou disciplinas. Ainda faltam pesquisas para esmiuçar esse fenômeno, mas em minhas andanças por escolas Brasil afora ficam claros dois fatores. Primeiro, os semelhantes se atraem: professor descompromissado procura escola de diretor idem, e bons diretores fazem o possível para afastar os maus professores e atrair os bons. Uma diretora arretada de escola pública de Fortaleza me contou que uma de suas professoras tirava licença médica atrás de licença médica. Ela também trabalhava em uma escola particular, só que a essa comparecia sempre. Quando a professora estava de licença, a diretora ligava para a escola particular e descobria se ela estava trabalhando. Depois de alguns meses em que teve seu comportamento desmascarado, a professora malandra pediu para sair. O segundo mecanismo é através do exemplo. Quando um professor sabe que seu diretor está batalhando e que vai cobrá-lo, isso é motivador. E vice-versa: visitei uma escola em Goiânia em que a diretora resolveu afrouxar as cobranças sobre alunos e professores porque queria se candidatar a vereadora e não convinha antagonizar ninguém. Os professores ficaram tão desmotivados, e trataram seus alunos com tanta indiferença, que logo a escola saiu do controle: os alunos, enraivecidos, começaram até a riscar o carro de professores.

Outra marca do bom gestor escolar é a relação com a comunidade. Em linhas gerais, os bons diretores atraem os pais, trazendo-os para perto da escola. Só assim um pai ou mãe poderá monitorar, cobrar e ajudar os filhos. Os maus gestores só se lembram de que os pais existem quando precisam culpar alguém pelo insucesso da escola. Eles costumam tratar os pais com menosprezo e distância: para um pai marcar uma reunião com um diretor desses, é missão impossível. Bem diferente de uma marca frequente do bom diretor: ele espera pais e alunos no portão da escola, todos os dias, na entrada e na saída. É uma oportunidade de estreitar o contato com os pais. comentar os problemas do dia a dia antes que cresçam e simplesmente se colocar à disposição de todos.

Ainda estamos longe de desvendar todos os mistérios da boa gestão escolar, mas a pesquisa traz três achados encorajadores. O primeiro é que, no Brasil, onde a bagunça administrativa é generalizada, iniciativas muito simples para pôr a casa em ordem têm efeito significativo. Um programa de intervenção na gestão das escolas estaduais de São Paulo que se encontravam entre as 5% piores trouxe melhoras no aprendizado dos alunos de até incríveis 40%. Resultados que vêm com medidas simples como oferecer mais aulas de reforço, coibir faltas de professores e passar mais tempo visitando e acompanhando as salas de aula. O segundo é que o salário do diretor está diretamente relacionado com o aprendizado dos alunos, ao contrário do salário dos professores. É bem mais barato e eficaz mexer no salário de diretores (menos de 200.000 pessoas) do que no de professores e funcionários (mais de 5 milhões). Terceiro, o impacto da gestão escolar é enorme: pesquisas americanas sugerem que um quarto da disparidade de desempenho entre escolas é diretamente atribuível a diferenças de gestão. Depois das ações dos professores em sala de aula (que respondem por um terço), esse é o quesito mais importante na determinação do sucesso acadêmico dos alunos.

Autor: Gustavo Ioschpe
Fonte: Revista “VEJA”

IOSCHPE, Gustavo. Diretor de escola: o protagonista esquecido. Veja, São Paulo, ed. 2317, n. 16, p.96-97, 17 abr. 2013.

Escolas e universidades escapam da crise com inovação e gestão

 
A rápida expansão do ensino superior privado levou a um volume recorde de investimentos em fusões e aquisições em 2014. Agora,  grupos educacionais  se adaptam à nova realidade econômica e à diminuição de concessões via Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que teve queda de 57% no número de novos contratos.

Conglomerados que abriram seu capital continuam a reportar números positivos, mas a busca de alternativas como o financiamento privado para os alunos dá o tom. Outro caminho é o ensino à distância, mais barato.

Enquanto isso, escolas públicas mostram que a aposta em gestão, que não necessariamente está ligada a grandes investimentos, pode levar a ótimos resultados nos exames nacionais  de avaliação, mesmo em comunidades de baixa renda. Levantamento exclusivo feito pela Folha mapeou essas ilhas de excelência.

Dos 10 melhores colégios públicos de grande porte no país que atendem alunos de baixa renda, 7 estão em Sobral  (CE). Entre as cidades com mais de 500 mil habitantes, Joinville  tem os melhores resultados em alfabetização. E Itápolis (SP) e o Estado de Goiás mostram os efeitos do planejamento.

Fonte: Folha de São Paulo

DESCONHECIDO. Escolas e universidades escapam da crise com novação e gestão. 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1704926-escolas-e-universidades-escapam-da-crise-com-inovacao-e- gestao.shtml>. Acesso em: 21 dez. 2015.

 

Empresário sabe mais de gestão do que o educador, diz secretária de Goiás

 

Um novo formato de gestão escolar será testado ano que vem em Goiás: o governo estadual decidiu chamar OSs (Organizações Sociais privadas) para atuar na gestão de colégios públicos.

As organizações receberão recurso estatal para fazer gestão administrativa (como compra de materiais e manutenção predial), contratar docentes (do grupo que hoje é temporário, 30% da rede) e monitorar se os alunos baterão metas de aprendizagem.

A secretária de Educação do governo Marconi Perillo (PSDB-GO), Raquel Teixeira, afirma que a ideia é melhorar a gestão dos colégios e deixar os diretores concentrados em questões pedagógicas. “Eles [empresários] estudaram economia, administração de empresas. Entendem mais de administração do que nós, educadores”, disse.

Raquel diz que, apesar de Goiás ter a melhor rede estadual do país no ensino médio, a qualidade é baixa (9% dos alunos têm conhecimento adequado em matemática, segundo tabulação da ONG Todos pela Educação).

Modelo semelhante está em curso nos EUA, as “charter schools”, em que instituições privadas utilizam recursos públicos para administrar escolas. Estudos não apontam vantagem clara de desempenho para o grupo.

A seguir, trechos da entrevista, em que a secretária explica a iniciativa, tida como projeto-piloto, a ser aplicada em cerca de 15% dos colégios da rede estadual goiana.

FolhaQuais são os ganhos esperados?
Raquel Teixeira – Somos um dos melhores sistemas do Brasil, mas temos consciência das fragilidades. Chamamos organizações com experiência em gestão para que a prática dentro da escola tenha o aluno como foco.
As OSs terão de assinar contrato com metas claras para proficiência, equidade, administração e de infraestrutura. As metas de proficiência são ousadas [ainda não divulgadas], mas não utópicas, para não desestimular as escolas.

E se a OS não bater a meta?
Chamamos outra.

Por que a OS conseguiria atingir o objetivo, e a atual estrutura, não?
Você vai ter uma pessoa com olhar na escola.

Os diretores não têm esse olhar? Os que atuam hoje continuarão?
Eles serão os mesmos e terão mais tempo para focar no pedagógico. Há pouco cheguei numa escola em que o diretor estava consertando a descarga do banheiro. Ótimo que tenhamos diretores proativos, mas nem todos são assim, e, se o diretor não precisar se preocupar com o vaso sanitário, ele poderá se concentrar mais nas aulas.

As OSs poderão contratar professores?
Para os efetivos, que são 70% da rede, não muda nada. Para os 30% de temporários, muda bastante. Devido à legislação estadual, eles não têm direitos trabalhistas. As OSs vão contratá-los pela CLT. Mas antes vão fazer seleção aberta, qualquer um poderá se candidatar.

Por que não fazer concurso público?
É decisão do governador. É um piloto para observarmos a diferença de desempenho entre grupos, entre escolas.

Escola com OS vai receber mais recursos?
Tem escolas que receberão mais do que neste ano. Vamos gastar o mesmo no sistema como um todo, mas com uma distribuição mais justa.

Mas se o bolo se mantém, e algumas escolas receberão mais, outras terão menos?
Algumas escolas estão sendo integradas [fechadas]. As OSs poderão também ter ganho nas compras, pois comprarão em escala.

Mas se as escolas atuais recebessem mais recursos, não poderiam também atingir melhores resultados?
É o que queremos observar. Veremos se a OS, com sua agilidade, pode ter resultado melhor. Fui secretária de Educação em 1999. Desde então, aumentaram os recursos para a educação e os salários dos professores, a gestão democrática. Não foi suficiente para melhorar o ensino. Com as OSs queremos entrar na própria gestão da escola.
Não temos tempo a perder. Quase 52% da população ainda tem entre 5 e 29 anos, mas o percentual diminui. É a nossa última janela de oportunidade de investir nessa população que estará em idade produtiva nos próximos anos. Às vezes há o entendimento de que estamos chamando empresário para privatizar a educação. Nada mais longe da verdade. Empresário pode ficar rico. Mas ele tem lado humano, filantrópico, social, quer ajudar. Eles estudaram economia, administração. Entendem mais de administração do que nós, educadores.

Parte da academia diz que esse modelo é privatista.
Privatizar é pegar bem estatal e passar para entidade privada. Não estou passando escola para entidade privada, perdendo controle e permitindo lucro de uma empresa. Toda a orientação pedagógica é da Secretaria de Educação, o livro será o mesmo.

Autor: Rodrigo Takahashi
Fonte: Folha de São Paulo

TAKAHASHI, Rodrigo. Empresário sabe mais de gestão do que o educador, diz secretária de Goiás. 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/12/1716663-empresario-sabe-mais-de-gestao-do-que-o-educador-diz-secretaria-de-goias.shtml>. Acesso em: 15 dez. 2015.

“Brasil está desmoralizando a educação”, afirma pesquisador

 

Para o pesquisador Ricardo Paes de Barros, especialista em políticas públicas e desigualdade, o “Brasil está desmoralizando a educação”. Em sua opinião, é preciso atribuir novo significado à educação se o país de fato deseja avançar. As afirmações foram feitas na tarde da terça-feira (10), durante o evento de lançamento da Falconi Educação braço da Falconi Consultores de Resultado, consultoria de Vicente Falconi, voltado exclusivamente para projetos de instituições públicas e privadas do setor. Além de Paes de Barros e Falconi, também participaram do debate os especialistas em educação Claudio Moura Castro e Ricardo Henriques, sob mediação da jornalista Miriam Leitão. ““O que você faz de gerenciamento, fica para o futuro, estou certo disso. Infelizmente, não acredito que educação seja prioridade nacional. Iniciativas lá de cima não virão””, observou Falconi.

Claudio Moura Castro questionou a superficialidade do currículo escolar no país: “”É um tsunami de materiais. Seria preciso ensinar menos coisas em maior profundidade. Você só gosta do que entende. Na escola, tudo que aparece não dá nem tempo de o aluno gostar””, avaliou. Em suas intervenções, Ricardo Henriques destacou a necessidade de interpretar e sistematizar boas práticas vistas pelo país. “Há uma cultura de regulação muito precária.” Ainda segundo Henriques, uma organização padronizada da educação nacional tem o potencial de enfrentar desigualdades entre escolas e dentro das salas de aula de cada instituição.

A ideia da Falconi Educação é aplicar ao setor conceitos como as soluções de gestão para resultados, gestão financeira, desenvolvimento de programas de formação de profissionais em educação, estruturação de programas de incentivo, construção e revisão de marcos legais. Também estão previstos modelos de parcerias com a iniciativa privada e organizações não governamentais, além da elaboração de programas de comunicação. O líder dessa nova área é Wilson Risolia, ex-secretário de educação do Rio de Janeiro. Durante sua gestão, o Estado teve avanços significativos na avaliação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). (FOLHAPRESS) 

 

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/655141/brasil-esta-desmoralizando-a-educacao-afirma-pesquisador

Movimento incentiva professores a atuarem na criação da Base Nacional

 

Como uma forma de incentivar a participação de professores de todo o Brasil na construção do texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Movimento pela BNCC lançou uma campanha com conteúdos e informações destinados especialmente a educadores e demais interessados no debate. A ideia é incentivar o acesso ao texto preliminar da Base e receber comentários sobre a redação da mesma.

Até o dia 15 de dezembro, o documento estará disponível no site do Ministério da Educação (MEC). Qualquer pessoa, escola ou instituição pode acessar o portal, que oferece um conteúdo especial de “preparação para a discussão”, com cinco itens: o que é a Base Nacional Comum, suas propostas curriculares no país, biblioteca (com os documentos que resultaram de discussões sobre o direito a educação), últimas notícias e um vídeo de apresentação.

No site do Movimento pela Base Nacional Comum Curricular estão disponíveis materiais produzidos especialmente para professores e gestores, de modo a nortear como o assunto é abordado e debatido nas escolas. Na parte “Kit de mobilização”, o educador encontra apresentações, banners e vídeos que explicam a Base, qual é a sua importância para a educação e por que é importante participar da consulta pública. Entre os guias disponíveis estão materiais para apresentar a Base para seus coordenadores, diretores e técnicos; o que a sua secretaria pode fazer para mobilizar todos da rede; como a escola pode organizar leituras críticas da Base; um guia para fazer uma leitura crítica da Base, entre outros.

Para adicionar a contribuição, é necessário que o interessado faça um cadastro simples, informando nome, CPF, email, telefone e a sua ocupação (estudante, professor, responsável por Estudante da educação básica ou outro). Depois de cortar, acrescentar e comentar, basta enviar a proposta ao MEC.

Lançada no dia 16 de setembro, a primeira versão do texto da Base Nacional Comum Curricular tem como proposta apontar o que qualquer estudante, desde a educação infantil até o último ano do ensino médio tem o direito de aprender durante os anos da Educação Básica. Sendo uma das metas do Plano Nacional de Educação, a ideia é reunir em um único documento medidas e critérios que promovam qualidade e equidade na educação.

Sobre o Movimento

O Movimento pela Base Nacional Comum Curricular é formado por um grupo de pessoas e organizações que se reúne desde 2013. Seu objetivo é acelerar o processo de construção da Base e facilitar esse caminho a partir da divulgação de pesquisas e do estabelecimento de contato com professores, gestores, líderes da sociedade civil e todos os interessados na elaboração de um currículo nacional para o ensino brasileiro.

 

Fonte: EBC (http://www.ebc.com.br/educacao/2015/11/movimento-incentiva-professores-atuarem-na-criacao-da-base-nacional)

Cliente Secreto

 

Cresce o número de empresas que contratam avaliadores disfarçados para diagnosticar falhas no atendimento ao consumidor e nos produtos.

Prática tradicional no varejo, o cliente secreto, forma de avaliação criada nos EUA, nos anos 1920, vem experimentando um momento de crescimento no Brasil.

Agências que oferecem o serviço entrevistadas pela Folha afirmam que cada vez mais empresas pagam para saber exatamente, e com alto nível de detalhamento de relatórios, o que os consumidores pensam de seus serviços e produtos.

A OnYou, por exemplo, que atua nesse segmento desde 2007, viu aumentar em 70% a demanda por seus clientes secretos no último ano. E a maior parte desse crescimento, segundo José Worcman, 37, sócio e diretor da companhia, veio de empresas de médio e pequeno porte e franquias.

Para as empresas, o principal benefício é poder poder detectar e corrigir problemas com base na avaliação de alguém sem envolvimento emocional com o processo de compra e venda. E que observa pontos específicos, importantes na estratégia da companhia.

A Shopper Experience, pioneira na área no país, de 1989, tem aproximadamente 120 mil clientes secretos cadastrados, que visitam e avaliam desde quiosques de fast-food em rodoviárias a joalherias e lojas de automóveis luxuosos. “Você precisa ter clientes com todos os tipos de perfis se quiser poder avaliar todo tipo de empresa”, diz Stella Susskind, diretora da Shopper.

A rede de franquias Mania de Churrasco utiliza o serviço há dois anos. Alessandro Pereira, 40, um dos sócios da rede, relata que seus franqueados são entusiastas da ferramenta.

As 28 lojas da rede recebem até quatro visitas por mês de pessoas que se passam por clientes comuns e avaliam os mínimos detalhes de procedimento de atendimento dos funcionários. Além, é claro, dos pratos oferecidos.

Folha acompanhou o trabalho de V.T., 26, cliente secreta cadastrada pelo OnYou, em almoço em uma loja da rede. A companhia pediu para que a cliente não fosse identificada, a fim de evitar que seja reconhecida em uma avaliação futura.

Desde o minuto da chegada, V.T, já estava observando detalhes e cronometrando o tempo de atendimento.

“Eu preciso ter atenção até mesmo às frases que os atendentes têm de dizer, se eles estão oferecendo produtos adicionais, se estão sorrindo, falando entre eles, como lidam com falta de troco e outras situações como essas”, conta.

Dependendo da avaliação pedida e do tipo de estabelecimento ou serviço a ser avaliado, uma empresa pode pagar de R$ 150 a R$ 3.500 por cada visita.

Segundo Worcman, da OnYou, contudo, uma única análise não é suficiente para um diagnóstico preciso.

“É preciso pelo menos um ano de avaliação para um diagnóstico preciso, muito embora já seja possível uma leitura após cerca de quatro meses de trabalho”, afirma José Worcman, da OnYou.

VIGIAR SEM PUNIR

Especialistas do setor de varejo dizem que a prática pode ser benéfica para a empresa avaliar a qualidade de seus serviços e produtos, mas fazem a ressalva de que o cliente oculto não pode ser usado como forma de punição.

“Se você usar as visitas como base para punição, vai criar uma cultura do medo. As pessoas vão até trabalhar corretamente, talvez, mas pelas razões erradas, com medo de repreensão, e não pelo envolvimento positivo com o trabalho”, diz Richard Vinic, 44, consultor e coordenador dos cursos de marketing e vendas da FAAP.

Na rede de sorveterias Baccio di Latte, por exemplo, as avaliações são utilizadas no cálculo de bonificações e bônus dos funcionários.

“Ninguém jamais foi demitido por conta de uma avaliação ruim. Mas já aconteceu de implantarmos alguns tipos de treinamento diferentes com base nos relatórios de clientes ocultos”, conta Vassilis Evremidis, diretor de operações da rede. “Eu falo questão de ler cada um dos cerca de 60 relatórios que recebemos todos os meses”, diz.

Na Mania de Churrasco, se o ponto da carne vier correto na avaliação do cliente secreto, caixa e churrasqueiro são premiados automaticamente com R$ 50 cada.

Silvio Laban, coordenador dos cursos de MBA da Insper, ressalta que os funcionários precisam saber que a empresa contratou esse tipo de serviço.

“A transparência é fundamental, até para não passar a impressão de que se trata de uma armadilha e não se criar uma cultura de medo entre os funcionários”, diz. “Os funcionários não podem se sentir ameaçados. Precisam atender bem sempre porque é o serviço deles, e não porque têm medo de serem mal avaliados.”

Autor: Diego Iwata Lima

Fonte: Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/10/1697682-cresce-procura-por-cliente-oculto-entre-pequenas-empresas-veja-como-funciona.shtml